“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália

Charles Courtney Curran (1861-1942)

sábado, 23 de junho de 2018

Treliça Verde foi o título escolhido pelo pintor americano Charles Courtney Curran (1861-1942) para o quadro acima. Muitas de suas pinturas foram pintadas ao ar livre e exibem mulheres modernas bem vestidas. Ele experimentou grande variedade de estilos artísticos, incluindo impressionismo, simbolismo, tonalismo e naturalismo.  

Kahoot!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O Kahoot! é uma plataforma interativa que permite realizar atividades interativas entre a plateia e o orador (normalmente, um professor). Há alguns anos, tenho utilizado essa plataforma para avaliar os alunos, e a experiência tem sido sensacional. 

Aprenda Como utilizar o Kahoot!

Na próxima segunda-feira (25/06), usarei a plataforma com os alunos dos nonos anos e do Ensino Médio do CAV. Dentre os temas, as guerras mundiais (para os nonos), o regime militar e a China contemporânea (para o 3º ano). Até lá!  

Piramidologia

quinta-feira, 21 de junho de 2018

A Esfinge, no primeiro plano, e a pirâmide de Quéops, também conhecida como a Grande Pirâmide. Planalto de Gizé, Egito.

A piramidologia é um dos ramos da egiptologia mais atraentes para os estudantes e para o público em geral. Trata-se, por outro lado, de uma área egiptológica que é muito propícia a devaneios de "especialistas" avulsos e de perscrutadores deletérios do oculto. 

As pirâmides começaram por ser votadas ao abandono ainda mesmo no Império Antigo. Uns 500 anos depois do reinado de Khufu ou Quéops (2551-2528 a.C.), o templo da sua pirâmide, bem como os templos dos seus sucessores, já haviam perdido os seus relevos. Alguns blocos e outras partes foram usados na construção da base da pirâmide de Amenemhat I (1976-1947 a.C.), da XII dinastia, e a própria pirâmide deste rei foi posteriormente abandonada, ainda antes do Império Novo, tal como as dos outros monarcas do Império Médio. As pirâmides passaram a ser vistas como relíquias do passado - as suas pedras foram reutilizadas para a construção de outros edifícios e os seus templos ficaram em ruínas. Apesar disso, os nomes e a sequência dos faraós que as construíram eram conhecidos através das listas reais. 

Por vezes, os próprios egípcios fizeram tentativas para recuperar os veneráveis monumentos dos antepassados. Khaemuaset, por volta de 1250 a.C., filho de Ramsés II (1279-1213 a.C.), e sumo sacerdote de Ptah no templo da Esfinge em Mênfis, parece ter realizado algum trabalho de restauro nas pirâmides de Sakara e de Abusir, das V e VI dinastias, bem como noutros túmulos do Império Antigo.

Bibliografia consultada: ARAÚJO, Luís Manuel de. O Egito Faraônico - uma civilização com três mil anos. Revisão de Raul Henriques. Lisboa: Arranha-céus, 2015, p. 298-299.

Mapa Mental da Segunda Guerra Mundial

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Graças à aluna Ana Elisa C. dos Santos, eu tenho a satisfação de disponibilizar um mapa mental relativo à Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Trata-se de uma ferramenta muito interessante para a revisão dos conteúdos relativos ao maior conflito da história.  

Para acessá-lo, basta clicar aqui.

Mal dos Séculos: a Tuberculose

terça-feira, 19 de junho de 2018

A bactéria da tuberculose (no caso a M. tuberculosis) foi descoberta e vista em 1882, na Alemanha, por Robert Koch. Trata-se da única bactéria a pertencer a um gênero e a uma espécie, apesar de ter sofrido mutações que diferenciam suas sequências de DNA. As alterações são pequenas e não mudam o comportamento agressivo da doença. Durante a evolução, a bactéria sofre mutações no DNA e seus descendentes originam exércitos geneticamente diferentes apesar de serem da mesma espécie. Alguns podem ser mais agressivos, outros mais resistentes aos antibióticos. Comparando as diferenças do DNA, podemos isolar tipos diferentes de bactérias. 

Pesquisadores obtiveram centenas de amostras de bactérias em tuberculosos nas ilhas de Cuba, Haiti, Martinica e Guadalupe. Recolheram as impressões digitais do DNA dessas bactérias e as compararam com famílias bacterianas presentes em outras regiões. As mesmas famílias de microrganismos dessas ilhas foram encontradas no Mediterrâneo, na África e nos Estados Unidos. As famílias da bactéria da tuberculose presentes hoje no Caribe vieram, provavelmente, com europeus durante a colonização e com africanos durante a escravidão. A extensão dos estudos mostrou que há uma coincidência do DNA dos tipos de bactérias de tuberculose da Europa com os dos Estados Unidos, com regiões do Caribe e com a América do Sul. 

Essa foi a segunda onda de tuberculose no continente. Há na América tipos específicos de bactérias. Elas descendem, provavelmente, das bactérias de tuberculose que aqui vieram com os primeiros homens que atravessaram o Estreito de Bering, no início da ocupação do nosso continente. 

Estudos genéticos também mostram que bactérias da tuberculose transitaram pelo Oceano Índico. O tráfico de escravos e o comércio também a levaram para regiões distantes, como sudeste asiático, províncias chinesas e litoral africano. A partir da segunda metade do século XVIII, época da Revolução Industrial, os cortiços ingleses com seus trabalhadores depauperados e mal alimentados da época da  disseminaram o mal. 

