“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

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#HJ36 Humor Judaico na URSS

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

"Disparar à queima-roupa", cartum de R. Gadimov, relativo ao Conflito Árabe-Israelense, Pravda, 8 de março de 1970.
O cartum fazia parte da propaganda soviética que associava os israelenses ao imperialismo ianque no Oriente Médio.

A relação entre o judaísmo e o socialismo soviético é uma longa história marcada pela incompreensão, pela hostilidade, e finalmente pela tragédia. Quando eclodiu a revolução bolchevique, em 1917, muitos judeus a ela aderiram entusiasticamente, convictos de que através de um regime igualitário teriam fim os sofrimentos do povo judeu. Tal não aconteceu; a emancipação judaica nunca chegou a ocorrer na URSS, e entre os expurgados e eliminados, estava um número suspeitável de judeus.

Ao comprovar sua incapacidade de viver conforme suas tradições, ou de abandonar o país, dois milhões de judeus soviéticos se voltaram precocemente para o humor, como meio de superar as extraordinárias pressões e tensões da existência cotidiana. Neste sentido, bem podem ser considerados precursores da Perestroika.

O humor judaico, por ser essencialmente antiautoritário, se desenvolve mais onde a censura é maior; vai de boca em boca à velocidade da luz e não pode ser detido por nenhuma KGB. Talvez os judeus não sejam livres, mas a piada judaica certamente o é. 

No transcurso de todo o humor posterior a 1917, o herói central da piada judia - o pobre Abraham Rabinovich - se ajeita para enfrentar a vida com infinita reserva de bom-senso e otimismo, configurando, talvez, a mais rica tradição oral da URSS. Este mítico e satírico personagem, que enlouquece as autoridades com sua lógica e ironia, é sem nenhuma dúvida uma das figuras que definem o campo de humor judaico na União Soviética.

***

Abraham Rabinovich, em Moscou, é acordado no meio da noite com fortes batidas na porta.

- Quem está aí? - pergunta.

- O carteiro - respondem.

O homem levanta da cama, abre a porta e encontra dois agentes da KGB.

- Você é Rabinovich? - pergunta um dos agentes.

- Sim - responde Rabinovich.

- E fez um pedido para ir a Israel?

- Correto.

- Tem comida suficiente aqui?

- Sim, tenho.

- Seus filhos não recebem uma boa educação comunista?

- Sim, é verdade.

- Então por que você quer abandonar a Rússia?

- Porque - responde Rabinovich - não gosto de viver em um país onde entregam a correspondência às três da manhã!

FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 181 e 183.  

Socialistas que flertaram com o nazismo

segunda-feira, 25 de março de 2024

 

W. E. B. Du Bois (1868-1963), intelectual socialista afro-americano que flertou com o nazismo. 

Em 1932, o famoso romancista e socialista fabiano H. G. Wells conclamou os alunos de Oxford para que se tornassem "fascistas liberais" e "nazistas esclarecidos". O historiador Charles Beard estava entre os apologistas de Mussolini que viviam nas democracias ocidentais, o mesmo acontecia com a revista New Republic. O poeta Wallace Stevens chegou a justificar a invasão da Etiópia por Mussolini.

W. E. B. Du Bois ficou, durante a década de 1920, tão intrigado pelo movimento nazista que decorou com suásticas as capas de uma revista que editou, apesar dos protestos da comunidade judaica. Embora Du Bois tivesse que lidar com o problema do antissemitismo, que o nazismo implicava, ele dizia, na década de 1930, que a criação da ditadura nazista "foi absolutamente necessária para a reorganização do Estado" na Alemanha, e durante um discurso no Harlem, em 1937, declarou: "De certa forma, hoje existe mais democracia na Alemanha do que existia nos anos anteriores". O fato mais revelador é que ele via os nazistas como integrantes da esquerda. Em 1936, ele disse: "A Alemanha é hoje, ao lado da Rússia, o maior exemplo de sociedade marxista".     

SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 160.

Comunismo & Fascismo

sexta-feira, 22 de março de 2024

 

SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 150.

«O Espírito das Revoluções»

quinta-feira, 21 de março de 2024

 

Baixe essa obra gratuitamente aqui.

