segunda-feira, 6 de julho de 2026
Historia magistra vitae est. Cícero (106-43 a.C.)
Pela primeira vez na história, o advento das armas nucleares tornou possível para um único ser humano destruir dezenas - talvez centenas - de milhões de vidas, e os avanços tecnológicos possibilitam que isso seja feito em apenas alguns minutos. Nenhuma das figuras mais assustadoras da história - Gêngis Khan; Alexandre, o Grande; Adolf Hitler - tinha qualquer coisa parecida. Se no século XIII Khan decidisse esmagar um império ou Estado, isso levaria algum tempo. Se esse território fosse enorme - como a China -, essa empreitada, provavelmente, levaria décadas. No entanto, se o presidente Richard Nixon, em 1969, decidisse lançar um ataque nuclear no mesmo local, poderia ter aniquilado 100 milhões de chineses em uma tarde.
Se a humanidade tratasse essa nova arma da maneira que tratou todas as outras armas eficazes já inventadas antes, a próxima guerra mundial veria uma capacidade destrutiva quase divina. Muitas das centenas de pessoas que testemunharam o nascimento da era atômica perceberam isso no minuto em que viram o teste da Trinity no deserto. "Agora eu sou a morte, a destruidora de mundos", disse Oppenheimer.
Assim como com os cientistas, as reações dos norte-americanos foram variadas. Se você está envolvido em uma guerra mundial e seu lado adquire uma superarma, isso sem dúvida será visto de maneira positiva. Em seu livro In the Shadow of War, o historiador Michael S. Sherry descreve as reações variadas dos americanos após o anúncio do presidente Truman na televisão informando ao seu povo, e ao mundo, que a bomba havia sido lançada e explicando o que era essa nova arma e por que havia sido usada. "Alguns enfatizaram o orgulho pelas conquistas e a satisfação em obterem vingança contra os japoneses." Certas pessoas lamentaram que mais bombas não fossem jogadas sobre o Japão. "Outros - em especial, soldados que presumiram que a invasão do Japão era a única alternativa ao uso da arma - saudaram a paz que a bomba havia trazido mais depressa, e a própria bomba como uma ferramenta para manter a paz."
Outros viram a questão de maneira completamente diferente - para eles, a bomba era evidência do flagelo da guerra moderna. Houve quem sentisse que era um augúrio sobre o que o futuro nos reserva. O jornalista da CBS, Edward R. Murrow, disse o seguinte: "É raro, senão inédito, uma guerra terminar deixando os vencedores como um sentimento tão intenso de incerteza e medo - com o conhecimento de que o futuro é incerto e que a sobrevivência não é garantida."
CARLIN, Dan. O fim está sempre próximo: momentos apocalípticos, do colapso da Idade do Bronze até ameaças nucleares. Tradução de Flora Pinheiro. Rio de Janeiro: Happer Collins, 2020, p. 168-169.
A Donald Trump retornará à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025. Além disso, contará com a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes.
Abaixo, o mapa do resultado das eleições:
A Comunidade Oneida foi fundada em Nova York, por John Humphrey Noyes, sendo uma utopia de pessoas que sonhavam em viver altruisticamente como um só família. Durante pouco mais de trinta anos (1848-1880), cerca de 250 membros partilharam as propriedades, o trabalho e o amor. Noyes acreditava ter sido nomeado por Deus para esse propósito, e a comuna aditou um tipo não denominacional de protestantismo chamado de perfeccionismo - a crença de que se a fé em Cristo for forte o suficiente o indivíduo poderia se livrar do pecado ("perfeito"), nesta vida, e de uma vez por todas. Esses perfecionistas estavam determinados a trazer o céu à Terra, neutralizando o pecado com atos altruístas. O paraíso seria o lugar onde todas as propriedades e relações (sociais e sexuais) seriam compartilhadas. Isso seria o "comunismo bíblico".
