segunda-feira, 1 de junho de 2026
Faleceu, no último sábado, Nestor da Silva, pracinha da FEB e herói de guerra brasileiro. Para sempre seremos gratos.
Historia magistra vitae est. Cícero (106-43 a.C.)
Faleceu, no último sábado, Nestor da Silva, pracinha da FEB e herói de guerra brasileiro. Para sempre seremos gratos.
A ideia de jihad como uma guerra contra o Ocidente teve na obra de Sayyid Qutb (1906-1966) uma de suas formulações mais influentes. Qutb, sobre quem há uma obra disponível aqui, buscava promover uma revolução moral e religiosa. O ideólogo contribuiu para isso promovendo uma crítica profunda ao Ocidente (seria materialista, imoral e destrutivo). Essa crítica fomentou a noção de que o Islã deveria resistir à influência ocidental, não apenas militarmente, mas cultural e espiritualmente. O Ocidente representaria uma pressão que desviava os muçulmanos de Deus.
Nesse sentido, a jihad seria um instrumento de libertação. Ela não constituiria mero ataque militar, mas um esforço para retirar a humanidade do domínio humano e colocá-la sob domínio de Deus. Ou seja, para Qutb, a jihad era "guerra contra sistemas humanos opressores", que ele via no Ocidente e em governos muçulmanos seculares. Por fim, Qutb defendia que uma elite fiel (tali'a) deveria iniciar uma transformação de cima para baixo, semelhante à dos primeiros companheiros de Maomé. Essa ideia de "vanguarda" inspirou movimentos que passaram a pensar em lutas revolucionárias contra Estados estabelecidos, especialmente aqueles ligados ao Ocidente.
Após a execução de Qutb pelo governo egípcio, em 1966, suas obras foram apropriadas por militantes que exageraram o aspecto militar de sua teoria, ignoraram suas advertências éticas contra violência indiscriminada e transformaram a "libertação humana" em retórica de guerra.
Ontem, o Brasil foi abalado com as notícias de uma megaoperação das forças de segurança do estado do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, com saldo oficial de 113 presos, 91 fuzis apreendidos e mais de 120 mortos, dentre eles dois policiais civis e dois militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).
Segundo o projeto RULAC da ICRC, tal situação de violência assume a dimensão de conflito armado não-internacional (CANI/NIAC).
São características do CANI: um conflito em que pelo menos um dos lados é um grupo armado organizado e a violência prolongada entre o Estado e um grupo armado organizado.
Em julho de 552, foi travada a Batalha de Tagina, também conhecida como Batalha das Tumbas dos Galos (Busta Gallorum), perto da atual Gualdo Tadino, Itália.
As forças do Império Romano do Oriente (ou Bizantino) foram comandadas por Narses, ao passo que os ostrogodos foram liderados pelo seu rei, Tótila. Narses utilizou uma tática defensiva forte, posicionando a sua infantaria germânica no centro, em formação densa e flanqueando-a com tropas bizantinas e 4 mil arqueiros em cada ala.
Após uma vitória decisiva dos bizantinos, os ostrogodos abandonaram a formação e fugiram no início da noite. Tótila foi morto, provavelmente durante o tumulto da fuga, e o caminho se abriu para a conquista bizantina total da Península Itálica.
A vitória de Narses em Tagina foi decisiva, marcando um ponto crucial da Guerra Gótica (535-554). Embora os ostrogodos ainda tenham tentado reagrupar-se sob o sucessor de Tótila, Teia, a derrota final na Batalha de Mons Lactarius, no ano seguinte, marcou o fim do domínio ostrogótico na Itália.
O relato abaixo é sobre Seleuco I Nicátor (359-281 a.C.), um dos Diádocos ("sucessores" de Alexandre Magno). Seleuco venceu a Sexta Guerra dos Diádocos, em 281, na qual morreu Lisímaco, outro Diádoco.