Filme «Crimes Ocultos»

terça-feira, 19 de março de 2024

 

Raíssa:

- Leo, você sabe o que as pessoas obtêm quando buscam a verdade? Sabe? Elas obtêm terror.

Leo:

- Raíssa, nós já estamos mortos.

***

Sinopse: Crimes Ocultos, um filme de 2015, registra a crise consciência do agente secreto da polícia soviética Leo Demidov, que perde status, poder e sua casa ao recusar denunciar sua própria mulher, Raíssa, como traidora. Leo e Raíssa unem forças ao General Mikhail Nesterov para encontrar um assassino serial que captura jovens garotos. Sua busca por justiça ameaça o acobertamento de todo um sistema imposto pelo rival de Leo, o psicopata Vasili, que insiste em dizer: "Não existem crimes no paraíso."

Crimes Ocultos foi dirigido por Daniel Espinosa. É inspirado na história real do assassinato em série de 53 crianças e jovens por Andrei Romanovich Chikatilo, entre 1978 e 1990. O filme foi proibido na Rússia de Putin, mas está disponível na plataforma Brasil Paralelo.   

[Live] Conservadorismo: o que é?

terça-feira, 5 de março de 2024

 

Disponível aqui

Sobre a Guerra Civil em El Salvador

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

 

Guerrilheiros da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) em Usulután, El Salvador, em 1983.

Anne van der Bijl (1928-2022), internacionalmente conhecido como Irmão André, foi um missionário neerlandês que fundou a Portas Abertas. Seu ministério teve início em 1955, quando ele começou a contrabandear Bíblias para os países da então Cortina de Ferro. Anos depois, o Irmão André e seus apoiadores expandiram as suas atividades para além do Leste Europeu e da União Soviética, alcançando países do então chamado "Terceiro Mundo", na África, Ásia e América Latina. O testemunho abaixo é relativo à Guerra Civil de El Salvador, travada entre 1979 e 1992. O encontro entre o Irmão André e Alberto, um dos líderes guerrilheiros, ocorreu no início dos anos 1980.

***

Um dos meus encontros mais memoráveis foi com Alberto, o comandante de um grupo de rebeldes que havia tomado totalmente determinada cidade. De boa aparência, extremamente carismático, ele usava uma boina preta, camisa cáqui, calça jeans azul enfiada nas botas militares e uma pistola na coxa. Dois guarda-costas não desgrudavam dele, com metralhadoras calibre cinquenta e bandoleiras trançadas no peito.

Também reparei que Alberto usava dois relógios. "Se um para, ainda tenho o outro para saber as horas", disse. Obviamente era uma pessoa bem treinada e disciplinada.

Primeiro ele nos contou seu passado e sua "juventude perdida", e como ele encontrou nova esperança nos ensinamentos marxistas. Depois do treinamento em Cuba, com direito até a um encontro com Fidel Castro, voltou a seu país com verdadeiro senso de propósito, pois, acreditava ele, a revolução traria justiça à vida em El Salvador. Impressionou-me esse jovem inteligente, e achei que seu zelo revolucionário daria um trecho interessante do vídeo.

- Alberto - disse eu -, gostaria de entrevistá-lo diante das câmeras, mas sob uma condição importante: você precisa falar a verdade. Vou lhe fazer uma pergunta, e quero que você me olhe bem nos olhos e me diga a mais absoluta verdade, de homem para homem. Concorda?

Ele refletiu por um momento e olhou em volta.

- Certo, vou lhe dizer a verdade - disse.

Algo em mim dizia que ele estava sendo sincero.

A equipe ligou o equipamento de filmagem. Então, encarando Alberto, fiz minha primeira pergunta.

- Esta revolução é de vocês ou importada?

Não creio que ele estivesse preparado para pergunta tão direta. O modo como ele me responderia teria importância crucial, e ele sabia disso. Veio um silêncio constrangedor. Ele olhou em torno, talvez para ver quanta gente podia ouvi-lo.

Continuei a encará-lo, e as câmeras continuaram gravando. O homem que um instante antes transpirava tamanha força e confiança, parecia agora bem vulnerável.

Finalmente ele se voltou e me olhou bem nos olhos, como havia prometido, respondendo:

- É importada.

