“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

#HJ35 Goebbels visita uma escola

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

 

Goebbels, quando era ministro de propaganda nazista, visitou uma escola secundária alemã antes da expulsão dos judeus. Durante a visita avisou que daria um prêmio ao estudante que lhe sugerisse o melhor slogan para a Alemanha. Um dos estudantes sugere:

- Alemanha acima de tudo.

- Muito bem - diz Goebbels. - Quem mais quer sugerir outra frase?

Outro estudante se levanta:

- Nosso povo viverá eternamente.

- Excelente! Mereces o prêmio. Como é teu nome?

- Abraham Goldstein.

FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 177.

#HJ34 Humor sobre o Antissemitismo

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

 

Der Stürmer, nº 29, julho de 1934.

No humor sobre o antissemitismo encontra-se, frequentemente, uma combinação única de esperança, ironia e ceticismo. No caso do nazismo, este humor torna-se dilacerante, devido à tragédia que envolve. No Gueto de Varsóvia contavam-se até piadas sobre Hitler, que recebeu o codinome de Horowitz.


Altman e sua secretária estavam sentados num café em Berlim, em 1935.

- Herr Altman - diz a secretária -, vejo que o senhor está lendo o Der Stürmer! Não consigo entender por que o senhor anda com esse folhetim de propaganda nazista. Será que o senhor é masoquista ou, Deus o livre, um desses judeus que sofre de auto-ódio?

- Ao contrário, Frau Epstein! Quando eu costumava ler os jornais judaicos eu só ficava sabendo de pogroms, tumultos na Palestina e assimilação na América. Agora que leio o Der Stürmer, fico sabendo muito mais: que os judeus controlam todos os bancos, que dominamos o mundo das artes e que estamos prestes a conquistar todo o planeta. Sabe, isso faz com que eu me sinta muito melhor!

FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 176.  

#HJ33 Humor Judaico Húngaro

domingo, 29 de dezembro de 2024

O humor judaico húngaro está a meio caminho entre a ingenuidade do humor dos alemães e a picardia do humor dos judeus da Europa Oriental.


Em seu sermão semanal, o rabino consola seus paroquianos, assegurando-lhes que os pobres terão grandes riquezas no Além e adverte que os ricos de que lá serão mendigos.

Antes de retirar-se, um homem se aproxima e lhe diz:

- Rabino, sou um mendigo e o senhor um homem rico. Façamos um trato. O senhor me faz um empréstimo de mil moedas de ouro e eu, no Além, quando for rico, lhe devolverei em dobro. Para o senhor será bastante, já que será a sua vez de ser pobre lá.

- Não posso fazê-lo - diz o sábio -, pois com tua habilidade serias capaz de fazer uma grande fortuna, com o que, no Além, tornarias a ser mendigo. Como ficaria meu empréstimo? 

FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 174-175.  

#HJ32 O Humor de Einstein

sábado, 28 de dezembro de 2024

 

Albert Einstein (1879-1955) ficou famoso não só por sua Teoria da Relatividade, como também por seus escritos humanísticos (sobre ciência, religião, economia, direitos humanos, judaísmo) aos quais não faltava um toque de humor.

"Se a minha Teoria da Relatividade for comprovada, a Alemanha afirmará que sou alemão, e a França proclamará que sou cidadão do mundo. Mas se a teoria estiver errada, a França dirá que sou alemão, e a Alemanha declarará que sou judeu."
(Pronunciamento na Sorbonne)

***

"Quando a estupidez tem a maioria, ela é duradoura. O terror de sua tirania, contudo, é aliviado pela falta de consistência." Aforismo da publicação em homenagem ao 80º aniversário de Leo Baeck - 1953

FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 170-171.  

#HJ31 O Humor de Israel Zangwill

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Israel Zangwill (1864-1926) viveu em Londres, e foi um dos principais autores judeus de língua inglesa, celebrizando-se por seu humor e sua ironia. Dele conta-se que estando num elegante jantar, sentado ao lado de uma matrona muito bem vestida, sentiu-se cansado e, sem querer, bocejou na cara da dama que estava ao seu lado. Desconcertada, ela lhe disse:

- Peço-lhe tomar cuidado com seus modos judaicos. Me assustei. Pensei que ia me engolir.

- Não tenha medo, minha senhora - lhe respondeu Zangwill - , minha religião o proíbe.

FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 161.  

