“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

Políticos virtuosos na Antiguidade

sexta-feira, 16 de maio de 2014

 "Pelo seu prestígio, inteligência e conhecida incorruptibilidade em relação a dinheiro, Péricles [c. 495 a.C. - 429 a.C.] pôde liderar o povo como só um homem livre poderia. Péricles liderou o povo, em vez de ser por ele liderado. Ele não teve de bajular o povo em busca de poder; pelo contrário, sua reputação era tamanha que podia contrariar o povo e provocar sua ira."


Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, 2.65.8.

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OS "DEZ BENS" POR EXCELÊNCIA, PARA OS ANTIGOS ROMANOS:

1. Ser um grande soldado;
2. Ser um excelente orador;
3. Ser um valente general;
4. Ter a responsabilidade de grandes empreendimentos;
5. Revestir a magistratura suprema;
6. Possuir a mais alta sabedoria;
7. Ocupar o primeiro lugar entre os senadores;
8. Adquirir uma grande fortuna por meios honestos;
9. Deixar muitos filhos;
10. Tornar-se célebre no Estado.

Oração fúnebre pronunciada por Q. Cecílio Metelo Macedônico, em 221 a.C., por ocasião dos funerais do seu pai (ou avô) Lúcio. 
Citada por Plínio o Antigo, História Natural, 8, 139-140.

As Guerras Mundiais

quarta-feira, 19 de março de 2014

Artilharia de campo do exército britânico, na Batalha do Marne (1914).
Foto extraída do site Great War.

Em pleno centenário do início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a comunidade internacional assiste, atônita, à interminável guerra civil da Síria, aos arroubos belicistas da Rússia e à barbárie do EI, no Iraque. Há várias outras situações de tensão e de violência mundo afora, o que mais uma vez sustenta a declaração do filósofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831): "O que a História ensina é que os governos e as pessoas nunca aprendem com a História."

Ora, como dizia Eric Hobsbawm, a função do historiador é lembrar o que os outros esquecem. Nesse sentido, para facilitar o estudo dos mais devastadores conflitos da humanidade, recomendo:

I. Série Conflitos 'escondidos' da Primeira Guerra Mundial, da BBC:


II. Sobre a Segunda Guerra, assista ao documentário O Último Ano de Hitler. Conheça também o bombardeio mais mortífero da História, aquele que ceifou as vidas de 100 mil japoneses, em Tóquio, no dia 9 de março de 1945. Assista também: Segredos Revelados da Segunda Guerra.

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Bibliografia consultada:
ARARIPE, L. de A. "Primeira Guerra Mundial", in: MAGNOLI, D. (org.). História das Guerras. São Paulo: Contexto: 2006, p. 319-353. 
FURET, F. O passado de uma ilusão - Ensaios sobre a ideia comunista no século XX. São Paulo: Siciliano, 1995, p. 47-77.
GILBERT, M. História do Século XX. Alfragide, Portugal: 2014.
TOTA, P. "Segunda Guerra Mundial", in: MAGNOLI, D. (org.). Op. Cit., p. 355-389.

A educação platônica

terça-feira, 4 de março de 2014

Segundo H.-I. MARROU (História da Educação na Antiguidade, 1969: pp. 115 e ss.), o cursus de estudos imposto por Platão (427 a.C. - 347 a.C.) contava com as seguintes etapas:

- 03-06 anos (completos): "Kindergarten" - jogos educativos, praticados em jardins de crianças (de ambos os sexos);

- 06-10 anos: Escola "primária" (quando começava a educação propriamente dita). As crianças aprenderiam a ler e a escrever, e seriam exercitadas pela ginástica (para o corpo) e pela "música" (cultura espiritual, para a alma).

- 10-17/18 anos: Estudos "secundários", subdivididos em três ciclos - estudos literários (dos 10 aos 13 anos); estudos musicais (dos 13 aos 16 anos) e estudo das matemáticas (entre os 17 e 18 anos) (estas, em especial, seriam um "elemento essencial" da educação preparatória de Platão).