Que tremenda confissão, especialmente para alguém de posto tão elevado na hierarquia da guerrilha. Por alguma razão, quando ele se viu confrontado com uma espécie de prova dos nove, não pôde mentir. Com essas duas palavras, ele revelara a verdadeira essência da revolução. Era fabricada, e estava sendo imposta às pessoas.     

ANDRÉ, Irmão. O Contrabandista de Deus - desafiando os limites da fé: a missão continua além da cortina de ferro. Tradução de Eduardo Pereira E. Ferreira. São Paulo: Missão Portas Abertas, 2020, p. 174-175.

Hitler define o Nacional-Socialismo

domingo, 20 de agosto de 2023

Hitler admira um modelo do carro Volkswagen. À esquerda, o designer Ferdinand Porsche.

Hitler confidenciou então a seus auxiliares mais chegados que não pensava de nenhum modo em promover a extinção, como se fizera na Rússia, dos grandes proprietários; ao contrário, queria levá-los a construir uma nova economia com todas as possibilidades por ela implicadas. Essa classe ainda se consideraria feliz por ver sua existência mantida e suas riquezas poupadas, mesmo que viesse a perder sua independência. Devia ele, pois, modificar essa vantajosa relação de forças, o que traria como único resultado a necessidade de lutar em seguida contra os "primeiros combatentes" e membros muito zelosos do partido, que não cessavam de gabar seus próprios méritos? O problema do título formal de posse dos meios de produção resultava numa simples questão de detalhe: "Por que eu iria forçar essas criaturas a se submeterem a uma disciplina rígida, da qual não conseguem escapar? Eles podem ter tantas terras ou usinas quanto queiram, o importante é que o estado, por intermédio do partido, decida quanto às suas ações e atitudes, pouco importando, assim, que sejam proprietários ou operários. Compreendem agora que tudo isso não significa mais nada? Nosso socialismo tem uma forma de agir muito mais profunda. Não modifica a ordem das coisas, não faz senão mudar as relações dos homens com o estado (...) Que significado têm a partir de agora as expressões 'propriedade' e 'renda'? Por que teremos a necessidade de socializar os bancos e as usinas? Nós socializamos os homens."

FEST, Joachim C. Hitler. Tradução de Analúcia Teixeira Ribeiro [et. al.]. Rio de Janeiro: PocketOuro, 2010, p. 350-351.

Igreja da Divina Misericórdia

domingo, 30 de julho de 2023

 

Imagem extraída do E-book disponível gratuitamente aqui.

A Mentalidade Revolucionária

quinta-feira, 13 de julho de 2023

 

Leia o artigo disponível aqui.

A Selvagem Ditadura de Ortega

quarta-feira, 5 de julho de 2023

 

Clique na imagem para ampliá-la. Conteúdo forte.

A Cegueira dos Idiotas Úteis

domingo, 19 de setembro de 2021

 

Os Partidos Comunista e Nazista

domingo, 14 de fevereiro de 2021

 

Na Alemanha nazista e na União Soviética os militantes dos partidos dos regimes eram vistos como "correia de transmissão" (nas palavras de Lênin) ou "elo de ligação" (Hitler) entre o núcleo dedicado e as periferias distantes da população não partidária. O Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e o Partido Nazi eram fonte de liderança e inspiração políticas; o Estado seria o seu braço executivo.

Os dois partidos viam-se como uma elite representativa. Seu papel, estrutura e significado mudaram com o tempo, à medida que mudava a natureza das ditaduras. 

Chama a atenção como ambos os partidos cresceram vertiginosamente. Em 1905, a facção bolchevique do Partido Social Democrata Trabalhista russo possuía 8 mil membros. Em 1953, o Partido Comunista da União Soviética (como passara a se chamar no ano anterior) já alcançava quase 7 milhões de filiados. Já o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães contava com apenas 3 mil membros em 1921. Em 1945, contudo, contabilizava 8 milhões de filiados.

A filiação era um privilégio, e não um direito automático. Existiam períodos probatórios antes que o aspirante passasse formalmente a integrar uma ou outra estrutura partidária. Era comum que o aspirante precisasse ser indicado por mais de um membro sênior do partido.