Esperava-se que aqueles que aderissem à Comunidade Oneida ingressassem na ordenança sagrada do matrimônio grupal ou pantogamia. Nesse tipo de relacionamento heterossexual, a monogamia era proibida, o celibato era desencorajado e o amor livre foi fortemente incentivado. Cada indivíduo deveria amar toda a família da comunidade, fazendo sexo com os membros do sexo oposto sem ciúmes ou egoísmo. Não deveria haver exclusividade no amor que encorajasse a formação de casais. Isso não significava que não se pudesse encontrar um prazer especial em um parceiro - desde que tal ligação aumentasse a capacidade de amar mais a todos e fortalecesse o amor por todos. Caso contrário, isso seria considerado um relacionamento exclusivo de dois egos centrados unicamente em si mesmos. Considerado desprezível e egoísta, esse tipo de vínculo era rotulado como um pecado, o chamado "amor especial".
Na utopia comunista da Comunidade Oneida, os homens evitavam a ejaculação como controle de natalidade e como meio de libertar as mulheres do trabalho penoso da gestação. O coitus reservatus pode não ser uma boa prática contraceptiva, mas parece ter funcionado razoavelmente bem em Oneida. Ao longo dos primeiros vinte anos da comunidade (1848-1868), as mulheres comunitárias tiveram cerca de 35 filhos, uma taxa de natalidade considerado muito baixa. Muitas dessas crianças, e talvez a maioria, foram intencionalmente concebidas. Noyes, por exemplo, afirmou em novembro de 1849 que nenhuma gravidez não planejada havia ocorrido em dois anos, um período em que nasceram pelo menos nove bebês em Oneida. Alguns dessas gestações podem ter sido autorizadas para mulheres que desejavam ser mães, mas se aproximavam da menopausa.
Oneida foi também uma das utopias mais bem-sucedidas do ponto de vista econômico de todos os tempos. A sua prosperidade não se baseava na agricultura, mas na manufatura. Seu produto mais lucrativo foi uma armadilha de metal idealizada por um ferreiro local chamado Sewell Newhouse.
Bibliografia consultada: WONDERLEY, Anthony. Oneida Utopia - a community searching for human happiness and prosperity. New York: Cornell University Press, 2017, p. 100-101.
(...) A década de 1920 foi uma década de enormes mudanças para a população dos Estados Unidos: a mudança de uma sociedade predominantemente rural para uma sociedade predominantemente urbana e a disseminação do uso da eletricidade, dos automóveis e dos aparelhos de rádio, os quais entraram na vida de milhões de norte-americanos. Foi também o início do transporte aéreo comercial e a revolução do mercado varejista, com a expansão das redes comerciais que resultou numa acentuada queda de preços. No entanto, quando os intelectuais se referem às épocas de "mudança" quase nunca mencionam a década de 1920, porque essas rápidas mudanças, na forma como milhões de americanos viviam a vida, não representam, contudo, os tipos particulares de mudança que a intelligensia idealiza, pois não participam dos mecanismos sociais sonhados. Aos olhos da maioria da intelligentsia, a década de 1920, nas raras vezes em que se pensa nela, é vista como um período de estagnação, de manutenção do status quo, presidido por administradores conservadores que se opunham às "mudanças".
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 165-166.
Certamente que muitos intelectuais públicos, ao comentarem sobre questões e eventos que estão fora do escopo de suas respectivas especialidades, nem sempre alcançam a acuidade exigida pelos padrões intelectuais, e isso nos melhores dos casos. No entanto, as muitas violações desses padrões pelos próprios intelectuais têm demonstrado repetidamente a distinção que buscam embaralhar entre o substantivo e o adjetivo. Isso inclui exemplos gritantes de irracionalismo e de "tendências" baseadas em observações distorcidas, como, por exemplo, que o capitalismo tornou os trabalhadores mais pobres, como se eles tivessem sido mais prósperos antes. Tais elucubrações estão carregadas de comparações desprovidas de critério intelectual, como aquela que o professor Lester Thurow pronunciou ao dizer que os Estados Unidos apresentavam o "pior" desempenho, entre as nações industrializadas, quando se tratava de desemprego, citando problemas de desemprego somente nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que ignorava completamente o problema crônico de desemprego muito pior que sofre a Europa ocidental, para não falar de outras regiões. Uma das violações mais comuns dos padrões intelectuais pelos próprios intelectuais é atribuir uma emoção (racismo, machismo, homofobia, xenofobia, etc.) àqueles que detêm pontos de vista diferentes, em vez de responder a seus argumentos.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 442.