No século XIX, os projetos colonizadores imperialistas na África e na Ásia levaram a M. tuberculosis e outras bactérias a terras distantes. Nessa época, poetas românticos como Castro Alves e Álvares de Azevedo, no Brasil, e John Keats e Lord Byron, na Europa, morreram tuberculosos. No alvorecer do século XX, a tuberculose era uma das principais causas de morte por doença infecciosa. A bactéria da tuberculose foi globalizada pelo homem.         

Bibliografia consultada: UJVARI, Stefan Cunha. A História da Humanidade contada pelos vírus, bactérias, parasitas e outros microrganismos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013, p. 160-164. 

Saiba mais a partir de uma reportagem da Super.

A Pandemia da Gripe Espanhola (1918)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Vítimas da gripe espanhola num acampamento de Funston, Kansas, EUA. Fotografia de 1918, do Exército dos Estados Unidos. 

Em 1918, no último ano da Primeira Guerra Mundial, disseminou-se uma das piores pandemias de gripes da história. Originada na América ou na Ásia, ela alastrou-se rapidamente pela Europa, graças à guerra. 

A primeira onda de infectados foi passageira e ocorreu no primeiro semestre de 1918. No final de agosto, porém, as consequências foram bem mais graves. O vírus disseminou-se por todo o planeta, explodindo o número de casos. Uma embarcação de Liverpool com escalas em Recife, Salvador e Rio de Janeiro foi a provável responsável pela introdução da gripe espanhola no Brasil. Uma das vítimas brasileiras mais conhecidas foi Rodrigues Alves, um ex-presidente (governara entre 1902 e 1906) que voltou a vencer as eleições presidenciais, em 1918. Apesar da vitória, não tomou posse em novembro daquele ano por estar doente. Ele faleceu em janeiro de 1919. 

Definitivamente, o vírus da gripe espanhola não foi um vírus banal. Era um vírus recém-criado e recém-entrado no organismo dos seres humanos e, por ser desconhecido, não existiam as defesas necessárias para evitar tamanha mortandade. 

Os países em guerra dificilmente admitiriam que seus exércitos estavam sendo dizimados pelo vírus da gripe. Graças ao estado de sítio, que permitia a censura mesmo em nações democráticas beligerantes, dados sobre os militares mortos pela gripe eram omitidos. A epidemia foi então atribuída a uma nação neutra na guerra - razão pela qual ficou conhecida como "gripe espanhola". 

Numa estimativa modesta, em todo o mundo, cerca de 20 milhões de pessoas morreram vítimas de uma gripe muito mais letal do que as conhecidas até então. Para outros pesquisadores, os mortos atingiram os 40 milhões. Em todo caso, na Índia morreram cinco milhões de infectados pelo vírus. Na Inglaterra e no País de Gales, morreram cerca de 200 mil pessoas. Nos Estados Unidos, foram meio milhão de vítimas, sendo que boa parte delas foram militares acampados de prontidão para serem enviados aos campos de batalha europeus. Povoados de esquimós tiveram mais da metade de seus habitantes mortos pela gripe. 

No final do século XX, um grupo de cientistas conseguiu recuperar pedaços de pulmão de cinco vítimas da gripe espanhola - um esquimó, dois soldados americanos e duas vítimas que passaram seus últimos dias agonizantes em um hospital de Londres. Após o fim da pandemia, foi inventado o microscópio eletrônico e, graças a ele, a silhueta do vírus foi visualizado pela primeira vez. 

A seguir, os pesquisadores sequenciaram o RNA do vírus e revelaram que o vilão da devastadora pandemia do final da Primeira Guerra Mundial foi o H1N1. Seu material genético apresenta semelhanças com o tipo de influenza encontrado em porcos e também em aves.          

Bibliografia consultada: UJVARI, Stefan Cunha. A História da Humanidade contada pelos vírus, bactérias, parasitas e outros microrganismos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013, p. 143-145.

O Papel da Imprensa na Atualidade

domingo, 17 de junho de 2018

No mundo democrático, a liberdade de imprensa é um dado inegociável. Qualquer tentativa de restringi-la deve ser rejeitada enfaticamente. O papel da imprensa livre sempre será crucial na fiscalização do poder público, na investigação de crimes, na denúncia de mazelas sociais. Que os jornais, revistas e emissoras de Tv e rádio tenham uma linha editorial, não deveria causar estranheza. Espera-se apenas que isso seja assumido abertamente, e que fatos não sejam jamais omitidos ou distorcidos. 

Se a imprensa deve ser livre, por outro lado, também é sagrado o direito à livre expressão, o que inclui criticar e expor as intenções e preferências editoriais dos diferentes setores da mídia. Os jornalistas não estão acima do bem e do mal. 

O que a Caneta Desesquerdizadora tem feito nas redes sociais é justamente isso (pesquise por @Desesquerdizada no Twitter; no Facebook, Caneta Desesquerdizadora). Recentemente, em resposta à iniciativa do Facebook que prevê a redução do alcance de conteúdos na rede social que sejam considerados incorretos por agência de "fact-checking", tomada por militantes de esquerda, os idealizadores da "Caneta" lançaram uma campanha de doações para criar uma empresa concorrente, a Agência Caneta. 

A ideia é obter recursos mensais para criar e manter uma agência profissional e apartidária de "fact-checking" que concorra com as atuais. Caso a campanha atinja o seu objetivo, a Agência Caneta terá um alcance muito superior às agências de "fact-checking" usadas atualmente pelo Facebook. E o trabalho como o que foi feito na análise da capa de Veja desta semana (acima) poderá prosseguir.

As doações para a criação da Agência Caneta podem ser feitas pelo Apoia.se