Os partidos em questão se renovaram constantemente, com destaque para o PCUS. No expurgo de 1933, ele removeu dos seus quadros 800 mil membros. Em 1934, o expurgo eliminou mais 340 mil filiados. A Segunda Guerra Mundial, como se sabe, cobrou um alto preço de vidas soviéticas, e então ocorreu uma segunda transfusão em massa de novos membros.

Ao se transformarem em movimentos de massa, os partidos foram obrigados a se tornarem coalizões. O PCUS era mais fraco no campo do que nas cidades; o Partido Nazi, pelo contrário, era mais forte no campo do que nos centros urbanos. Nenhum dos dois recrutava extensamente entre as mulheres (embora os comunistas se saíssem um pouco melhor). Os postos de liderança de ambos eram dominados por homens.

Os dois partidos tinham uma preponderância de membros jovens, com 35 anos ou menos. Assim, ambos eram dominados por homens jovens, sendo que os nazistas se tornaram particularmente populares entre os desempregados, após o colapso financeiro de 1929. À medida que o PCUS se tornava menos proletário, o Partido Nazi se tornava mais.

Nos dois sistemas, existiam tribunais do partido, que podiam punir certos desvios e até mesmo, em certos casos, estipular pena de confinamento. Assim, em 1939, os tribunais do Partido Nazi julgaram 30 membros da SA e SS por estupro, roubo e assassinato durante a Kristallnacht de 9 de novembro de 1938. Vinte e um assassinatos foram desculpados como resultado de provocações judias, mas três homens que estupraram moças judias foram presos - não pela violência sexual, mas por "contaminação da raça".

Os membros do partido eram objeto de contínua instrução sobre a linha partidária e os meios de autoaperfeiçoamento como ativista do partido. O objetivo da educação política era produzir melhores comunistas e nacional-socialistas, capazes de adaptar a linha do partido e, por sua vez, torná-la compreensível para círculos mais amplos do público. Apesar da expectativa de que os filiados fizessem muito no sentido de se tornarem modelos de um ideal racial ou revolucionário, a criminalidade, a embriaguez e o carreirismo existiam nos dois partidos.

Os partidos tornaram-se parte integral das sociedades que lideravam porque eram produto dessas mesmas sociedades. Logo, tanto na Alemanha quanto na União Soviética, o partido se tornou muito rapidamente um elemento central da vida diária, impossível de evitar ou ignorar, exceto nas regiões rurais mais remotas da União Soviética.

Muitos membros do partido, nos dois sistemas, se empenhavam entusiasticamente na tarefa de mobilizar aqueles pelos quais eram responsáveis. Os privilégios, status e oportunidades de carreira ora complementavam, ora substituía o idealismo que se esperava que os membros do partido exibissem.

Os partidos criaram meios formais e informais de assegurar a nomeação de funcionários do Estado para garantir que se preferissem membros do partido ou conhecidos simpatizantes. Na União Soviética, as listas desses cargos no favor do partido foram institucionalizadas no sistema de nomenklatura. Os nazistas, por sua vez, não criaram um sistema de nomenklatura, mas as nomeações do Estado em todos os níveis passaram a ser dominados pelo partido. No Reich, desde 1933, 60% dos servidores burocráticos do topo e 2/3 de todos os postos do Estado foram preenchidos por membros do partido.

Hitler precisava do partido em ordem para controlar o Estado; Stalin, por sua vez, precisava do Estado em ordem para controlar o partido. Assim, a Constituição de Stalin de 1936 era uma descrição das instituições e poder do Estado, em que só duas vezes se mencionava o papel dirigente do partido. Já os esforços para fazer uma reforma formal do Estado na Alemanha naufragaram na hostilidade de líderes que, ao contrário de Stalin, temiam que as regras fixas escritas circunscrevessem o exercício da ditadura.

O sistema de "partido único" era uma novidade na Europa entreguerras. Assim, tanto o bolchevismo quanto o nacional-socialismo eram movimentos experimentais. Os dois partidos eram autodidatas e se esforçaram vigorosamente na autodisciplina e educação. Os dois partidos são encarados como "totalitários". Mas, "totalitários" em qual sentido?