Seleuco possuía agora toda a Ásia desde o Egeu até o Afeganistão: quase todo o antigo Império Persa, exceto o Grande Egito e os territórios que havia cedido a Chandragupta. O rei egípcio deve ter pensado que seria seu próximo objetivo, sobretudo desde que Seleuco incorporou a Cerauno à sua corte, indicando assim que olhava com bons olhos sua prerrogativa de ocupar o trono egípcio. Em geral, as cidades gregas da Ásia deram as boas-vindas a Seleuco oportunisticamente, embora tenham tido que expulsar as guarnições lisímacas de Sardes e dos demais lugares.
Seleuco dedicou apenas uns meses a estabilizar a situação e a planejar o futuro da Ásia Menor, antes de dar o seguinte passo lógico. No verão de 281 cruzou o Helesponto e marchou a Lisimaquia para reclamar também as posições de Lisímaco na Europa. Junto com a Trácia e a Macedônia, Seleuco governaria efetivamente o mundo. Estava mais próximo ainda que o próprio Antígono de emular a Alexandre.
Não havia exército que pudesse resistir-lhe (era "o conquistador de conquistadores"), mas até o comandante de um vasto exército era vulnerável como homem. No mesmo mês de setembro, enquanto cavalgava nas proximidades de Lisimaquia, Cerauno matou traiçoeiramente a Seleuco com suas próprias mãos. Cerauno havia decidido renunciar ao Egito (um osso demasiado duro de roer) e tirar proveito da confusão reinante, para estabelecer-se na Europa. O irônico é que Seleuco havia dado abrigo a quem seria seu assassino. Foi um final infeliz para um dos sucessores mais ousados e empreendedores. Pelo menos, ao nomeado rei conjunto a Antíoco, havia deixado o seu império o mais estável possível.
WATERFIELD, Robin. La Guerra por el imperio de Alejandro Magno. Traducción de Inés Beláustegui. Madrid: Gredos, 2012, p. 293-294.
Já não havia um único império macedônico ao qual oficiais e homens devessem lealdade. A desintegração do império como um todo implicou que essa lealdade passava a limitar-se à província concreta, e se convertia em uma lealdade a si mesmos ou ao patrão que lhes pagava, seu rei.
Ainda que seja possível que a essas alturas os sucessores [ou diádocos] sentissem que seus territórios eram relativamente estáveis, eles seguiam querendo mais. Essa era a sua missão como reis. A categoria de rei de obtinha mediante a guerra e se mantinha mediante a guerra, e todos os reis helenísticos, desse período e posteriores, se apresentavam a si mesmos como homens de guerra, até em sua maneira de se vestir. Dentro de um sangrento círculo sem fim, o êxito militar trazia riquezas (graças aos saques e os pagamentos de compensações) e acrescentava territórios, o qual permitia ao rei gerar mais receitas, pagar mais soldados e, por conseguinte, obter maiores êxitos militares. Assim raciocinava um monarca; essa é a razão pela qual os reis sempre estavam em guerra uns com os outros. Foram necessários anos para romper esse círculo de destruição, assim como para que se reconhecesse um equilíbrio de poder graças ao qual a monarquia ficasse determinada pelo direito hereditário mais que pelas vitórias. O direito hereditário era irrelevante para os sucessores porque eles eram os pioneiros; eram reis pelas suas conquistas, não pelo sangue que corria em suas veias.
WATERFIELD, Robin. La Guerra por el imperio de Alejandro Magno. Traducción de Inés Beláustegui. Madrid: Gredos, 2012, p. 213.
As principais fontes sobre o conflito entre gregos e troianos, por volta de 1200 a.C., no fim da Idade do Bronze, são as obras de Homero. Há sete anos, fizemos um post, disponível aqui.
Segundo a mitologia, a guerra começou quando Páris, príncipe troiano, raptou (ou seduziu) Helena, esposa do rei espartano Menelau. Em resposta, os gregos (aqueus) organizaram uma grande expedição liderada por Agamenon, irmão de Menelau, para atacar Troia e recuperar Helena.
