segunda-feira, 20 de setembro de 2021
Historia magistra vitae est. Cícero (106-43 a.C.)
A Festa da Páscoa, 1464-67, óleo sobre painel de Dieric Bouts (c. 1415-1475).
"É verdade que os judeus da Idade Média frequentemente moravam nas proximidades da sinagoga, mas não residiam em um gueto fechado. E os bairros judeus também costumavam ficar bem perto da catedral e dos mercados da cidade. Os contatos com o mundo cristão não eram raros no móvel da vida cotidiana, e em certos lugares iam além das meras relações comerciais. Muitos judeus tinham conhecimento dos costumes e práticas cristãs, assim como alguns cristãos o tinham dos costumes e práticas judaicas. E, embora as duas comunidades rejeitassem a religião da outra, havia uma transferência subliminar de influência. Os costumes judaicos para o início do ano letivo nas escolas se assemelhavam às práticas cristãs, alguns temas litúrgicos dos cruzados entraram com leves modificações nas crônicas dos mártires judeus, e o culto dos lugares santos era parecido nas duas religiões. O Sêfer hassidim, o livro mais importante para os pietistas judeus alemães do século XIII - os Hassidê Ashquenaz - , estava repleto de polêmicas anticristãs, mas ao mesmo tempo dava testemunho de numerosos contatos entre os judeus e os cristãos."
BRENNER, Michael. Breve História dos Judeus. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013, p. 102-103.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em agosto de 1789, na França, transformou radicalmente as relações políticas e sociais existentes até então. Suas ideias, e muitos valores presentes no processo revolucionário como um todo, influenciaram diversos outros povos ao redor do mundo. A noção de igualdade, especialmente perante a lei e a Justiça, era algo inteiramente novo e transformador na França do século XVIII.
A partir dessas informações, produza um texto dissertativo-argumentativo, levando em consideração as seguintes questões:
- Durante a Revolução Francesa, as aspirações de liberdade e igualdade levaram a excessos que, em última análise, tornaram a vida dos franceses ainda pior do que sob o Antigo Regime. Explique como isso se deu.
- A noção de igualdade perante a lei existe em nossa Constituição? Na prática, na sociedade brasileira, todos são tratados de forma igual, independentemente da posição social, cargos ou poder aquisitivo?
- Assim como durante a fase mais radical da Revolução Francesa, também corremos o risco de perder nossa liberdade e demais direitos em nome de ideais ou circunstâncias "maiores" (crises, pandemias, emergências climáticas, etc.)? Explique.
Uriel da Costa (Gabriel da Costa Fiuza)
Porto, 1585 - Amsterdã, 1640
Uriel da Costa ocupou um alto cargo administrativo em Portugal. Em 1616, retornou ao judaísmo em Hamburgo. Mudou-se, a seguir, para Amsterdã, a fim de praticar abertamente a sua religião. Ali, acabou por entrar em colisão com a comunidade judaica, e isso é muito revelador do abismo que separa a insistência da comunidade na estrita observância das normas judaicas e uma geração de marranos que havia crescido fora da tradição.
Da Costa se formara em um ambiente cristão e não tivera nem acesso à educação formal judaica nem a oportunidade de estudar as fontes textuais do judaísmo. Para ele, as interpretações rabínicas e talmúdicas não tinham sentido; seu judaísmo era derivado diretamente da Bíblia. Quando ele confessou isso abertamente, a comunidade o excomungou em uma cerimônia humilhante. Ele teve de se prostrar à porta da sinagoga enquanto os que entravam pisavam sobre o seu corpo. Enquanto a excomunhão era recitada, todas as velas da sinagoga foram apagadas, como se a própria vida do herege estivesse sido extinta.
O contato com outros judeus, quer por motivos particulares, quer por relações comerciais, era proibido aos excomungados. Da Costa se arrependeu e foi readmitido pela comunidade, mas não conseguiu compatibilizar isso com sua consciência e suicidou-se logo depois.
Pouco antes de se matar, Da Costa escreveu um estudo autobiográfico em que reafirmava tudo o que quisera era guardar os mandamentos de Moisés, e declarava novamente sua convicção de que a comunidade havia se afastado do judaísmo bíblico por meio das inovações agregadas à fé original.
Adaptado de BRENNER, Michael. Breve História dos Judeus. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013, p. 119-120.
"É verdade que a maior parte da criatividade cultural dos judeus espanhóis ocorreu sob domínio muçulmano, mas a distinção usual que se faz entre uma tolerante sociedade muçulmana e uma intolerante sociedade cristã é excessivamente simplista. Não só sob a dominação cristã, mas também sob a muçulmana, os judeus podiam ser encarados quer de modo amistoso, quer de modo hostil."
BRENNER, Michael. Breve História dos Judeus. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013, p. 80-81.