skip to main |
skip to sidebar
No último domingo, dia 8 de março, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. Por todo o mundo, a luta das mulheres pelos seus direitos foi lembrada de diferentes formas.
Apesar disso, infelizmente, pouco se fala das mulheres que são perseguidas em países islâmicos ou onde os cristãos são uma minoria perseguida. Pensando nisso, a ONG Portas Abertas preparou um pequeno e-book sobre o tema. Acesse-o AQUI. Compartilhe essa informação.
No campo de concentração de Auschwitz, em finais de julho [de 1941], um prisioneiro polonês fugiu de sua equipe de trabalho. Como represália, foram escolhidos, ao acaso, dez homens entre os seiscentos prisioneiros em seu alojamento para serem trancados numa cela onde morreriam de fome. Após a seleção, um padre católico polonês, Maximilian Kolbe, prisioneiro no campo, abordou o comandante e pediu para substituir um entre os escolhidos. "Estou sozinho no mundo", disse Kolbe, "e aquele homem, Francis Gajowniczek, tem uma família para quem viver". "Aceito", disse o comandante, afastando-se. O padre Kolbe foi o último a morrer. Trinta anos depois, a cerimônia de beatificação de Kolbe contou com a presença de Francis Gajowniczek e de sua mulher.
GILBERT, Martin. A Segunda Guerra Mundial - os 2174 dias que mudaram o mundo. Tradução de Ana Luísa Faria e Miguel Serras Pereira. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2014, p. 278.
A crise que Cuba atravessa não é somente de ordem econômica, política ou social; ela atinge cada indivíduo no mais profundo de sua existência.
Segundo Oswaldo Payá, representante do Movimento Cristão Liberação, "a maioria das pessoas se queixa, mas ninguém age. Como se todos estivessem anestesiados..."
Até quando? Essa é a única questão que incomoda os cubanos. Na ilha enganosa, o tempo parou. Os turistas adoram: os velhos Cadillac, os palácios decrépitos, etc. Quanto aos cubanos, eles trabalham sem parar, inventando o cotidiano para não sucumbir à desesperança.
Resignados, agarrados às lembranças do socialismo dos anos 1980, quando o carnê de racionamento ainda dava direito a algumas roupas e lençóis para a casa, quando o óleo não faltava, quando os hospitais podiam oferecer lençóis limpos, quando havia lâmpadas e ventiladores nas salas de aula das crianças, os cubanos esperam.
Até no discurso moralista a revolução é derrotada pela realidade. Os barbudos de Sierra Maestra acreditavam ter fechado o "bordel dos Estados Unidos". Sessenta anos mais tarde, os clientes não são norte-americanos; eles vêm de todos os países da Europa a fim de sentir um pouco de volúpia nesse Éden socialista que possui os três "S" famosos que movem os turistas: sable, sexe et soleil [areia, sexo e sol]. O problema persiste, apesar da repressão ao proxenetismo, à corrupção de menores e à prostituição em si (reenvio das prostitutas da capital às suas regiões de origem; prisão domiciliar por um ano; trabalho em campos de limões e batatas para as reclacitrantes; e internação, por três anos, nos "centros de reeducação" para as reincidentes).
Sinal do pessimismo imperante, o final dos anos 90 em Cuba registrou a taxa de fecundidade mais baixa desde cerca de um século. Em 1950, a população cubana representava pouco mais de 3% do conjunto da América Latina e do Caribe. Em 2010, esse percentual terá se reduzido a 1,9%. Em 2020, a população da ilha começará a decrescer.
Quarenta por cento das gestações terminam em abortos, um índice tão elevado que incomoda as próprias autoridades cubanas. O país, que se apresenta como grande potência farmacêutica, precisou receber, no final de 1998, do Fundo das Nações Unidas para a população, uma ajuda de mais de 2 milhões de dólares para produzir as primeiras pílulas anticoncepcionais cubanas. Tal ajuda, no entanto, corresponde a apenas 5% das necessidades mais prementes da população.
A idade em que se dão as primeiras relações sexuais é cada vez mais precoce, inquieta-se também o jornal Juventud Rebelde, assinalando a progressão dos abortos praticados em jovens com menos de vinte anos.
Cuba detém outro recorde pouco invejável: o país possui um dos índices de suicídios mais elevados da América Latina (cerca de 20 para cada 100 mil habitantes; a média no resto do continente oscila entre 8 e 12 para cada 100 mil habitantes).
A um membro da guarda costeira norte-americana que perguntava a um jovem operário que acabava de fracassar em sua terceira tentativa de chegar à Flórida por que não punha sua energia a serviço de um movimento de oposição na ilha, este respondeu: "Não quero ser herói. Os heróis acabam sempre na prisão e não veem mais o sol."
Adaptado de: CUMERLATO, Corinne & ROUSSEAU, Dennis. A ilha do Doutor Castro: a transição confiscada. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Peixoto Neto, 2001, p. 106-107 e p. 191-194.
Baixe essa obra gratuitamente aqui.
Baixe essa obra gratuitamente aqui.
Baixe essa obra gratuitamente aqui.