A guerra durou dez anos e envolveu heróis como Aquiles, Ulisses (Odisseu), Heitor e Ájax. Quando os troianos levaram para dentro de sua cidade um enorme cavalo de madeira deixado como "presente" pelos gregos, que supostamente haviam desistido do cerco e retornado para a sua terra, eles caíram numa armadilha. Achando que haviam levado um cavalo para dentro de Troia, na verdade os troianos abrigaram guerreiros gregos, que saíram de dentro do cavalo e abriram os portões à noite. O restante dos gregos, que haviam se ocultado em ilhas próximas, retornaram, invadiram e destruíram a cidade.
Embora inspirada em fatos históricos do fim da Idade do Bronze (século XII a.C.), a Guerra de Troia, como descrita nos mitos, é sobretudo um episódio épico que envolve história e lenda.
Travada às margens do Rio Trébia, na Gália Cisalpina (norte da Itália), em 18 de dezembro de 218 a.C., entre as tropas cartaginesas de Aníbal e as legiões da República romana.
Aníbal havia acabado de completar a audaciosa travessia dos Alpes. Após um primeiro e menor sucesso em Ticino, o general cartaginês estava no vale do Rio Pós, reforçando suas tropas com a adesão de tribos gaulesas. Os cônsules Públio Cornélio Cipião e Tibério Semprônio Longo, uniram suas forças para enfrentá-lo.
Na manhã gelada de dezembro, Aníbal enviou a sua cavalaria númida para provocar o acampamento romano. Apressado e confiando, o cônsul Semprônio ordenou que seus 40 mil homens atravessassem o Rio Trébia imediatamente para enfrentar a cavalaria inimiga. Os legionários fizeram uma exaustiva travessia pelas águas geladas do rio, enfrentando a seguir a força principal de Aníbal, que tinha superioridade em cavalaria e elefantes de guerra. Quando as linhas principais estavam engajadas no combate, uma força oculta de 2 mil homens liderada pelo irmão de Aníbal, Magão Barca, despontou de uma ravina para atacar a retaguarda romana. As legiões, presas no centro, foram massacradas e cercadas, sofreram baixas massivas - entre 20 mil e 32 mil homens foram mortos, feridos ou capturados.
A vitória cartaginesa em Trébia foi um choque para a República romana. A derrota do exército romano deu início à sequência de grandes vitórias de Aníbal, culminando no desastre de Canas, dois anos depois.
A Dinastia Fatímida estabeleceu um Califado xiita ismaelita que governou uma vasta área do Norte da África e do Oriente Médio. A dinastia foi fundada em 909, por Abedalá Almadi Bilá, na Ifríquia (atual Tunísia) após derrubarem a dinastia Aglábida. Sua capital foi Mádia e, além da ação militar, a difusão da sua fé pelo Norte da África, pela ação de missionários ismaelitas, resultou na consolidação do seu poder pelo Magrebe.
Em 969, os fatímidas (que têm esse nome porque alegavam descender de Ali e sua mulher Fátima, filha do profeta Maomé) conquistaram o Egito. Eles fundaram o Cairo, que se tornou sua nova capital, além de um grande centro de cultura, comércio e aprendizado islâmico. A partir dali o seu controle se expandiu para a Palestina, a Síria e, por um tempo, partes da Arábia, incluindo as cidades sagradas de Meca e Medina. A rivalidade com o Califado Abássida, sunita, foi marcante. A partir do século X, os fatímidas se enfraqueceram, devido a crises internas, disputas pelo poder, crises econômicas e a ascensão de novas potências, como os Seljúcidas. Em 1171, o vizir Saladino dissolveu o Califado Fatímida, restaurando o Islã sunita no Egito e fundando a Dinastia Aiúbida.