Durante o período relativamente breve do envolvimento militar norte-americano na Primeira Guerra Mundial - um pouco mais de um ano e meio -, um pacote singularmente expressivo de regulamentações federais sobre a condução da vida interna dos Estados Unidos entrou em vigência, confirmando a visão intelectual dos progressistas que viam a guerra como uma oportunidade valiosa para substituição dos processos tradicionais de tomada de decisões, baseados em mecanismos socioeconômicos individuais para a implantação de formas coletivistas de controle e de doutrinação. Assembleias, comissões e comitês foram rapidamente criados e colocados sob a direção do Conselho da Indústria de Guerra, o qual passou a governar boa parte da economia, estabelecendo racionamentos e fixando preços. Enquanto isso, o Comitê de Informação Pública, descrito de forma correta como o "primeiro ministério moderno de propaganda do Ocidente", era criado e administrado pelo progressista George Creel, que tomou como missão tornar a opinião pública uma única e compacta "massa quente" de apoio aos esforços de guerra em nome de "100% de americanismo", rotulando todo aquele que "se recusasse a apoiar o presidente durante essa crise" como "pior que um traidor".
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 332.
A teoria sobre as "causas sociais" da criminalidade tem se mostrado igualmente imune às evidências em ambos os lados do Atlântico. Tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra os índices de criminalidade subiam vertiginosamente bem na mesma época em que as supostas "causas sociais do crime" - pobreza e falta de oportunidades - estavam diminuindo aos olhos de todos. A fim de ridicularizar por completo a teoria das "causas sociais", os distúrbios nos guetos, que varreram muitas cidades nos Estados Unidos na década de 1960, foram muito menos comuns nas cidades dos estados do Sul, onde a discriminação racial ainda era visível. Além disso, o distúrbio mais letal daquela época ocorreu em Detroit, onde o índice de pobreza da população negra estava 50% abaixo da média nacional, ao mesmo tempo que essa cidade apresentava o mais alto índice de conquista de casa própria entre a população negra, considerando todas as cidades dos Estados Unidos, além de o índice de desemprego estar, na época, em Detroit, em apenas 3,4%, um número menor do que o índice nacional de desemprego da população branca do período.
Os distúrbios urbanos fizeram-se mais frequentes durante a administração do presidente Lyndon Johnson, quando foram marcados pela promulgação marcante de uma legislação de direitos civis e uma expansão maciça de programas sociais chamados "guerra contra a pobreza". Por outro lado, tais distúrbios praticamente desapareceram durante os oitos anos de administração Reagan, um período de esvaziamento dos programas sociais.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 303.
Embora existam muitas controvérsias de natureza judicial sobre questões particulares, a controvérsia mais fundamental a rondar esse campo é a que versa sobre quem deve controlar as leis e quem deve alterá-las. Os intelectuais norte-americanos favorecem, desde pelo menos a metade do século XX e de forma esmagadora, a expansão do papel do juízes, que, segundo eles, devem ultrapassar o âmbito de aplicar as leis criadas por terceiros, refazendo-as para que "estejam apropriadas com os novos tempos", o que vale dizer subordinando a justiça aos interesses da visão predominante da época em questão, a visão do intelectual ungido.
Sempre que a Constituição dos Estados Unidos se apresenta como barreira para o pleno exercício da função expandida dos juízes eles são exortados a "interpretar" a Constituição, entendida como mero conjunto de valores a ser aplicado da forma que os juízes julgarem mais conveniente, atualizando-a sempre que acharem necessário. Nesse caso, a Constituição não é vista como um conjunto de instruções específicas a ser seguido, e é exatamente isso o que significa "ativismo judicial", embora a manipulação retórica tenha conseguido confundir esse sentido com outros.
