“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

Vasco da Gama, o tirano

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Embora os portugueses estivessem convencidos de que as operações voltadas contra eles no mar Vermelho e no litoral da Índia no início do século XVI eram o resultado de uma grande aliança orquestrada por Veneza, na verdade os egípcios precisavam de pouco incentivo para tentar impor controle sobre as próprias rotas marítimas. A visão do aumento do número de navios portugueses fora mal recebida, entre outras coisas porque os recém-chegados eram muito agressivos. Em certa ocasião, o próprio Vasco da Gama capturou um navio com centenas de muçulmanos voltando para a Índia após a peregrinação a Meca. Ignorando as desesperadas e generosas ofertas daqueles a bordo de pagar um resgate, ordenou que o navio fosse incendiado, num ato tão grotesco que um observador admitiu: "Vou lembrar do que aconteceu todo santo dia da minha vida." As mulheres mostravam suas joias para implorar misericórdia, em meio às chamas ou na água, enquanto outras erguiam seus filhos para tentar salvá-los. Vasco da Gama observou impassível, "cruelmente, sem nenhuma piedade", até o último passageiro e membro da tripulação se afogar diante de seus olhos.

FRANKOPAN, Peter. O Coração do Mundo: Uma nova história universal a partir da Rota da Seda, o encontro do Oriente com o Ocidente. Tradução de Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2019, p. 256.

Coronelismo no Brasil

terça-feira, 19 de maio de 2026

 

Dia Mundial do Campo

terça-feira, 5 de maio de 2026

 

Epitáfio de um Primípilo

quarta-feira, 29 de abril de 2026

 

Descoberta histórica

sexta-feira, 13 de março de 2026

 







Fenômenos Anômalos Não Identificados

quarta-feira, 4 de março de 2026

A designação oficial utilizada por agências governamentais dos Estados Unidos, incluindo a NASA e o Departamento de Defesa, para se referir a observações de objetos ou eventos no céu, no mar ou no espaço que não podem ser imediatamente identificados ou explicados é Fenômeno Anômalo Não Identificado (UAP, do inglês Unidentified Anomalous Phenomena).

Essa terminologia substituiu o termo mais antigo "OVNI" (Objeto Voador Não Identificado) para abranger uma gama mais ampla de fenômenos que podem não ser estritamente "objetos" ou "voadores". A mudança reflete uma abordagem mais científica e rigorosa para estudar esses eventos, removendo o estigma associado ao termo OVNI. Embora com uma incidência bem menor de UAP do que os Estados Unidos, já ocorreram certos fenômenos ufológicos no Brasil mundialmente famosos. Alguns foram citados aqui.

Além da Operação Prato e do Caso Varginha, também merece destaque o Caso Cláudio. Era o ano de 2008 e, nesse município do interior de Minas Gerais, diversos relatos demandaram diversas viaturas policiais. Além de testemunharem os fenômenos, os policiais perseguiram as luzes e fotografaram alguns objetos. O ponto mais marcante se deu na noite de 20 de novembro, numa área rural, quando a guarnição liderada pelo tenente Austríaco avistou dois seres luminosos, de aparência humanoide, que aparentemente coletavam amostras do solo. Os agentes tentaram se aproximar, mas sentiram dores de cabeça e peso no corpo, além de uma sensação de tempo perdido - o que eles acreditaram ter sido 30 a 40 minutos, na verdade, foram mais de duas horas.

Para o historiador, não vem ao caso provar se tais relatos são autênticos ou fraudulentos, mas sim mostrar seus impactos sociais, culturais e políticos. Em Varginha, por exemplo, os avistamentos de supostas naves e extraterrestres já foi objeto de escárnio, mas hoje alimenta o turismo na cidade. No passado, os políticos se silenciavam quanto a tais casos, ou mesmo os negavam, mas hoje testemunhamos a "Era do Desacobertamento" (estamos aqui fazendo referência ao documentário The Age of Disclosure, lançado em 2025 e disponível no Amazon Prime Video).

Extraordinárias vidas comuns

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 


Quando falamos em história, é comum pensarmos em imperadores, reis, nobres e generais. Apesar de quase um século de grandes transformações historiográficas inauguradas pela Escola dos Annales, o peso da historiografia positivista ainda é sentido. Os historiadores da corrente inaugurada por Leopold von Ranke e Barthold Niebuhr recorriam apenas a fontes escritas e oficiais, tratavam apenas de temas políticos e militares e não se descolavam da "curta duração". No afã por escrever uma história neutra, acabaram reforçando o papel das elites e o estigma social dos menos favorecidos.

Mas as pessoas comuns são extraordinárias. Como afirmou G. K. Chesterton, "a coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns." Não é por terem deixado menos fontes ao longo do tempo - ou terem sido menos preservadas, uma vez que a prioridade normalmente foi guardar a memória da elite - que não valha a pena o esforço por estudar as pessoas simples. Um dos historiadores citado em vários posts aqui no blog, Martin Gilbert, sempre deu voz a essas personagens - seja em sua obra sobre a história do século XX, sobre a Segunda Guerra Mundial ou sua história de Israel.

Se você, assim como eu, vive uma vida comum, alegre-se. Muitos poderosos invejam uma vida no anonimato - de Diocleciano (leia aqui) a Nikolai Romanov (o último czar russo, após a abdicação; testemunhas disseram que ele nunca fora tão feliz, cuidando da sua família, longe do poder). Os nossos dias passam-se demasiado rapidamente para que possamos nos dar ao luxo de não aproveitá-los intensamente.