Ao fim desses estudos, a vida intelectual seria interrompida por dois ou três anos, devido à "efebia" (serviço militar). Nesse interregno, os jovens levariam adiante a formação e a prova do caráter.

- 20-30 anos: "Altos Estudos" (ensino superior) - estudo das ciências.

- 30-35 anos: Estudo da dialética (arte fecunda, mas bastante "perigosa"), único instrumento que conduz à "verdade total".

- 35-50 anos: Vida ativa na Pólis (o suplemento da experiência - formação moral).

Assim, aos 50 anos, o indivíduo finalmente alcançaria a contemplação do Bem em si.

Esse programa parecia um desafio ao espírito prático dos atenienses. De qualquer forma, o plano de Platão buscava selecionar e formar apenas um homem ou, quando muito, um pequeno grupo de governantes-filósofos. Contudo, a efetiva tomada do poder exigiria uma conjunção do poder e do espírito quase milagrosa, razão pela qual o filósofo acabaria por renunciar à inútil ambição do poder e se voltaria à "cidade interior". O filósofo, portanto, seria sempre um "fracassado entre os homens". Tudo isso levou à formação de uma "seita fechada" (a Academia) no interior de uma "sociedade podre".

Didáticos, paradidáticos e outros

segunda-feira, 3 de março de 2014

A fim de estimular o aprofundamento dos alunos nos diversos conteúdos de História, indico abaixo alguns livros. Os quatro primeiros possibilitam uma visão mais abrangente da História geral e do Brasil, e por isso são os mais indicados, sobretudo para os que se preparam para o ENEM e para os vestibulares.

Com relação aos livros didáticos para o Ensino Médio, indico: História Global - Brasil e Geral, 9ª edição do famoso livro didático de Gilberto Cotrim, ou História - das cavernas ao Terceiro Milênio, de Myriam B. Mota e Patrícia R. Braick. Foi com este último livro que eu me preparei para o vestibular.

Para os que puderem, vale a pena ler História do Século XX, do historiador Martin Gilbert, e História do Brasil e História Concisa do Brasil, do historiador Boris Fausto.  Esses livros dão uma visão ampla do conteúdo de História do 3º ano do Ensino Médio. 

Para os que preferirem estudos mais específicos, eis uma primeira relação: 

* Paradidáticos para o 6º, 7º e 8º anos do Ensino Fundamental

Autor: Spacca
Coleção Quadrinhos na Cia.

Autores: Spacca e Lilia Moritz Schwarcz 
Coleção Quadrinhos na Cia.

Autores: Spacca e Lilia Moritz Schwarcz 

Autor: Spacca

Autor: Homero (recontada por Silvana Salerno)

Autor: Jacqueline Morley

Autor: Marian Borba

Autor: Eni P. Orlandi

Autor: Carmen L. Campos e Cláudio Figueiredo

Autor: Ruth Brocklehurst

Autor: Ana Maria Machado (FTD, 2012)

Autor: Fiona MacDonald (Scipione, 1996).

Autor: Janaína Amado (Atual, 1999).

* Paradidáticos para o 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio

Autor: Antonio Pedro
Coleção Discutindo a História

II. A Busca
Autores: Eric Heuvel, Lies Schippers e Ruud Van der Rol
Coleção Quadrinhos na Cia.

Autor: Edgard Luiz de Barros 
Coleção Discutindo a História

Autor: Clóvis Rossi

Autora: Letícia Bicalho Canedo
Coleção Discutindo a História

Autor: Jorge Luiz Ferreira
Coleção Discutindo a História

VIII. Novo Mundo nos Trópicos
Autor: Gilberto Freyre 

Coleção Textos e Documentos (Editora Contexto):

