quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Origens
Os Piliers de Tutelle eram um monumental edifício da Burdigala romana, construído provavelmente entre o final do século II e o século III d.C., durante a dinastia dos Severos. Durante muito tempo, sua função exata foi objeto de discussão entre os historiadores e arqueólogos.
O edifício possuía 30 metros de comprimento, 20 metros de largura e cerca de 26 metros de altura. Era constituído por 24 grandes colunas coríntias, dispostas sobre um amplo embasamento. Sobre as colunas havia um arquitrave e um sistema superior de arcadas decorado com numerosas figuras escultóricas, incluindo cariátides.
Durante séculos, acreditou-se que se tratava de um templo. Pesquisas arqueológicas mais recentes, entretanto, modificaram algumas interpretações sobre sua função e configuração. Ele pode ter sido parte monumental do fórum ou outro edifício público.
Da sobrevivência à demolição
Os Piliers de Tutelle permaneciam extraordinariamente visíveis no tecido urbano de Bordeaux, em pleno século XVII. Grande parte das construções romanas da cidade, em contraposição, havia desaparecido ou sido incorporada às edificações posteriores.
Entre 1648 e 1653, Bordeaux participou da Fronde. Quando o rei Luís XIV consolidou o seu poder, o Château Trompette adquiriu importância muito maior, sendo instrumento de controle da cidade.
Nesse sentido, o rei decidiu ampliar e fortalecer o Château Trompette. Para que uma fortificação de artilharia funcionasse adequadamente, era necessário criar uma ampla área aberta ao redor das muralhas (o glacis). Como existiam várias construções nessa área, incluindo os Piliers.
Assim, em 1677, por ordem de Luís XIV, os Piliers de Tutelle foram demolidos para liberar espaço para o glacis do Château Trompette. O episódio revela um traço importante do Estado absolutista francês: sob a justificativa da segurança e da autoridade, ele se via no direito de produzir uma transformação profunda do espaço urbano.
Atualmente, os Piliers de Tutelle praticamente desapareceram da paisagem de Bordeaux. Alguns fragmentos arquitetônicos sobreviveram e são conservados no Musée d'Aquitaine.

