“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

Vultos do Ocidente

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Poucos indivíduos deixaram uma marca profunda ou mudaram o curso da História. Abaixo, segue uma lista de doze desses homens, particularmente importantes para a História do Ocidente (Gandhi, conquanto tenha sido um indiano, até hoje é uma inspiração para os pacifistas ocidentais e ele mesmo era um ocidentalizado). A seleção é ampla o suficiente para incluir desde pacifistas como Jesus e Gandhi, até tiranos abomináveis como Stalin e Hitler.

Sei perfeitamente o quão controverso é a elaboração de tais listas. Alguns historiadores defendem mesmo que elas nunca sejam criadas. Destaco que não pretendo desconsiderar a importância dos expoentes das civilizações orientais. Também não elevarei esses doze indivíduos à categoria de super-heróis, e nem ignoro a importância dos seus coetâneos. Escolhi-os simplesmente porque se destacaram como representativos da época em que viveram e, por isso, debrucei-me sobre as suas biografias (algumas delas eu já apresentei aqui no blog; basta clicar nos nomes destacados abaixo). 

Por fim, esclareço que ordem da relação segue estritamente um critério cronológico:   

1. Péricles (c. 495-429 a.C.) - a Idade de Ouro de Atenas 

2. Alexandre, o Grande (356-323 a.C.) -  o fundador de uma civilização 

3. Júlio César (100-44 a.C.) - a vida de um colosso 

4. Jesus de Nazaré (4 a.C. - 31 d.C.) - a plenitude dos tempos 

5. Carlos Magno (742-814) - a nostalgia do Império 

6. Michelangelo (1475-1564) - uma vida épica 

7. Martinho Lutero (1483-1546) - a verdade a qualquer preço 

8. Napoleão (1769-1821) - o sonho da Europa unida 

9. Gandhi (1869-1948) - a ambição nua

10 e 11. Stalin (1878-1953) e Hitler (1889-1945) - as faces do mal

12. Churchill (1874-1965) - um estadista para o Ocidente

Um Blog a Serviço de Todos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Já se passaram quase seis anos da criação deste blog. Desde o início, minha intenção foi a de difundir o conhecimento, despertar a curiosidade e formar apaixonados pela História. Felizmente, tenho colhido muitos frutos nesse período. Ontem, num grupo do WhatsApp, uma ex-aluna fez o comentário acima (detalhe: a imagem que lhe apareceu após fazer a pesquisa no Google é do post Soldados da Roma Antiga). 

Hoje, ao acessar o meu e-mail, tive outra surpresa feliz. Um "pai de família, conservador e cristão", o ilustre sr. Ismael Reghin Filho, postou um honroso comentário ao post Acervo anticomunista. Infelizmente, por uma limitação do Blogger, o comentário dele não aparece ao público, razão pela qual publico um print do mesmo abaixo. Faça-o à guisa de agradecimento:  
(Clique na imagem para melhorar a visualização)

Caro sr. Ismael, sinta-se livre para propagar o conhecimento que propago aqui. Este é um blog a serviço de todos.

A Grande Ficção

domingo, 15 de janeiro de 2017

«Um Pequeno Passo para a Liberdade»

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CAMPOS, Miguel Furian et. al. (Org.). Um pequeno passo para a liberdade. Instituto de Formação de Líderes de São Paulo, Instituto de Formação de Líderes de Belo Horizonte, Instituto Líderes do Amanhã de Vitória, 2016.
> A porção central da obra acima são as Seis Lições de Mises; baixe-as aqui.

Eis um presente de amigo que "devorei" nesta semana. Esse livro deveria ser distribuído aos quatro ventos, principalmente no Brasil, onde o indivíduo é cada vez mais esmagado por um Estado paquidérmico. 

A primeira parte da obra - de longe a melhor - é composta por seis palestras proferidas pelo economista Ludwig von Mises (1881-1973) em Buenos Aires, em fins de 1958. Judeu de nacionalidade austríaca, Mises foi um dos maiores economistas liberais do século XX, e é um dos mais estudados atualmente no Brasil.

Na primeira lição ("Capitalismo"), Mises explica que o livre mercado no mundo moderno, ao contrário de todos os sistemas socioeconômicos que lhe precederam, criou condições reais para a ascensão social e reduziu significativamente as desigualdades sociais. Assim, "hoje, nos países capitalistas, há relativamente pouca diferença entre a vida básica das chamadas classes mais altas e a das mais baixas: ambas têm alimento, roupas e abrigo. Mas no século XVIII, e nos que o precederam, o que distinguia o homem da classe média do da classe baixa era o fato de o primeiro ter sapatos, e o segundo, não." (p. 25)

Na segunda lição ("Socialismo"), eu destaco as seguintes citações:

"Quando há economia de mercado, o indivíduo tem a liberdade de escolher qualquer carreira que deseje seguir, de escolher o seu próprio modo de inserção na sociedade. Num sistema socialista é diferente: as carreiras são decididas por decreto do governo. Este pode ordenar às pessoas que não lhe sejam gratas, àquelas cuja presença não lhe pareça conveniente em determinadas regiões, que se mudem para outras regiões e outros lugares." (p. 32)

"A visão do governo como uma autoridade paternal, um guardião de todos, é própria dos adeptos do socialismo." (p. 34)

"Liberdade significa realmente liberdade para errar." (p. 35)

"Submetido ao planejamento governamental, o homem é como um soldado num exército. Não cabe a um soldado o direito de escolher sua guarnição, a praça onde servirá. Cabe-lhe cumprir ordens. E o sistema socialista - como o sabiam e admitiam Karl Marx, Lenin e todos os líderes socialistas - consiste na transposição do regime militar a todo o sistema de produção." (p. 39)