Os mais bravos de todos os homens

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

LIVRO VII

CIV. "Senhor" - volveu Demarato -, "eu já sabia, a começar a falar, que a verdade não vos agradaria; mas, forçado a dizê-la, apresentei os espartanos tal como são. Não ignorais, senhor, o quanto os detesto atualmente, a eles que, não satisfeitos de me privar das honras e dos privilégios que me foram legados por meus pais, baniram-me da minha pátria. Vosso pai acolheu-me bondosamente, deu-me uma casa e cumulou-me de riquezas. Não é crível, portanto, que um homem sensato e justo responda com ingratidão aos benefícios recebidos. Não me ufano de poder lutar contra dez homens, nem mesmo contra dois, e jamais, por minha própria vontade, me bateria contra um apenas. Mas, se fosse necessário, se a isso me visse forçado por qualquer contingência, lutaria com a maior boa vontade com qualquer desses homens que se consideram capazes de resistir, cada um deles, a três gregos. O mesmo sucede com os lacedemônios. Num combate de homem para homem não são inferiores a ninguém, e, reunidos num corpo de exército, são os mais bravos de todos os homens. Na verdade, embora livres, não o são da maneira que imaginais. A lei é, para eles, um senhor absoluto, e não a temem menos que os vossos súditos a vós. Obedecem aos seus ditames, às suas determinações, que são ordens, e essas ordens impedem-nos de fugir diante do inimigo, qualquer que seja o seu número, e obriga-os a manterem-se firmes no seu posto, a vencer ou morrer. Se o que vos digo vos parece destituído de senso, guardarei, de agora em diante, silêncio sobre tudo o mais. Falei apenas em obediência às vossas ordens. Possa, senhor, esta expedição ser bem-sucedida, segundo os vossos desejos."

HERÓDOTO. História. Estudo crítico de Vítor de Azevedo e tradução de J. Brito Broca. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, p. 335.

Pausânias e a Honra dos Espartanos

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Busto de Pausânias, rei de Esparta vitorioso em Plateia (479 a.C.). 
 

LIVRO IX

LXXVII. Lampo, filho de Piteias, o cidadão mais ilustre de Egina, então no acampamento dos eginetas em Plateia, vendo-se assaltado por um pensamento ímpio, foi à procura de Pausânias e disse-lhe: "Filho de Cleômbroto, praticastes uma proeza admirável pela sua grandeza e pelo seu alcance. Libertando a Grécia, os deuses vos concederam uma glória jamais alcançada por nenhum dos gregos que conhecemos. Concluí a vossa obra, para que a vossa reputação se torne ainda maior e os bárbaros receiem, daqui por diante, praticar ações criminosas contra povos ciosos da sua liberdade. Quando Leônidas tombou gloriosamente nas Termópilas, Mardônio e Xerxes mandaram cortar-lhe a cabeça e dependurar-lhe o corpo num poste. Tratando Mardônio da mesma maneira, sereis louvado não só pelos espartanos, como pelo resto dos gregos, porquanto estarei vingando Leônidas, vosso tio pelo lado paterno." Foi essa a sugestão que fez Lampo a Pausânias, julgando que este a aprovaria.

LXXVIII. "Meu amigo de Egina - replicou Pausânias - estimo a tua benevolência, assim como sempre estimei a tua maneira prudente de agir; mas a tua sugestão é contrária à justa razão. Depois de enalteceres a mim, a minha pátria e as minhas ações, tu me rebaixas, considerando-me capaz de ultrajar um morto, e acrescentas que, assim agindo, minha reputação aumentará. Semelhante conduta é mais própria dos bárbaros do que dos gregos, e nós mesmos costumamos censurá-los por assim agirem. Não permitam os deuses que eu seja levado, por esse preço, a satisfazer os eginetas e os que aprovam semelhante procedimento. Basta-me merecer a estima dos espartanos, não praticando ações que me pareçam impróprias ou desonestas. Quanto a Leônidas, que queres que eu vingue, penso que ele já foi suficientemente vingado e que sua memória tira o seu maior esplendor daquela legião de mortos que ficou nas Termópilas. Peço-te, pois, que não te dirijas mais a mim para dar-me semelhantes conselhos." Ante essa réplica, Lampo retirou-se, sem mais nada dizer.

HERÓDOTO. História. Estudo crítico de Vítor de Azevedo e tradução de J. Brito Broca. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, p. 430-431.