“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

Guerras entre Estados Unidos e México

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Em pouquíssimos anos, após a Revolução Americana (1775-1783), a nação se expandiu pelo continente até se estender do Atlântico ao Pacífico. Mais ao sul, um jovem chamado Stephen Austin cavalgou para a parte do México espanhol conhecida como Texas, onde fundou sua colônia em 1821, mesmo ano em que o México venceu sua guerra de independência contra a Espanha. 

No mundo do oeste, povoado por caçadores, colonos, índios e todo o tipo de gente, os produtos comerciais muitas vezes viajavam à frente das pessoas, de modo que franceses vendiam armas para os índios (embora os espanhóis não) e germes viajaram para o norte a partir do Novo México espanhol. Para as autoridades de Washington, a colônia de Austin estava a 2,6 mil quilômetros de distância, enquanto que, para as autoridades na Cidade do México, o Texas parecia muito distante. Ainda assim, em março de 1836, as duas fronteiras se confrontaram e entraram em guerra. Nessa época, mais de 40 mil norte-americanos viviam na região, dez vezes mais que os mexicanos. 

Esse conflito culminou na batalha de San Jacinto, quando Sam Houston, ex-governador do Tenessee, derrotou o general Antonio López de Santa Anna e o forçou a conceder independência ao Texas. Dez anos depois, o Congresso dos Estados Unidos finalmente concordou em anexar o Texas e torná-lo um Estado. Enquanto isso, os norte-americanos estavam descobrindo a costa do Pacífico e suas fazenas mexicanas. Em meados de 1840, todos os verões, uma nova estrada de carroças conhecida como Overland Trail trazia milhares de pessoas para Oregon (governado em conjunto pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos) e a Califórnia. 

Em 1844, Samuel Morse aperfeiçoou o telégrafo. Nesse mesmo ano, James K. Polk foi eleito presidente. Suas pretensões sobre o Oregon abriram uma crise com o governo britânico, mas a disputa foi resolvida diplomaticamente. Como ele também pretendia anexar a Califórnia, ordenou ao general Zachary Taylor que conduzisse tropas norte-americanas até o Rio Grande, terra reivindicada tato pelo México quanto pelos Estados Unidos. Em abril de 1846, as tropas de Taylor foram atacadas pelas tropas mexicanas e a Guerra Mexicano-Americana começou

Como as linhas de telégrafo ainda não haviam sido levadas para além das Montanhas Rochosas, passaram-se meses até que alguém na Califórnia soubesse da guerra. Ainda assim, um grupo de norte-americanos de lá, liderados por John Frémont, declarou a independência da Califórnia. A marinha americana chegou à região, e reivindicou a Califórnia para os Estados Unidos. No México, em Buena Vista, o general Taylor impôs nova derrota a Santa Anna. Quando outra força americana conquistou a Cidade do México, o México se rendeu. No fim da guerra, os Estados Unidos ganharam mais de meio milhão de quilômetros quadrados de novo território (veja o mapa acima). 

Nem todos estavam satisfeitos. Henry David Thoreau, um transcendentalista, escreveu em 1849 A desobediência civil, ensaio que defende opor-se a guerras que sejam moralmente erradas. Outro oponente da guerra, Ralph Waldo Emerson, previu: "Os Estados Unidos conquistarão o México, mas será como o homem que toma o arsênico que o mata. O México nos envenenará." Com isso ele queria dizer que o debate sobre permitir a escravidão nos novos territórios envenenaria a União, a destruiria, a dividiria. A história provaria que ele estava com a razão.
          
DAVIDSON, James West. Uma breve história dos Estados Unidos. Tradução de Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: LP&M, 2016, p. 138-148.

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