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O verdadeiro problema do ativismo judicial é sobre a questão que envolve a fundamentação das decisões dos juízes. Pergunta-se, então, se essas decisões se sustentam em leis criadas por outros, incluindo as assembleias constituintes, ou se, ao contrário, são os próprios juízes que embasam suas decisões em suas concepções sobre "as necessidades da época" e de "justiça social" ou em outras considerações que estão além do que está escrito na lei ou nos precedentes legais.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 260 e p. 265.
Por vezes, a "dificuldade" em se mudar as leis e especialmente a dificuldade em se criar emendas constitucionais é invocada como razão para justificar por que os juízes devem se tornar os agentes que aceleram as mudanças. Por exemplo, Herbert Croly, o editor-chefe da revista New Republic, disse, em seu clássico da era progressista, The Promise of American Life, o seguinte: "No final, todo governo popular deveria, depois de uma deliberação necessariamente estudada, consolidar o poder para ser capaz de tomar qualquer ação necessária, sempre que o bem-estar público está em jogo, segundo a maioria da população". Ele completou: "Isso não é possível com um governo subordinado ao controle da Constituição Federal". Ele deplorava o que chamava de "a imutabilidade da Constituição". Muitos outros, depois dele, avançaram na tese sobre a dificuldade de se criar emendas constitucionais. Mas dificuldade não é algo que seja determinado pela frequência. Se as pessoas não querem uma coisa em particular, mesmo que a intelligentsia a considere desejável ou até imperativa, isso não é uma dificuldade. Isso é democracia.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 250.
O azar de Hoover foi ter sido presidente dos Estados Unidos durante a quebra da Bolsa de 1929, o que foi seguido pelo início da Grande Depressão da década de 1930. Se nunca tivesse se tornado presidente, Herbert Hoover poderia ter sido lembrado pela história como um dos homens mais humanitários do século. Não foi somente a incrível quantidade de dinheiro que ele doou para causas filantrópicas antes de se tornar presidente, mas a maneira como ele arriscou sua própria fortuna pessoal para resgatar pessoas que passavam fome na Europa, durante a Primeira Grande Guerra, que o tornou um homem único.
Por causa das barreiras, da destruição e dos distúrbios, a Grande Guerra deixara milhões de famintos espalhados pela Europa. Hoover decidiu então formar uma organização filantrópica a fim de distribuir, em larga escala, alimentos para os famintos da Europa. Todavia, percebeu que se limitasse a operação às vias comuns, ou seja, primeiro captando dinheiro com doações para então comprar os alimentos, não haveria tempo e as pessoas morreriam, enquanto ele ainda recebia as doações. Hoover decidiu comprar os alimentos antes de recebê-los, colocando sua própria fortuna pessoal em risco caso não conseguisse, posteriormente, arrecadar o dinheiro para saldar sua operação. Finalmente, vieram doações suficientes para cobrir o custo com alimentação, mas não havia, num primeiro momento, garantia alguma de que isso aconteceria quando resolveu arriscar a operação.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 207-208.
Uma das queixas mais comuns contra a Standard Oil era de que a empresa conseguira adquirir estradas de ferro para que pagasse menos com o transporte de seu petróleo, tendo um custo menor do que era cobrado no transporte de seu petróleo, tendo um custo menor do que era cobrado no transporte dos concorrentes. Tal desigualdade era, certamente, um anátema para aqueles que pensavam em termos de pessoas abstratas num mundo abstrato, ignorando o que havia de específico sobre a Standard Oil, tornando-a diferente, e que se apresentava como a razão pela qual John D. Rockefeller angariou fortuna num segmento industrial no qual muitos outros acabaram falindo. Os vagões-tanque da Standard Oil eram mais fáceis de transportar do que o petróleo transportado em barris pelas outras empresas. No entanto, Theodore Roosevelt, que pouco ou nada conhecia de economia e tinha perdido uma grande porção de sua herança em seu único empreendimento de negócios, disse que os índices de desconto no transporte eram discriminatórios e deveriam ser proibidos "de todos os modos e formas". O senador John Sherman, autor da lei antitruste, também promulgou uma legislação para banir os índices diferenciais de transporte, aparentemente beneficiando a refinaria que transportava seu petróleo em barris.
