“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

250 Anos em 25 Acontecimentos

sexta-feira, 3 de julho de 2026

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Os Maiores Matemáticos

quinta-feira, 25 de junho de 2026

 

II Simpósio Paisagens Ribeirinhas

quarta-feira, 24 de junho de 2026

 

Ontem, no II Simpósio Paisagens Ribeirinhas, eu apresentei a comunicação A estátua do deus Hermes: a reconfiguração da paisagem no Centro de Vitória. O evento foi organizado pelo LEENA e pelo NAU, da Ufes, e teve o apoio da FAPES, com o objetivo de promover reflexões sobre as interfaces entre arte, arquitetura, paisagens e territórios ribeirinhos.

Focos de Tensão no Mundo

segunda-feira, 22 de junho de 2026

 

Imagens de Israel, anos 1950

sexta-feira, 19 de junho de 2026

 

Nova Onda da Cocaína na Colômbia

quinta-feira, 18 de junho de 2026

 

Os rebeldes de esquerda que assinaram o acordo de paz em 2016, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), agora foram substituídos por grupos armados cujo foco é traficar drogas para ganhar dinheiro, em vez de lutar pelo marxismo.

Eles promoveram um enorme aumento na produção de cocaína e criaram novos mercados para a droga. O resultado é que o crime organizado e a violência estão se tornando problemas cruciais em cidades que vão desde Antuérpia e Dubai até Rio de Janeiro.

O mesmo padrão tem se repetido em grandes partes da Colômbia, onde a produção de cocaína mais do que triplicou nos últimos dez anos. Grande parte dessa produção tem como destino a Europa.

No que se refere à própria Colômbia, esse aumento demonstra como os antigos conflitos civis do país estão sendo movidos por exércitos privados em busca de lucro, financiados pelo vício mundial em cocaína. O processo se agravou sob o governo do presidente do país, Gustavo Petro, em fim de mandato, ele próprio um ex-guerrilheiro de esquerda, que lançou uma nova iniciativa de negociações em 2022 com todos os grupos armados.

A nova geração de gangues armadas na Colômbia trouxe um maior profissionalismo para a produção de cocaína, agora uma operação em escala muito maior. A nova cadeia de suprimentos agora é bem mais fragmentada e especializada, com operações de nicho fornecendo trabalhos especializados, mas três grupos emergiram como as fontes dominantes.

Um deles é outro grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN), cujas raízes também estão na violenta política de esquerda dos anos 1960 e que agora também tem presença considerável na Venezuela. O segundo é composto por ex-integrantes linha-dura das Farc que rejeitaram o acordo de 2016 e estabeleceram organizações dissidentes que agora têm papéis importantes no tráfico de cocaína.

Há ainda o Clã do Golfo, fundado por membros dos grupos paramilitares de direita que surgiram na década de 1990 para combater as guerrilhas de esquerda, mas que se transformou em um grupo de crime organizado. Esse é o maior beneficiário do acordo de 2016. Sua estrutura de gestão é como a de uma multinacional, como divisões específicas para atividades como recrutamento ou supervisão de laboratórios de refino.

Adaptado de Valor Econômico, 18 de junho de 2026.

"Primeiro eles vieram buscar os..."

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O autor das palavras acima foi um pastor protestante que se opôs ao regime nazista. O preço que pagou por isso foi a prisão, em campos de concentração, durante os últimos sete anos do Terceiro Reich.

Após a derrota dos nazistas, Niemöller fez um mea culpa pelo período em se omitiu. Assim, em 1946 ele viajou numa turnê de palestras pelas zonas ocidentais da Alemanha, então ocupadas pelas tropas dos países Aliados. Na ocasião, o pastor confessou publicamente sua inação e indiferença perante o trágico destino de muitas das vítimas dos nazistas. Muitas das primeiras vítimas do regime nacional-socialista eram integrantes de movimentos políticos de esquerda, ideologia veementemente rechaçada por Niemöller.

Dia Mundial contra o Trabalho Infantil

sexta-feira, 12 de junho de 2026

 

Tarefas Substituíveis por IA

terça-feira, 2 de junho de 2026

 

R.I.P. Nestor da Silva (1917-2026)

segunda-feira, 1 de junho de 2026

 

Faleceu, no último sábado, Nestor da Silva, pracinha da FEB e herói de guerra brasileiro. Para sempre seremos gratos.

Culpa dos Professores?

sexta-feira, 29 de maio de 2026

 

Dez anos atrás, publicava a imagem acima aqui no blog. De lá para cá, a situação só piorou.

