sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Quando falamos em história, é comum pensarmos em imperadores, reis, nobres e generais. Apesar de quase um século de grandes transformações historiográficas inauguradas pela Escola dos Annales, o peso da historiografia positivista ainda é sentido. Os historiadores da corrente inaugurada por Leopold von Ranke e Barthold Niebuhr recorriam apenas a fontes escritas e oficiais, tratavam apenas de temas políticos e militares e não se descolavam da "curta duração". No afã por escrever uma história neutra, acabaram reforçando o papel das elites e o estigma social dos menos favorecidos.
Mas as pessoas comuns são extraordinárias. Como afirmou G. K. Chesterton, "a coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns." Não é por terem deixado menos fontes ao longo do tempo - ou terem sido menos preservadas, uma vez que a prioridade normalmente foi guardar a memória da elite - que não valha a pena o esforço por estudar as pessoas simples. Um dos historiadores citado em vários posts aqui no blog, Martin Gilbert, sempre deu voz a essas personagens - seja em sua obra sobre a história do século XX, sobre a Segunda Guerra Mundial ou sua história de Israel.
Se você, assim como eu, vive uma vida comum, alegre-se. Muitos poderosos invejam uma vida no anonimato - de Diocleciano (leia aqui) a Nikolai Romanov (o último czar russo, após a abdicação; testemunhas disseram que ele nunca fora tão feliz, cuidando da sua família, longe do poder). Os nossos dias passam-se muito rapidamente para que possamos nos dar ao luxo de não aproveitá-los intensamente.



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