"Totalitário" não significa que eram partidos "totais", abrangendo tudo ou brandindo completo poder; significa que eram partidos preocupados com a "totalidade" das sociedades em que trabalhavam. Nesse sentido mais estreito, os dois movimentos tinham aspirações totalitárias e jamais foram simples partidos parlamentares. Poucas áreas da vida pública havia que não caíssem sob o exame do partido, ou não fossem condenados com o partido, ou eliminadas. O público foi submetido, querendo ou não, à permanente vigilância do partido. (p. 188)

Bibliografia consultada: OVERY, Richard. Os Ditadores - a Rússia de Stalin e a Alemanha de Hitler. Tradução de Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 149-190.

A Infernal Prisão Comunista de Pitesti

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

 

A Securitate, a polícia política romena, utilizou os instrumentos "clássicos" de tortura durante os interrogatórios: espancamentos, pancadas nas solas dos pés, suspensão e prisão dos pés junto do teto, com o indivíduo de cabeça para baixo. Em Pitesti a crueldade da tortura ultrapassou e muito esses métodos: todo tipo imaginável - e inimaginável - de suplícios foi praticado. O corpo era queimado com cigarros; partes do corpo de alguns prisioneiros começavam a gangrenar, caíam como as carnes dos leprosos; outros eram obrigados a ingerir excrementos e, se os vomitavam, o vômito era-lhes enfiado pela garganta abaixo.

A imaginação delirante de Eugen Turcanu (1925-1954) se excitava sobretudo com os estudantes religiosos, que se recusavam a renegar a Deus. Alguns eram "batizados" todas as manhãs da seguinte maneira: enfiavam-lhes a cabeça num tonel cheio de urina e fezes enquanto os outros presos recitavam em volta a fórmula do batismo. Para que o torturado não se asfixiasse, de tempos a tempos a sua cabeça era erguida de tonel, para que eles pudessem respirar antes de terem a cabeça de novo mergulhada no magma repugnante. Um dos que sistematicamente sofreram essa tortura criara o seguinte automatismo, que durou cerca de dois meses: era ele próprio, todas as manhãs, que imergia a cabeça no tonel, sob as gargalhadas dos "reeducadores".

Quanto aos seminaristas, Turcanu obrigava-os a oficiar nas missas negras que ele próprio encenava, sobretudo durante a Semana Santa, na vigília pascal. Alguns desempenhavam o papel de meninos do coro, outros, de padres. O texto litúrgico de Turcanu era, evidentemente, pornográfico e parafraseava de forma demoníaca o original. A Virgem Maria era referida como "a grande prostituta", e Jesus "o imbecil que morreu na cruz". O seminarista que desempenhava o papel de padre devia despir-se completamente; depois ele era envolvido por um lençol sujo de excrementos e lhe penduravam no pescoço um falo confeccionado com sabão, miolo de pão e pulverizado com DDT. Na noite que antecedeu a Páscoa de 1950, os estudantes em curso de reeducação foram obrigados a passar diante do "padre" e a beijar o falo, dizendo: "Cristo ressuscitou".     
  
Testemunho citado em: COURTOIS, Stéphane et al. O Livro Negro do Comunismo - crimes, terror e repressão. Tradução de Caio Meira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019, p. 495.

Ecocídio na União Soviética

terça-feira, 24 de novembro de 2020

 

No dia 26 de abril de 1986, ocorreu a explosão de um reator de Chernobil, na então Ucrânia soviética. Essa fotografia aérea mostra os danos na usina.

Murray Feshbach e Alfred Friendly observam em seu importante livro Ecocide in the USSR que a poluição foi parcialmente responsável pelo aumento da mortalidade infantil na União Soviética até níveis só encontrados em países do Terceiro Mundo e em algumas cidades americanas. Os autores concluíram que "embora os vínculos entre a agressão ambiental e a doença permaneçam inevitavelmente mais presumidas que provadas, existe pouca dúvida a respeito do volume da poluição. Poucas áreas industrializadas da União Soviética estão livres de risco ambiental, e algum tipo grave de condição ecológica prevalece em 16 por cento do território do país, onde vive um quinto da população."

O que Feshbach e Friendly documentam em termos de poluição ambiental foi um legado da atitude bolchevique com relação à natureza. Neste, e em muitos outros aspectos, os bolcheviques seguiram fielmente a Marx. Na melhor das hipóteses, eles viam a natureza como um recurso a ser explorado para os objetivos do homem, e, na pior, como um inimigo a ser conquistado. A atitude ocidental semelhante à de Prometeus diante do mundo natural serviu de base às políticas soviéticas durante a vida do regime. Foi também uma das causas de seu colapso.