Atendendo ao pedido de um amigo, listei 15 grandes obras de história que marcaram a minha formação. Listas similares já foram elaboradas, e eu não me preocupei necessariamente com as preferências da Academia. Alguns dos livros abaixo, mesmo não sendo clássicos, são fundamentais por me proporcionarem uma visão geral dos acontecimentos tratados. Destaquei também alguns que são obras consagradas da historiografia, mas foram ostracizados pelos ilustres doutores da universidade brasileira. Enfim, trata-se de um lista subjetiva, ainda que eu tenha equilibrado as minhas preferências com o compromisso de apresentar aos interessados uma bibliografia básica (particularmente da história do Ocidente).
1. A Humanidade e a Mãe-Terra, de Arnold Toynbee
Trata-se de uma obra geral sobre a história da civilização. Muito interessante por dar ao leitor uma visão sincrônica dos acontecimentos no Ocidente e no Oriente.
2. História das Guerras, de Demétrio Magnoli (org.)
Publicado pela editora Contexto em 2006, reúne estudos compactos de historiadores brasileiros que são referência em suas áreas. Proporciona, assim, uma visão geral excelente dos principais conflitos da humanidade (incluindo o maior de todos no qual o Brasil se envolveu, a Guerra do Paraguai).
3. História da Vida Privada, Philippe Ariès e Georges Duby (dir.)
Uma coleção publicada no Brasil pela Companhia das Letras. É abundante em fontes icnográficas, o que torna a leitura muito prazerosa.
4. A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges
Bem-vindo a um dos maiores clássicos da historiografia. Apesar disso, é pouco indicado nos cursos de história das universidades brasileiras. Um belíssimo estudo sobre o culto, o Direito e as Instituições da Grécia e da Roma antigas.
5. História do Mundo Grego Antigo, de François Lefèvre
Esse livro foi publicado no Brasil em 2013, pela Wmf Martins Fontes. A minha sensação após terminar de fichá-lo foi a de concluir um dos doze trabalhos de Hércules... o livro é essencial para qualquer estudante da civilização grega antiga, mas é deveras denso.
6. Os erros da liberdade, de Pierre Grimal
Sem sombra de dúvida, um dos livros mais sublimes que já li. O autor nos apresenta a história da liberdade, analisando as estruturas originais das sociedades grega e romana e explicitando as diferenças das mentalidades antigas. Desta lista, é o único que faz uma interface com a filosofia.
7. História da Educação na Antiguidade, de Henri-Irénée Marrou
Ao terminar de fichar História da Educação na Antiguidade fiquei com a sensação de "que pena que acabou...". O livro é inigualável e deveria ser obrigatório em todos os cursos de licenciatura. É indispensável para todos que se pretendam humanistas, num mundo cada vez mais pitagórico. Um clássico nessa área, mas restrito à educação na Grécia antiga, é Paideia, de Werner Jaeger.
8. O Império Greco-Romano, de Paul Veyne
Trata-se de uma obra de referência na atualidade para todo historiador da Roma antiga. Foi escrita por um dos maiores historiadores vivos. Para quem está a iniciar seus estudos sobre a história de Roma, eu recomendo Roma antiga: de Rômulo a Justiniano, de Thomas R. Martin. É uma obra menos acadêmica, mais panorâmica e de leitura mais leve.
9. Declínio e queda do Império Romano, de Edward Gibbon
Definitivamente, um clássico do século das Luzes. Apesar do enorme talento literário de Gibbon, algo raro entre os historiadores, sua tese central - de que o Império Romano teria caído devido às forças conjugadas da "barbárie" e da "religião" [cristã] - já foi superada. No Brasil, há uma edição condensada disponível ("Companhia de Bolso").
10. Dicionário Temático do Ocidente Medieval, Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt (dir.)
Particularmente, sou apaixonado por dicionários especializados, e esse não poderia ficar de fora dessa lista. Para quem aprecia os clássicos da historiografia, a menção obrigatória é a O Outono da Idade Média, de Johan Huizinga.
11. Racismos, de Francisco Bethencourt
Li esse livro nas férias, e posso garantir que permanecerá por muito tempo como uma referência sobre o tema. O recorte temporal é das Cruzadas ao século XX, mas traz alguns aspectos do preconceito racial na Antiguidade clássica.
12. Renascimento e Reforma, de V. H. H. Green
Publicado em Portugal em 1991, provavelmente já deve estar raro nos sebos. Trata-se de um vigoroso estudo da história política, cultural e religiosa Europa entre 1450 e 1660.
13. Da Alvorada à Decadência - 500 anos de Vida Cultural no Ocidente, de Jacques Barzun
Um compêndio belíssimo e obrigatório sobre a história da cultura ocidental, de 1500 ao século XX.
14. História Geral do Brasil, de Maria Yedda Linhares (org.)
Confesso que não sou um profundo conhecedor da história do Brasil, mas esse livro, publicado pela Elsevier em 1990, é uma referência obrigatória. Para os apaixonados pelos clássicos da nossa historiografia, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, são obrigatórios.
15. História do Século XX, de Martin Gilbert
Para os estudantes lusófonos, que padeciam com a "ditadura" de Eric Hobsbawm até 2014 (quando História do Século XX foi publicado em Portugal), esse livro foi uma verdadeira luz ao fim do túnel. Fiz questão de importá-lo assim que ele foi lançado; recentemente foi publicado no Brasil. O livro assemelha-se a um "diário", e é muito bem escrito.