O exército romano tornou-se famoso pela infantaria e pela cavalaria. Porém, sua artilharia também não ficava em nada a dever. Acima, segue o Scorpio, uma poderosa máquina de guerra que também consta na seção de colecionismo do blog.
Por séculos, os guerreiros do Islã dominaram os campos de batalha, da Arábia à Ásia Central, do Norte de África à Espanha. Se é verdade que rápida expansão dos árabes, a partir do século VII, não pode ser explicada sem que consideremos o enfraquecimento dos impérios Bizantino e Sassânida, bem como a indiferença dos citadinos quanto a quem os governaria, também é verdade que a coragem, a força e o senso de unidade dos árabes era reconhecido até pelos seus inimigos. Tudo isso nos remete a uma antiga profecia, que consta no primeiro livro bíblico:
"E ele será homem selvagem; sua mão será contra todo homem, e a mão de todo homem contra ele; e ele habitará na presença de todos os seus irmãos." Gênesis 16:12 (KJV)
O ano de 1970 foi dominado pela tentativa de radicais palestinianos de provocar uma revolução na Jordânia. Rivalizaram em atos espetaculares de terrorismo internacional, que culminaram, no início de setembro, no desvio de quatro aviões civis internacionais, tendo três dos quais sido levados para uma pista deserta no norte da Jordânia, onde os fizeram explodir. Nesse mês, que ficou conhecido como Setembro Negro, a Organização de Libertação da Palestina tentou derrubar o rei Hussein. A resposta implacável do rei, em que foram mortos 2000 elementos da OLP e vários outros milhares de civis palestinianos, levou a Síria a ameaçar invadir a Jordânia. Para pôr fim a essa ameaça, Israel concentrou os seus tanques nos montes Golã, ameaçando Damasco. Israel sentia-se capaz de desafiar a Síria, em defesa de Hussein, porque os EUA tinham dado a garantia de socorrer Israel caso a União Soviética interviesse.
O segundo efeito da reação de Hussein foi a fuga da OLP para o Líbano, apoderando-se da região sul do país.
GILBERT, Martin. História de Israel. Tradução de Patrícia Xavier. Lisboa: 70: 2009, p. 459.
O cessar-fogo nos montes Golã entrou em vigor às 18:30 do dia 10 de junho [de 1967]. A Guerra dos Seis Dias chegara ao fim. Dois dias mais tarde, soldados israelitas foram transportados de helicóptero para assumirem o controle do forte sírio abandonado no cume do monte Hermon. Este foi o único caso de expansão territorial conseguida após o cessar-fogo. "Podíamos ter alargado a área sob o nosso controle", escreveu Rabin mais tarde. "Não havia uma força egípcia capaz de deter as FDI se tivéssemos decidido ocupar o Cairo. O mesmo era verdade em relação a Amã, e a 11 de junho teríamos tomado Damasco sem grande esforço. Mas não tínhamos partido para a guerra para conquistar territórios e aqueles que ocupáramos já nos sobrecarregavam bastante."
Seria um pesado fardo para Israel ao longo das três décadas seguintes. Rabin descreveu o problema sucintamente 12 anos mais tarde. "Israel via-se agora a braços com três grandes problemas", escreveu, "dois dos quais nos perturbaram continuamente desde a Guerra dos Seis Dias até hoje. O primeiro problema foi vermo-nos, de um dia para o outro, com uma vasta extensão de território em nosso poder. A área ocupada pelas FDI era três vezes superior ao Estado de Israel pré-guerra, pelo que tivemos dificuldade em estabilizar novas linhas defensivas em cada uma das três frentes (especialmente no canal de Suez). Até então, nunca tínhamos pensado a distância em termos de centenas de quilômetros. Além disso, tivemos de superar os problemas de logística e transporte daí resultantes com recursos humanos limitados, uma vez que dezenas de milhares de reservistas regressaram aos seus campos, fábricas e escritórios."
Israel passara a ter sob a sua alçada um milhão de árabes palestinos, incluindo centenas de milhares de refugiados dos combates de 1948.
