“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

O Julgamento Mais Injusto da História

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Jesus perante Pilatos (1881), óleo sobre tela de Mihály Munkácsy (1844-1900).

Neste feriado da "Sexta-Feira Santa", vamos refletir sobre o processo judicial mais injusto da história. Tanto no processo judaico quanto no romano ocorreram ilegalidades ou irregularidades durante o julgamento de Jesus de Nazaré e que foram consideradas contrárias à ordem legal constituída à época. Analisemos parte a parte do processo: 

PRISÃO
- À noite
- A lei romana exigia acusação formal
- Jesus não foi citado por nenhuma conduta delituosa que tivesse previsão em lei 

INTERROGATÓRIO E JULGAMENTO
- Ausência de separação entre acusador e julgador (Caifás era julgador e também fez as acusações)
- Nenhum juiz poderia ser aceito se fosse inimigo do acusado
- Submissão a interrogatório preliminar baseado em violência e coerção física
- O julgamento não foi público, mas ocorreu na madrugada
- O Mishná, leis orais judaicas compiladas anos mais tarde, determinava que os processos nos quais se julgasse a vida de um homem deveriam desenvolver-se à luz do dia, não estar o réu algemado e que a sentença deveria ser pronunciada antes do pôr do sol. O Talmude (outro compilado de leis judaicas) estabelecia penas contra todo juiz que prendesse ou permitisse a prisão/condenação de um inocente
- Induzimento de Caifás para que os demais componentes do Sinédrio (tribunal judaico) acreditassem na culpa de Jesus
- Presença de falsos testemunhos que foram ignorados pelo Sinédrio, em ofensa às leis da época, uma vez que a pena para o falso testemunho era a mesma que deveria ser aplicada ao delito atribuído ao réu
- A lei judaica proibia a acusação mediante traição (como Judas fez com Jesus)
- Processo se desenvolveu em local diverso do espaço próprio do tribunal destinado ao juízo criminal
- Ausência de defesa em favor de Jesus
- Interpretação do seu silêncio em desfavor dele mesmo, com induzimento da resposta pelo julgador que a subverteu
- O crime de blasfêmia não foi provado segundo os ritos previstos na legislação hebraica
- A lei mosaica (judaica) proibia a indução nos questionamentos. Havia uma vedação a perguntas que condenassem
- A legislação hebraica estabelecia que, na existência de votação unânime (no caso de condenação), o resultado sempre seria de absolvição
- A lei judaica previa pena de morte por lapidação, jamais por crucificação
- Os membros do tribunal judaico, o Sinédrio, tinham que ser notificados oficialmente. No julgamento de Jesus eles foram convocados com urgência e no meio da noite. E só compareceram na casa de Caifás parte deles, cerca de um terço do total de 70 membros 

CONDENAÇÃO E EXECUÇÃO
- A lei judaica não permitia a condenação por morte no mesmo dia do julgamento
- Pela norma de votação do Sinédrio, o tribunal judaico, quando se votava pela condenação, os membros tinham que ir para casa e retornar só no outro dia, para o segundo veredito. Só assim, quando ocorresse uma segunda decisão de condenação, ela podia ser mantida, o que não foi feito
- Não existia sentença formal contra Jesus
- Alteração da acusação contra Jesus pelo Sinédrio perante Pilatos. de blasfemador para revolucionário, instigador de insurreição contra a autoridade de Roma, incitador de desobediência e pregador contra o pagamento de tributos, forçando assim Pilatos a examinar a acusação contra Jesus, já que lhe era proibido subtrair-se de apurar acusações de conspiração contra Roma
- Predisposição dos julgadores em condenar Jesus
- Contra a sentença, cabia recurso para um órgão superior (Roma, no caso), mas não houve tempo, já que a crucificação foi executada a seguir à condenação

Fonte: Criminalistas, professores e juristas entrevistados para a reportagem de A Gazeta de hoje (19/04/2019), e livros sobre o julgamento de Jesus publicados por alguns deles.

Doc. 'Escravidão Islâmica em África'

terça-feira, 16 de abril de 2019

Os Primeiros Mártires Cristãos

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Nesta semana em que os cristãos lembram os acontecimentos relativos à morte de Jesus de Nazaré, é oportuno também refletir sobre os primeiros martírios de seus seguidores.

Doc. 'A Próxima Guerra na China'

domingo, 14 de abril de 2019

Homo luzonensis

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Ossos e dentes (vide acima) de um suposto novo membro do nosso gênero foram descobertos na ilha de Luzón, nas Filipinas. Por isso, foi batizado de Homo luzonensis; ele teria vivido há 67 mil anos. Assim, a lista de membros que habitavam a Terra nesse período passa de cinco conhecidos (neandertais, denisovanos, hobbits de Flores, erectus e sapiens) para seis. 

Os hobbits de Flores desapareceram há 50 mil anos, exatamente quando o Homo sapiens chegou à Àsia. O luzonensis seria um descendente do erectus que chegaram ao que hoje é a China ou, segundo outra hipótese, tanto os hominídeos de Luzón quanto os de Flores seriam descendentes de um antepassado comum que surgiu na ilha de Sulawesi. 

Fonte: El País  

Doc. 'História da Democracia'

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A Beleza de Uma Rua Despretensiosa

terça-feira, 9 de abril de 2019

Algumas cidades aprenderam que, ao se atualizarem, não precisam fazer tábula rasa do passado. A beleza do clássico e o arrojo da modernidade podem estar juntos.

"Muito do que é dito sobre a beleza e sobre sua importância em nossas vidas ignora a beleza mínima de uma rua despretensiosa, de um bom par de sapatos ou de um pedaço refinado de papel de presente; é como se essas coisas pertencessem a uma ordem de valor distinta da ordem de valor de uma igreja construída por Bramante ou de um soneto escrito por Shakespeare. Não obstante, essas beleza mínimas são muito mais importantes para nossa vida cotidiana do que as grandes obras que (se tivermos sorte) ocupam nossas horas de lazer; elas têm uma participação muito mais complexa em nossas decisões racionais. Fazem parte do contexto em que vivemos, e nosso desejo de harmonia, adequação e civilidade encontram nelas expressão e confirmação. Além disso, a beleza das grandes obras da arquitetura muitas vezes depende do contexto humilde que essas belezas inferiores viabilizam." 

SCRUTON, Roger. Beleza. Tradução de Hugo Langone. São Paulo: É Realizações, 2013, p. 20-21.