Na terceira lição ("Intervencionismo"), destaco a lúcida análise acerca da economia alemã sob o regime nazista: "Antes da ascensão de Hitler ao poder, o controle de preços foi mais uma vez introduzido na Alemanha pelo chanceler Brüning, pelas razões de costume. O próprio Hitler aplicou-o antes mesmo do início da guerra: na Alemanha de Hitler não havia empresa privada ou iniciativa privada. Na Alemanha de Hitler havia um sistema de socialismo que só diferia do sistema russo na medida em que ainda eram mantidos a terminologia e os rótulos do sistema de livre economia. Ainda existiam 'empresas privadas', como eram denominadas. Mas o proprietário já não era um empresário; chamavam-no 'gerente' ou 'chefe' de negócios (Betriebsführer)." (p. 54)

A grande lição do intervencionismo é que "sempre que se interfere no mercado, o governo é progressivamente impelido ao socialismo." (p. 57)

Na quarta lição ("Inflação"), Mises lembra que "não é o modo como o dinheiro é gasto, é antes o modo como é obtido pelo governo que dá lugar a essa consequência que chamamos de inflação (...)." (p. 63)

Na quinta lição ("Investimento Externo"), destaca: "Devemos nos dar conta de que em todos os países, exceto a Inglaterra, o investimento de capital de origem estrangeira sempre desempenhou um papel da mais considerável importância para a implantação de indústria modernas." (p. 81)

"Encerrado o glorioso período do século XIX, em que o capital estrangeiro fomentou, em todas as partes do mundo, a implantação de modernos métodos de transporte, de fabricação, de mineração e de tecnologia agrícola, inaugurou-se uma nova era [a partir da Primeira Guerra Mundial] em que governos e partidos políticos passaram a ter o investidor estrangeiro na conta de um explorador a ser escorraçado do país." (pp. 82-83)

Para que os países em desenvolvimento se tornem tão prósperos quanto os Estados Unidos, precisam acumular capital interno (que decorre do aumento da produtividade) e viabilizar o ingresso do capital estrangeiro. (p. 85 e p. 87)

Na sexta e última lição, ("Política e Ideias"), há uma citação atualíssima:

"O estadista do século XVIII pensava que os legisladores tinham ideias específicas sobre o bem comum. Hoje, entretanto, constatamos, na realidade da vida política - praticamente na de todos os países do mundo onde não vigora simplesmente uma ditadura comunista - uma situação em que já não existem partidos políticos autênticos, no velho sentido clássico, mas tão-somente grupos de pressão." (p. 93)

Futuro Tenebroso para o Mundo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cena de destruição da guerra civil síria: conflitos serão mais comuns nos próximos anos.

Segundo relatório do Conselho Nacional de Informações dos Estados Unidos, o risco de conflito é o maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Nos próximos cinco anos, o crescimento econômico será reduzido e as pressões antidemocráticas, à direita e à esquerda, aumentarão.

Face a esse quadro desolador, a liderança dos Estados Unidos seguirá em declínio e a cooperação internacional será mais difícil.

Saiba mais: Globo Play

«O Príncipe»

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017


MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe (com comentários de Napoleão I e Cristina da Suécia). Tradução de Fulvio Lubiso. São Paulo: Jardins dos Livros, 2007.

Finalmente pude ler por completo esse clássico da ciência política, escrito pelo famoso florentino que viveu à época da Renascença (mais especificamente entre 1469 e 1527). A edição em questão é a melhor que já encontrei - isso porque conta com as notas imperdíveis de Napoleão e da rainha Cristina.

Nesta apresentação, destacarei algumas citações que chamaram a minha atenção. Em primeiro lugar, fiquei surpreso ao descobrir que Maquiavel já sustentava a tese da barbarização do exército romano (tese essa que já foi superada pela historiografia). Eis as citações:

"Se considerarmos o início da queda do Império Romano, verificaremos que ele certamente se encontra na introdução do emprego dos godos; a partir desse momento, as forças romanas começaram a declinar, de maneira que todo o valor que perdiam revertia a favor dos bárbaros." (pp. 124-125)

"A melhor fortaleza que um príncipe pode ter é o afeto de seu povo, pois se for odiado nenhuma fortaleza o salvará (...)." (p. 184)

"(...) Gastar o que é dos outros não prejudica a reputação do príncipe, ao contrário, isso faz que ela aumente." (p. 140) 

"É preciso observar que, ao conquistar um Estado, o conquistador deve determinar e executar as crueldades de uma só vez para que não tenha de repeti-los todos os dias e possa, evitando renová-las, proporcionar segurança aos súditos e conquistá-los com alguns benefícios." (p. 89)

No famoso cap. XVIII ("Da crueldade e da clemência. É melhor ser amado ou temido?"), à parte da discussão sobre o que é melhor ao príncipe - ser amado ou temido - destaco o seguinte trecho:

"Mas, acima de tudo, deve abster-se sempre de apoderar-se dos bens alheios, porque os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai que a perda de seu patrimônio." (p. 146) 

A Escolha do Nome entre os Índios

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Alguns viajantes nos contam que um índio não recebia um nome ao nascer, mas tinha que conquistar um que correspondesse a suas ações, pelo qual passava a ser conhecido. Em algumas tribos o índio adquiria um novo nome a cada nova proeza. É triste que um homem carregue um nome meramente de conveniência, não tendo conquistado nem o nome nem a reputação que lhe corresponde."

THOREAU, Henry David. Caminhar [1862]. In: A Desobediência Civil. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012, p. 112.