Aos colegas professores que permanecem na linha de frente, toda a minha solidariedade.

Vasco da Gama, o tirano

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Embora os portugueses estivessem convencidos de que as operações voltadas contra eles no mar Vermelho e no litoral da Índia no início do século XVI eram o resultado de uma grande aliança orquestrada por Veneza, na verdade os egípcios precisavam de pouco incentivo para tentar impor controle sobre as próprias rotas marítimas. A visão do aumento do número de navios portugueses fora mal recebida, entre outras coisas porque os recém-chegados eram muito agressivos. Em certa ocasião, o próprio Vasco da Gama capturou um navio com centenas de muçulmanos voltando para a Índia após a peregrinação a Meca. Ignorando as desesperadas e generosas ofertas daqueles a bordo de pagar um resgate, ordenou que o navio fosse incendiado, num ato tão grotesco que um observador admitiu: "Vou lembrar do que aconteceu todo santo dia da minha vida." As mulheres mostravam suas joias para implorar misericórdia, em meio às chamas ou na água, enquanto outras erguiam seus filhos para tentar salvá-los. Vasco da Gama observou impassível, "cruelmente, sem nenhuma piedade", até o último passageiro e membro da tripulação se afogar diante de seus olhos.

FRANKOPAN, Peter. O Coração do Mundo: Uma nova história universal a partir da Rota da Seda, o encontro do Oriente com o Ocidente. Tradução de Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2019, p. 256.

Coronelismo no Brasil

terça-feira, 19 de maio de 2026

 

Dia Mundial do Campo

terça-feira, 5 de maio de 2026

 

Epitáfio de um Primípilo

quarta-feira, 29 de abril de 2026

 

Descoberta histórica

sexta-feira, 13 de março de 2026

 







Fenômenos Anômalos Não Identificados

quarta-feira, 4 de março de 2026

A designação oficial utilizada por agências governamentais dos Estados Unidos, incluindo a NASA e o Departamento de Defesa, para se referir a observações de objetos ou eventos no céu, no mar ou no espaço que não podem ser imediatamente identificados ou explicados é Fenômeno Anômalo Não Identificado (UAP, do inglês Unidentified Anomalous Phenomena).

Essa terminologia substituiu o termo mais antigo "OVNI" (Objeto Voador Não Identificado) para abranger uma gama mais ampla de fenômenos que podem não ser estritamente "objetos" ou "voadores". A mudança reflete uma abordagem mais científica e rigorosa para estudar esses eventos, removendo o estigma associado ao termo OVNI. Embora com uma incidência bem menor de UAP do que os Estados Unidos, já ocorreram certos fenômenos ufológicos no Brasil mundialmente famosos. Alguns foram citados aqui.

Além da Operação Prato e do Caso Varginha, também merece destaque o Caso Cláudio. Era o ano de 2008 e, nesse município do interior de Minas Gerais, diversos relatos demandaram diversas viaturas policiais. Além de testemunharem os fenômenos, os policiais perseguiram as luzes e fotografaram alguns objetos. O ponto mais marcante se deu na noite de 20 de novembro, numa área rural, quando a guarnição liderada pelo tenente Austríaco avistou dois seres luminosos, de aparência humanoide, que aparentemente coletavam amostras do solo. Os agentes tentaram se aproximar, mas sentiram dores de cabeça e peso no corpo, além de uma sensação de tempo perdido - o que eles acreditaram ter sido 30 a 40 minutos, na verdade, foram mais de duas horas.

Para o historiador, não vem ao caso provar se tais relatos são autênticos ou fraudulentos, mas sim mostrar seus impactos sociais, culturais e políticos. Em Varginha, por exemplo, os avistamentos de supostas naves e extraterrestres já foi objeto de escárnio, mas hoje alimenta o turismo na cidade. No passado, os políticos se silenciavam quanto a tais casos, ou mesmo os negavam, mas hoje testemunhamos a "Era do Desacobertamento" (estamos aqui fazendo referência ao documentário The Age of Disclosure, lançado em 2025 e disponível no Amazon Prime Video).

Extraordinárias vidas comuns

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 


Quando falamos em história, é comum pensarmos em imperadores, reis, nobres e generais. Apesar de quase um século de grandes transformações historiográficas inauguradas pela Escola dos Annales, o peso da historiografia positivista ainda é sentido. Os historiadores da corrente inaugurada por Leopold von Ranke e Barthold Niebuhr recorriam apenas a fontes escritas e oficiais, tratavam apenas de temas políticos e militares e não se descolavam da "curta duração". No afã por escrever uma história neutra, acabaram reforçando o papel das elites e o estigma social dos menos favorecidos.