I. 100 Textos de História Antiga
Organizador: Jaime Pinsky

II. Do Feudalismo ao Capitalismo
Organizador: Theo Santiago

III. História Moderna através de textos
Organizadores: Adhemar M. Marques et. al.

IV. História Contemporânea através de textos
Organizador: Adhemar M. Marques et. al.

V. História da América através de textos
Organizador: Jaime Pinsky

VI. História do Tempo Presente
Organizadores: Adhemar M. Marques et. al.

Há ainda obras literárias que muito ajudam na compreensão do mundo moderno e pós-moderno. Por exemplo, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (no qual "profetizou" o egoísmo e a dissolução social da pós-modernidade), e 1984, de George Orwell (um verdadeiro "retrato" dos regimes totalitários que espionam até a vida íntima de seus cidadãos). Uma breve análise dessas distopias pode ser lida aqui. Mas, ATENÇÃO: é sempre preferível que o aluno se concentre no estudo das obras literárias que costumam ser cobradas no ENEM ou vestibular específico que ele pretende tentar. Os livros clássicos da literatura brasileira estão entre as leituras indispensáveis para as provas (dentre os mais cotados, cito Dom Casmurro, de Machado de Assis; Iracema, de José de Alencar; O Cortiço, de Aluísio de Azevedo e O tempo e o vento, de Érico Veríssimo.

«Ano Zero», de Ian Buruma

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Baixe esse livro gratuitamente aqui. 

O primeiro contato que tive com esse livro foi ao assistir a programas da Globo News. Além de conduzir a entrevista no programa Milênio, Lucas Mendes também escreveu sobre Year Zero no site da BBC. 

Leia também uma entrevista concedida por Ian Buruma ao jornalista Eduardo Graça. Por fim, confira: Doc. 'A Vida Após Hitler'

A ciência histórica é "eurocêntrica"?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013



Acusar a moderna ciência histórica de ser 'eurocêntrica' é tão absurdo quanto acusar uma roda de girar em torno do seu eixo. Não só a Europa foi a força histórica mais ativa nesse período, mas a própria consciência histórica é uma criação dela, praticamente sem paralelo em outras culturas (exceções individuais como Ibn Khaldun não contam). Até  mesmo a possibilidade de narrar a história desde o ponto de vista de outros agentes ou outras culturas é uma criação europeia. Pior: a única cultura que se dedicou a tentar compreender as outras sem projetar sobre elas os seus próprios valores foi a europeia. Imagine, por exemplo, tentar escrever num país islâmico uma história 'neutra' das relações entre cristianismo e Islam. É pena de morte na certa. Quanto menos eurocêntrico você quer ser, mais eurocêntrico se torna, por mais que isto o desagrade.


OLAVO DE CARVALHO
Publicado no Facebook (18/12/2013)

A Arte Clássica Greco-Romana

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Laocoonte e seus filhos, séc. II a.C. Museus Vaticanos.

Muito da arte grega se relacionava, direta ou indiretamente, com a sua religião politeísta. Templos ricamente decorados abrigavam os deuses do Olimpo, representados em estátuas de notável realismo; de fato, "não existe corpo humano que seja tão simétrico, tão bem construído e belo quanto o das estátuas gregas" (Gombrich, 1999: p. 103).

Para não nos alongarmos, nessa introdução à arte clássica greco-romana vamos nos concentrar nas esculturas e na arquitetura. Cumpre-nos lembrar, contudo, que quase todas as estátuas famosas do mundo antigo desapareceram após o triunfo do cristianismo, uma vez que considerava-se piedoso dever destruir estátuas dos deuses pagãos (às vezes, tal vandalismo era até patrocinado por governantes, como Constantino, no séc. IV).