A lenta reação da liderança soviética ao desastre de Chernobil foi o gatilho para os primeiros movimentos políticos populares na União Soviética. Esses movimentos ambientalistas mobilizaram amplas coalizões em torno da oposição a grandes projetos de construção de barragens na Sibéria. Junto com os movimentos nacionalistas no "exterior próximo" da União Soviética, foram estes movimentos ecológicos de massa, muito mais que as divergências intelectuais, que se constituíram no catalisador interno para o colapso soviético.   

Adaptado de GRAY, John. Falso Amanhecer - os equívocos do capitalismo global. Tradução de Max Altman. Rio de Janeiro / São Paulo: Record, 1999, p. 194-195.

Sobre o Ocidentalismo

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Pintura mural antiamericana em Teerã, capital do Irã.

"O ocidentalismo pode ser visto como a expressão de um amargo ressentimento contra uma agressiva ostentação de superioridade por parte do Ocidente, com base na alegada superioridade da razão. Ainda mais corrosivo que o imperialismo militar é o imperialismo da mente imposto pela difusão da crença ocidental no cientificismo: a fé de que a ciência é o único meio de obtenção do conhecimento.

O fato de o cientificismo ter sido avidamente incorporado por reformadores radicais no mundo não-ocidental apenas aguça a hostilidade dos nativistas. Pois o inimigo imediato dos ocidentalistas, como vimos o exemplo dos islamistas revolucionários, nem sempre é o Ocidente propriamente dito, mas principalmente os ocidentalizados em suas próprias sociedades. Os modernizadores chineses do início do século XX exigiam reformas em nome da ciências e da democracia. Muitos eram iconoclastas extremistas que viam a total ocidentalização como a única solução para a China. Seus adversários intelectuais frequentemente invocavam o espírito chinês como um antídoto contra essa doutrina."    

BURUMA, Ian & MARGALIT, Avishai. Ocidentalismo - O Ocidente aos olhos de seus inimigos. Tradução de Sérgio Lopes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006, p. 95-96.

«Nada a Invejar», de Barbara Demick

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 

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Cristofobia no Chile

terça-feira, 20 de outubro de 2020

No domingo, 18 de outubro, extremistas de esquerda incendiaram a Igreja de São Francisco de Borja dos Carabineros e a Igreja La Assunción, em Santiago, capital do Chile. Os atentados terroristas ocorreram em comemoração ao primeiro ano do levante socialista que espalhou um rastro de destruição pelo país. A foto acima não é só uma mostra da cristofobia que se espalha pelo mundo na atualidade. É um sintoma da crise da Civilização Ocidental.

Sobre isso, indico o artigo da Gazeta do Povo.

«A Natureza Mística do Marxismo»

sábado, 15 de agosto de 2020

 

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Hitler e Stálin

segunda-feira, 6 de julho de 2020


Viktor Suvorov, autor da citação abaixo, é o pseudônimo de Vladmir Rezún. Foi oficial do Exército Soviético e da inteligência militar (GRU). Em 1978, desertou em Genebra com a mulher e os dois filhos. Foi sentenciado à morte pela corte militar soviética, e o atual governo russo recusa-se a anistiá-lo. Vive com a família na Inglaterra.

"Hitler tinha uma bandeira vermelha. Stálin tinha uma bandeira vermelha. Hitler governava em nome da classe operária, e seu partido se chamava Partido dos Trabalhadores. Stálin também governava em nome da classe operária; seu sistema tinha o nome oficial de Ditadura do Proletariado. Hitler odiava a democracia e lutava contra ela. Stálin odiava a democracia e lutava contra ela. Hitler construía o socialismo. E Stálin construía o socialismo. Sob o título do socialismo, Hitler via uma sociedade sem classes. E Stálin, sob o título de socialismo, via uma sociedade sem classes. No seio das duas sociedades sem classes construídas por Hitler e Stálin floresceu a escravidão, no mais puro sentido da palavra."

SUVOROV, Viktor. O Grande Culpado: o plano de Stálin para iniciar a Segunda Guerra Mundial. Barueri: Amarilys, 2010, p. IX (prefácio).