Mas as pessoas comuns são extraordinárias. Como afirmou G. K. Chesterton, "a coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns." Não é por terem deixado menos fontes ao longo do tempo - ou terem sido menos preservadas, uma vez que a prioridade normalmente foi guardar a memória da elite - que não valha a pena o esforço por estudar as pessoas simples. Um dos historiadores citado em vários posts aqui no blog, Martin Gilbert, sempre deu voz a essas personagens - seja em sua obra sobre a história do século XX, sobre a Segunda Guerra Mundial ou sua história de Israel.

Se você, assim como eu, vive uma vida comum, alegre-se. Muitos poderosos invejam uma vida no anonimato - de Diocleciano (leia aqui) a Nikolai Romanov (o último czar russo, após a abdicação; testemunhas disseram que ele nunca fora tão feliz, cuidando da sua família, longe do poder). Os nossos dias passam-se demasiado rapidamente para que possamos nos dar ao luxo de não aproveitá-los intensamente. 

Ivanov e o "humanzee"

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Na década de 1920, o biólogo russo/soviético Ilya Ivanovich Ivanov (1870-1932) planejou e tentou inseminar mulheres com sêmen de macacos (especificamente chimpanzés ou orangotangos). Isso fazia parte de experimentos para criar um híbrido humano-macaco - o "humanzee". O patrocinador das pesquisas era o governo soviético, e o objetivo era provar a teoria da evolução de Darwin e enfraquecer a influência religiosa (além de especulações, nunca comprovadas, sobre criar "super-soldados" para Stalin).

Os planos de Ivanov de criar híbridos humano-macaco já eram apresentados em congressos científicos em 1910. Vale lembrar que ele era pioneiro em inseminação artificial - uma técnica que revolucionou a criação de cavalos e outros animais.

Em 1926-27, na Guiné Francesa (África), ele inseminou artificialmente três fêmeas de chimpanzé com sêmen humano. Nenhuma delas engravidou, e o experimento falhou.

Porém, Ivanov não desistiu. Então, ele planejou o inverso: inseminar mulheres africanas com sêmen de macacos, sem o consentimento delas. O pretexto seria fazer exames ginecológicos em um hospital local. O governador colonial francês vetou o plano por razões éticas e políticas.

De volta à União Soviética, em Sukhumi, atual Abkhazia, o cientista recrutou voluntárias - pelo menos cinco mulheres, atraídas pela propaganda comunista de "ciência progressista". A ideia era inseminá-las com o sêmen de um orangotango chamado Tarzan. Porém, ele morreu antes da coleta do sêmen, e Ivanov perdeu apoio científico e político, sendo criticado pela Academia de Ciências Soviética.

Em 1930, Ivanov foi acusado de sabotagem, no contexto da purga stalinista. Exilado no Cazaquistão, morreu em 1932. Nenhum híbrido de humanos e macacos nasceu, e esse episódio é um dos mais bizarros e antiéticos da história da ciência - hoje é considerado um crime contra a humanidade e violação total da bioética.  

Voltaire e o Caso Calas

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A prisão de Calas, 1879, óleo sobre tela de Casimir Destrem (1844-1918).

Em outubro de 1761, o filho mais velho do comerciante de tecidos huguenote Jacques Calas foi encontrado enforcado, o que desencadeou um surto de histeria anti-huguenote entre a população católica romana local. Calas foi preso e acusado de ter assassinado o filho para impedi-lo ou puni-lo por sua conversão ao catolicismo; sua execução ocorreu em março do ano seguinte. Voltaire, ao saber do caso, elegeu-o como símbolo da intolerância e do fanatismo e deu início a uma vigorosa campanha, convencendo amplos segmentos da opinião pública europeia de que o veredito dos juízes fora influenciado por seus sentimentos pessoais anti-huguenotes. Assim, em 1765, o Conselho real reabilitou Calas, pagando uma indenização à família.

O caso Calas fortaleceu o movimento pela tolerância religiosa e pela reforma do código criminal na França, mas tal reforma só ocorreria na década de 1780. Quanto a Voltaire, graças à sua intervenção no caso, tornou-se a consciência ativa de sua época, o profeta da justiça e da razão - e não sob uma forma abstrata, mas concreta e pessoal, em defesa de um huguenote assassinado pelo sistema judicário francês, claramente vítima do sacerdotalismo e seus acessórios legais, políticos e sociais.     

JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Tradução de Cristiana de Assis Serra. Rio de Janeiro: Imago, 2001, p. 428. Adaptado.