quinta-feira, 18 de junho de 2026
Os rebeldes de esquerda que assinaram o acordo de paz em 2016, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), agora foram substituídos por grupos armados cujo foco é traficar drogas para ganhar dinheiro, em vez de lutar pelo marxismo.
Eles promoveram um enorme aumento na produção de cocaína e criaram novos mercados para a droga. O resultado é que o crime organizado e a violência estão se tornando problemas cruciais em cidades que vão desde Antuérpia e Dubai até Rio de Janeiro.
O mesmo padrão tem se repetido em grandes partes da Colômbia, onde a produção de cocaína mais do que triplicou nos últimos dez anos. Grande parte dessa produção tem como destino a Europa.
No que se refere à própria Colômbia, esse aumento demonstra como os antigos conflitos civis do país estão sendo movidos por exércitos privados em busca de lucro, financiados pelo vício mundial em cocaína. O processo se agravou sob o governo do presidente do país, Gustavo Petro, em fim de mandato, ele próprio um ex-guerrilheiro de esquerda, que lançou uma nova iniciativa de negociações em 2022 com todos os grupos armados.
A nova geração de gangues armadas na Colômbia trouxe um maior profissionalismo para a produção de cocaína, agora uma operação em escala muito maior. A nova cadeia de suprimentos agora é bem mais fragmentada e especializada, com operações de nicho fornecendo trabalhos especializados, mas três grupos emergiram como as fontes dominantes.
Um deles é outro grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN), cujas raízes também estão na violenta política de esquerda dos anos 1960 e que agora também tem presença considerável na Venezuela. O segundo é composto por ex-integrantes linha-dura das Farc que rejeitaram o acordo de 2016 e estabeleceram organizações dissidentes que agora têm papéis importantes no tráfico de cocaína.
Há ainda o Clã do Golfo, fundado por membros dos grupos paramilitares de direita que surgiram na década de 1990 para combater as guerrilhas de esquerda, mas que se transformou em um grupo de crime organizado. Esse é o maior beneficiário do acordo de 2016. Sua estrutura de gestão é como a de uma multinacional, como divisões específicas para atividades como recrutamento ou supervisão de laboratórios de refino.
Adaptado de Valor Econômico, 18 de junho de 2026.



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