quinta-feira, 28 de maio de 2026
Embora os portugueses estivessem convencidos de que as operações voltadas contra eles no mar Vermelho e no litoral da Índia no início do século XVI eram o resultado de uma grande aliança orquestrada por Veneza, na verdade os egípcios precisavam de pouco incentivo para tentar impor controle sobre as próprias rotas marítimas. A visão do aumento do número de navios portugueses fora mal recebida, entre outras coisas porque os recém-chegados eram muito agressivos. Em certa ocasião, o próprio Vasco da Gama capturou um navio com centenas de muçulmanos voltando para a Índia após a peregrinação a Meca. Ignorando as desesperadas e generosas ofertas daqueles a bordo de pagar um resgate, ordenou que o navio fosse incendiado, num ato tão grotesco que um observador admitiu: "Vou lembrar do que aconteceu todo santo dia da minha vida." As mulheres mostravam suas joias para implorar misericórdia, em meio às chamas ou na água, enquanto outras erguiam seus filhos para tentar salvá-los. Vasco da Gama observou impassível, "cruelmente, sem nenhuma piedade", até o último passageiro e membro da tripulação se afogar diante de seus olhos.
FRANKOPAN, Peter. O Coração do Mundo: Uma nova história universal a partir da Rota da Seda, o encontro do Oriente com o Ocidente. Tradução de Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta, 2019, p. 256.



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