“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

As Formas de Governo | Prof. Nogueira

domingo, 31 de julho de 2022

 

Decálogo Conservador para as Eleições

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Principalmente em períodos de eleições, é comum sermos indagados acerca das nossas peferências políticas. Ora, mais importante do que nomes, são os projetos e as ideias. Eles serão priorizados de acordo com as visões de mundo de cada um. A fim de fornecer alguns elementos para aqueles que se identificam com o conservadorismo, que é a minha disposição pessoal, apresentarei dez princípios que busco nos candidatos a cargos eletivos no Brasil:    

I. Ser conservador, o que significa uma defesa instransigente da vida, da liberdade e da propriedade privada - os direitos naturais, segundo John Locke. Além disso, o candidato estará comprometido com os valores e as instituições tradicionais ligados à moral judaico-cristã, como a família e as organizações da sociedade civil.

II. Ser ficha limpa, e preferencialmente não responder a processos judiciais. 

III. Ser humilde, acessível e trabalhador.

IV. Rejeitar os recursos dos fundos partidário e eleitoral, empenhando-se para extinguir essa infâmia do sistema político brasileiro.

V. Ser minimamente coerente e leal do ponto de vista partidário. É verdade que, no Brasil, os partidos políticos frequentemente mais se assemelhem a máfias ou, nas palavras de um comentarista político, a "lojinhas", controladas por caciques e sem programas ou identidade claros. Porém, na medida do possível, o político sério procurará se manter num determinado partido, ou mudará só quando for estritamente necessário, evitando o troca-troca partidário tão comum na República brasileira. 

VI. Caso seja um aspirante ou ocupante de um cargo legislativo, comprometer-se mais em fiscalizar o Executivo e revogar as leis inúteis do que criar novas leis. Sua meta será sempre reduzir a burocracia e as regulações desnecessárias.

VII. Não ser populista, e nem fazer promessas mirabolantes ou inexequíveis.

VIII. Ser leal ao voto dos seus eleitores, cumprindo seu mandato até o fim.

IX. Governar ou representar os eleitores no Poder Legislativo de forma austera, abrindo mão de regalias, tais como: carros oficiais, motoristas, planos de saúde, diárias, parte dos assessores e da verba de gabinete, etc.

X. Rejeitar o carreirismo político. No máximo, buscar apenas uma reeleição no mesmo cargo, e promover o debate sobre o recall.

Os Piores Inimigos da Liberdade

domingo, 24 de julho de 2022

  

Alexander Hamilton (1755-1804)

"Partindo da liberdade ilimitada", escreveu Fiódor Dostoiévski (1821-1881), "chego ao despotismo ilimitado". Os piores inimigos da liberdade duradoura para todos podem ser as pessoas que exigem incessantemente mais liberdade para si mesmos. Isso é verdade no caso da economia de um país, bem como em outros casos. O sucesso econômico dos Estados Unidos baseia-se no antigo fundamento de hábitos morais, costumes e convicções sociais, muita experiência histórica e um entendimento político escorado no senso comum. A estrutura de livre empresa deve muito ao modo conservador de compreender a propriedade e a produção, exposto por Alexander Hamilton (1755-1804) - o adversário dos libertários da época. A estrutura norte-americana de livre empresa não deve absolutamente nada ao conceito destrutivo de liberdade que devastou a Europa ao longo da era da Revolução Francesa - isto é, a ruinosa e impossível liberdade pregada por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Os libertários do século XX são discípulos da noção de natureza humana e das doutrinas políticas rousseaunianas.    

KIRK, Russell. A Política da Prudência. Tradução de Gustavo Santos e Márcia Xavier de Brito. São Paulo: É Realizações, 2013, p. 231. 

A Tirania das Minorias nos EUA

quarta-feira, 13 de julho de 2022

 

As Grandes Minorias, Brasil Paralelo, 2020.


(...) Os Estados Unidos não sofrem hoje em dia do que Alexis de Tocqueville temia, "a tirania da maioria"; ao contrário, os Estados Unidos penam sob a tirania das minorias - mas de minorias gressivas, intolerantes, endinheiradas e gerenciadas com inteligência. Refiro-me à minoria feminista, à minoria militante negra, à minoria dos direitos sociais, à minoria dos fabricantes de armas, à minoria das fusões industriais, à minoria da estigmatização da África do Sul, à minoria sionista, à minoria homossexual, à minoria dos direitos dos animais. Coerentes e vingativos, esses grupos afirmam possuir o poder de eleger e depor membros do Congresso - que muitas vezes são criaturas tímidas, ainda que barulhentas. Portanto, os impulsos e preconceitos conservadores do grande público norte-americano são frequentemente ignorados pelas maiorias no Congresso e nas câmaras legislativas estaduais, sem falar no Poder Executivo.   

KIRK, Russell. A Política da Prudência. Tradução de Gustavo Santos e Márcia Xavier de Brito. São Paulo: É Realizações, 2013, p. 218-219. 

Lições da Economia Desumana

domingo, 3 de julho de 2022

 

Em 2013, Detroit decretou falência. Até então, essa foi a maior falência de uma cidade dos Estados Unidos. 

Detroit, a cidade que conheço melhor, idolatrou o grande deus da eficiência. Ao longo de minha vida, Detroit produziu extraordinárias riquezas em bens e serviços. Contudo, a cidade é um fracasso social, como a maioria das outras cidades norte-americanas. Outrora chamada de "o arsenal da democracia", hoje em dia, Detroit, transformada em uma cidade arruinada e ingovernável, tem sido, no mais das vezes mencionada como "a capital de assassinatos dos Estados Unidos". No famoso romance de Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), Voyage au Bout de la Nuit [Viagem ao Fim da Noite], de 1932, o percurso termina em Detroit.

Na chocante degradação dessa grande cidade, podemos notar as consequências de uma economia desumana - determinada a obter a máxima eficiência produtiva, mas alheia à ordem pessoal e à ordem pública. É claro que os fabricantes de automóveis de Detroit, nos primeiros anos de produção, não tinham noção de quais seriam os efeitos pessoais e sociais daquela ordem industrial extremamente bem-sucedida; ninguém tinham essa noção. No entanto, ainda parecem ignorar ou mesmo ficar indiferentes a tais infelizes consequências, desde que os lucros continuem a ser registrados.

Minha argumentação é a seguinte: a não ser que comecemos a pensar em humanizar a economia norte-americana, as cidades continuarão a se desintegrar, e o povo norte-americano ficará cada vez mais entediado e violento. Algumas autoridades estão começando a entender que a natureza humana pode revoltar-se por terem sido impostas à humanidade proporções tão desumanas. O fracasso do sistema de moradia popular baseado em edifícios de grande porte, numa infinidade de cidades, é uma ilustração dessa dura verdade. Em Newark, New Jersey - cidade ainda mais degrada do que Detroit, se é que isso seja concebível - as Scudder Homes, um monólito de "moradias" de treze andares, foi demolido com explosivos de alta potência, pois a vida se havia tornado intolerável para os habitantes de baixa renda do lugar. Casas geminadas, de dois ou três andares, estão sendo construídas no lugar dos edifícios: uma reação saudável ao coletivismo anônimo das moradias populares.   

KIRK, Russell. A Política da Prudência. Tradução de Gustavo Santos e Márcia Xavier de Brito. São Paulo: É Realizações, 2013, p. 198-199.