domingo, 5 de janeiro de 2025
Historia magistra vitae est. Cícero (106-43 a.C.)
Um judeu austríaco, sentindo a iminente ocupação de seu país por Hitler, passa a estudar várias hipóteses de emigração. Vai até um agente de viagens para se aconselhar. O agente pega um enorme globo e começa a relatar as exigências para entrada em vários países. Logo fica claro que muitas das opções são cheias de dificuldades. Um país exige atestado de emprego. Um terceiro país exige dos interessados a posse de alta quantia em dinheiro; enquanto um quarto simplesmente não quer mais saber de imigrantes, especialmente judeus. Finalmente, desesperado, o judeu pergunta:
A relação entre o judaísmo e o socialismo soviético é uma longa história marcada pela incompreensão, pela hostilidade, e finalmente pela tragédia. Quando eclodiu a revolução bolchevique, em 1917, muitos judeus a ela aderiram entusiasticamente, convictos de que através de um regime igualitário teriam fim os sofrimentos do povo judeu. Tal não aconteceu; a emancipação judaica nunca chegou a ocorrer na URSS, e entre os expurgados e eliminados, estava um número suspeitável de judeus.
Ao comprovar sua incapacidade de viver conforme suas tradições, ou de abandonar o país, dois milhões de judeus soviéticos se voltaram precocemente para o humor, como meio de superar as extraordinárias pressões e tensões da existência cotidiana. Neste sentido, bem podem ser considerados precursores da Perestroika.
O humor judaico, por ser essencialmente antiautoritário, se desenvolve mais onde a censura é maior; vai de boca em boca à velocidade da luz e não pode ser detido por nenhuma KGB. Talvez os judeus não sejam livres, mas a piada judaica certamente o é.
No transcurso de todo o humor posterior a 1917, o herói central da piada judia - o pobre Abraham Rabinovich - se ajeita para enfrentar a vida com infinita reserva de bom-senso e otimismo, configurando, talvez, a mais rica tradição oral da URSS. Este mítico e satírico personagem, que enlouquece as autoridades com sua lógica e ironia, é sem nenhuma dúvida uma das figuras que definem o campo de humor judaico na União Soviética.
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No humor sobre o antissemitismo encontra-se, frequentemente, uma combinação única de esperança, ironia e ceticismo. No caso do nazismo, este humor torna-se dilacerante, devido à tragédia que envolve. No Gueto de Varsóvia contavam-se até piadas sobre Hitler, que recebeu o codinome de Horowitz.
O humor judaico húngaro está a meio caminho entre a ingenuidade do humor dos alemães e a picardia do humor dos judeus da Europa Oriental.
Judeus sefaradis. Meramente ilustrativo.
FINZI, Patricia et al. (edição, seleção e textos). Do Éden ao divã - Humor Judaico. São Paulo: Shalom, 1990, p. 112.
Oficialmente, a campanha eleitoral começa hoje. Na pré-campanha, já vimos algumas "pérolas", como o presidente municipal do PT em Laje do Muriaé, RJ, que prometeu "trabalhar muito e roubar pouco". Rimos também com o ex-prefeito de Cocal, PI, que se gabou de ter roubado menos do que o atual. E, agora, aparece essa figura aí em Brusque, SC, "Donald Trump Bolsonaro"... ahahah... (fonte: O Município).
Brincadeiras à parte, é importante destacar que essas eleições serão diferentes das anteriores. Este houve uma combinação de fim das coligações e estabelecimento da cláusula de barreira. A cláusula de barreira vigorou em 2018. Os partidos precisavam atingir 1,5% dos votos - dentre outros requisitos - para se manterem. Aqueles que não atingirem o desempenho terão restrições de estrutura no Congresso, perderão acesso a parte do fundo partidário e tempo de televisão. Com o fim das coligações proporcionais, os partidos menores não poderão mais se juntar a um partido maior para a disputa de cargos legislativos.
A combinação simultânea dessas duas regras é a maior mudança eleitoral desde sempre. Isso significa que é cada um por si - cada partido terá que atingir com as próprias pernas o QP (Quociente Partidário, que equivale ao número de cadeiras que o partido tem direito ao final das eleições).
Como será mais difícil atingir o QP e com a cláusula de barreira batendo à porta, os partidos precisarão mudar seu comportamento na disputa por votos. A eleição para prefeito tende a ser fragmentada, já que todos buscarão lançar seu candidato a prefeito para conduzir o apelo a votar na bancada. Já entre os candidatos a vereadores, os partidos buscarão atrair pessoas de grande projeção na sociedade para atuarem como "puxadores de votos". O objetivo final será sobreviver à cláusula de barreira e chegar bem posicionado para as eleições de 2022.
As eleições de 2022, a propósito, será dura para os partidos, uma vez que a cláusula de barreira subirá para 3%, com requisitos ainda mais restritos. Não restam dúvidas de que muitos partidos precisarão se fundir para evitarem a extinção de uma forma ou de outra.
Apesar disso, coligações majoritárias ainda podem ocorrer. O candidato a prefeito pode fazer alianças (ou prometer secretarias, ou qualquer outro arranjo) a partidos menores para incorporar seu tempo de propaganda eleitoral obrigatória. Não há como negar, contudo, que a propaganda na televisão e no rádio perderam importância das eleições de 2018 para cá. É muito mais interessante, desde então, ter um exército aguerrido de militantes para pedir votos no WhatsApp. Existe pouca regulamentação no campo virtual.
Fonte: TSE e @ceciliadolago