Empresas com política de baixo preço com frequência geram grandes perdas para seus concorrentes, os quais cobram preços mais altos. Mas tão óbvio quanto parece, isso não interrompeu os protestos movidos pela intelligentsia e alcançou a legislação, os políticos e as decisões tomadas nos tribunais, que visavam não apenas punir a Standard Oil no início do século XX, mas, posteriormente, outros segmentos, abarcando desde a cadeia de supermercado A&P, no passado, até a Microsoft de nossos dias.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 114-115.
No intuito de salvaguardar os empregos dos americanos, limitando as importações que competiam com os produtos nacionais, o Congresso permitiu, em 1930, as tarifas Smoot-Hawley, as mais altas em mais de um século, apesar de um apelo público assinado por mais de mil economistas com um aviso a respeito das consequências. As outras nações, obviamente, retaliaram, procedendo exatamente como os economistas previram. Isso reduziu drasticamente as exportações norte-americanas, e os empregos que dependiam do setor despencaram, de forma que o índice de desemprego subiu ainda mais em vez de cair. No início da implantação das tarifas, o nível de desemprego subiu mais drasticamente do que ocorrera na sequência da quebra da Bolsa. O nível de desemprego estava em 6,3% em junho de 1930, oito meses após a queda da Bolsa, quando as tarifas Smoot-Hawley foram adotadas. Porém, um ano mais tarde, o índice de desemprego alcançava 15%, e no ano seguinte saltou para 25,8%.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 118-119.
A colheita de 1621 não foi abundante, e os colonos não eram trabalhadores tenazes. O ano de 1621 foi de fome e muitos dos colonos eram ladrões preguiçosos. Nos banquetes das colheitas de 1621 e 1622, "todos tiveram a barriga saciada", mas apenas brevemente. A condição prevalecente durante aqueles anos não foi a abundância que a história oficial afirma, mas a fome e a morte. A primeira "Ação de Graças" não foi tanto uma celebração, mas a última refeição dos condenados.
Saiba mais: Mises Brasil.
Os Estados Unidos são agora a grande potência do mundo. Mesmo assim, quem pode elogiar um sistema educacional que produz jovens incrivelmente ignorantes - exceto por uma pequeníssima minoria - em História, Geografia e idiomas estrangeiros, e extremamente despreparados para lidar com quaisquer problemas maiores do que os da própria vizinhança? Pior ainda, qual o futuro de um povo cuja escolaridade o capacitou, na melhor das hipóteses, a determinar o preço de tudo - mas o valor de nada? Nós, norte-americanos, encontramo-nos, hoje, politicamente dominantes e intelectualmente enfraquecidos. Os conservadores têm diante de si um trabalho complexo de restauração intelectual.
KIRK, Russell. A Política da Prudência. Tradução de Gustavo Santos e Márcia Xavier de Brito. São Paulo: É Realizações, 2013, p. 302.
A Constituição dos Estados Unidos da América não menciona a educação (ao contrário das constituições latinas). Os norte-americanos ignoravam o conceito mesmo de instrução pública até a segunda metade do século XIX. A ideia de um sistema escolar controlado pelo Estado era completamente alheio à cosmovisão dos Pais Fundadores e dos colonos ingleses. Ainda assim, as comunidades puritanas apresentavam elevadíssimos índices de alfabetização, uma vez que sua cultura repousava na leitura da Bíblia.
Assim, os pioneiros eram letrados por obrigação religiosa. Os mais abastados mandavam os filhos para um estabelecimento particular ou contratavam tutores privados, mas cada cidade mantinha um centro de escolarização gratuita chamado de common school e aberto a todas as classes sociais. Cada localidade organizava currículos e aulas com total autonomia. Não existia sistema de credenciamento, ministério responsável, obrigatoriedade legal, mecanismo de seleção de livros ou curso de formação docente. Não havia sombra de centralização ou de supervisão governamental. Mas funcionava a contento, pois a tradição calvinista passava sem falha de uma geração à outra.
Adaptado de LAMBERT, Jean-Marie. Educação Unesco - a clonagem das mentes. Londrina, PR: E.D.A., 2020, p. 13-14.