De toda a longa história da arte grega, destacamos o período compreendido entre 520 e 420 a.C. Essa foi a época do grande despertar da arte para a liberdade. Mas é justo reconhecer o brilhantismo de artistas anteriores e posteriores a esse período; assim, temos a lista abaixo:

I. Polímedes de Argos (Os irmãos Cleóbis e Biton, c. 615-590 a.C.)
II. Ictino (O Partenon, Acrópole, Atenas, 447-432 a.C.)
III. Fídias (autor de uma imponente estátua de Palas Atena, da qual, infelizmente, contamos apenas com uma cópia romana, do séc. V a.C.; ele também foi o criador da estátua de Zeus em Olímpia, também perdida)
IV. Myron (Discóbolo, c. 450 a.C.)
V. Praxíteles (Hermes com o jovem Dionísio, c. 340 a.C.)
VI. Hagesandro, Atenodoro e Polidoro de Rodes (Laocoonte e seus filhos, c. 175-50 a.C.) [Ver a imagem acima]

Além de Escopas e de Praxíteles, há ainda outro grande nome da escultura pré-helenística: Lísipo, cuja carreira começou por volta de 370 a.C. e se estendeu até o fim do século. As proporções das estátuas de Praxíteles devem mais a Lísipo que a Policleto e Lísipo não foi certamente o único artista do seu tempo a dominar novos aspectos da realidade. Apoxiomenos é a estátua mais insistentemente ligada ao seu nome (Janson, 2001: p. 207). 

No período helenístico, a escultura grega passou a ser produzida num vasto território e a interação de tendências locais e internacionais deve ter formado um esquema complexo, do qual podemos seguir apenas algumas linhas isoladas. Uma das obras mais notáveis dessa época é o altar de Pérgamo, erigido por ordem do filho e sucessor de Átalo I numa colina dominando a cidade para celebrar as vitórias de seu pai (Janson, 2001: p. 209). 

A arte grega e a arte romana são muito semelhantes, sendo que os romanos copiaram muito da arte grega. A maioria dos artistas que atuavam em Roma era de origem helênica, e a maioria dos colecionadores romanos adquiria obras dos grandes mestres gregos ou cópias dessas obras. Não temos conhecimento de artistas romanos que tenham alcançado a fama, embora os grande nomes da arte grega - Policleto, Fídias, Praxíteles, Lísipo e outros - fossem exaltados com o mesmo fervor de sempre (Janson, 2001: p. 233). Tendo em vista as características próprias do imperialismo romano, é importante destacar sobre sua civilização e arte que, além da predominante herança grega, foram influenciadas em menor grau pelos etruscos, egípcios e povos do Oriente Próximo (idem, p. 234).

A mais admirável realização dos romanos ocorreu, provavelmente, na área da engenharia civil. O mais famoso de seus edifícios é, talvez, a arena conhecida como o Coliseu, no coração de Roma. Concluído em 80 d.C., é um dos maiores edifícios do mundo, capaz de abrigar mais de 50 mil espectadores. "A estrutura de concreto, com os seus quilômetros de escadarias e corredores abobadados, é uma obra-prima de engenharia pela eficiência no escoamento da enorme corrente humana que afluía aos espetáculos" (ibidem, p. 240).

Os romanos aproveitavam da arquitetura grega tudo o que apreciavam, aplicando esses empréstimos às suas próprias necessidades. Mas, em alguns aspectos, os romanos foram bem originais. A mais importante característica da arquitetura romana são os arcos. Essa invenção teve importância reduzida ou nula nas edificações gregas, embora possivelmente não fosse desconhecida dos arquitetos gregos. Construir um arco com pedras separadas em forma de cunha é uma dificílima façanha de engenharia. Após essa arte ter sido dominada, os construtores passaram a utilizá-la para projetos cada vez mais ambiciosos. Os romanos tornaram-se grandes especialistas na arte da construção de abóbadas, graças a diversos expedientes de natureza técnica. O mais sublime de seus edifícios é o Panteão, um templo dedicado a todos os deuses (ou, mais exatamente, às sete divindades planetárias - daí os sete nichos). Saiba mais sobre ele e outras maravilhas da Roma antiga AQUI. 


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Bibliografia consultada: 
GOMBRICH, E. H. A história da arte. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: LTC, 1999, capítulos 3, 4 e 5.
JANSON, H. W. História Geral da Arte - O Mundo Antigo e a Idade Média. Adaptação e preparação do texto para a edição brasileira de Maurício Balthazar. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.