GILBERT, Martin. História de Israel. Tradução de Patrícia Xavier. Lisboa: 70: 2009, p. 434.
Três anos atrás, o mundo assistia estupefato a invasão da Ucrânia pela Rússia, eufemisticamente chamada de "Operação Militar Especial". Desde então, centenas de milhares de vidas foram ceifadas, bilhões de dólares foram gastos dilapidados e milhões de ucranianos vivem como refugiados em outros países.
No domingo, compreenderemos melhor os desdobramentos desse conflito a partir das excelentes análises do Dr. Ruben Dargã Holdorf.
Com a campanha do Sinai [em 1956], Israel destruiu a sua anterior imagem de um mini-Estado impotente e cercado, com os dias contados, e dependente, para a sua sobrevivência, da vontade e dos caprichos do seu mais vasto vizinho árabe [o Egito]. Oito anos depois de ascender à posição de Estado, um muito curto espaço de tempo, afinal, na história das nações, Israel já não parecia vulnerável ou com uma existência temporária. A sua posição internacional melhorou dramaticamente em resultado da campanha, tal como a coragem e a reputação do seu exército de cidadãos, as Forças de Defesa de Israel. A força militar israelita, a força real tanto quanto a ideia que dela se fazia, tornar-se-ia, nos dez anos seguintes, o seu mais importante trunfo nas relações com o mundo árabe.
GILBERT, Martin. História de Israel. Tradução de Patrícia Xavier. Lisboa: 70: 2009, p. 366.
O mufti al-Husseini e Hitler, em 1941.
A 28 de setembro de 1944, Churchill anunciou na Câmara dos Comuns que um Grupo de Brigadas judaicas seria organizado, treinado e armado pela Grã-Bretanha como uma unidade militar para atuar na linha de frente. Cinco dias mais tarde, a 3 de outubro, o mufti de Jerusalém, então em Berlim, escreveu ao comandante das SS, Heinrich Himmler, propondo-lhe o estabelecimento de "um exército árabe islâmico na Alemanha". O governo alemão, acrescentava Haj Amin, "deveria declarar a sua prontidão para treinar e armar esse exército. Desse modo, desferiria um duro golpe contra os planos dos britânicos e aumentaria o número de combatentes por uma Alemanha mais vasta".
O mufti estava convencido de que, ao colocar um exército árabe ao serviço dos alemães, "teria repercussões extraordinariamente favoráveis nos países árabes islâmicos", por isso sugeriu o dia 2 de novembro, o aniversário da "infame Declaração de Balfour", para data do anúncio público. Um oficial de alta patente das SS já comunicara a Himmler que, numa conversa que tivera lugar a 28 de setembro, o mufti "comentara alegremente que se aproximava o dia em que conduziria um exército para conquistar a Palestina". Mas semelhante anúncio nunca viria a ser feito e o exército do mufti não passou de uma ficção produzida pela sua imaginação antissionista. O mufti permaneceu em Berlim, supervisionando as transmissões de propaganda nazi para o Médio Oriente e organizando o lançamento de paraquedistas em áreas controladas pelos britânicos. Um mês após o envio da carta do mufti a Himmler, foram lançados no norte do Iraque quatro paraquedistas árabes. Tinham como objetivo sabotar instalações petrolíferas britânicas, mas o chefe da aldeia informou a polícia e os sabotadores foram detidos.
Entretanto, os esforços do mufti no sentido de apoiar os nazistas não pararam por aí. Ao longo da Segunda Guerra Mundial, ele ajudou a organizar uma divisão das SS na Bósnia e, por isso, ao final do conflito foi detido pelos Aliados na França. Ali ele deveria aguardar o julgamento por crimes de guerra, mas escapou por pouco (da mesma forma que escapara aos britânicos, na Palestina, em 1937). Foi então para o Egito, onde, até à sua morte, 25 anos mais tarde, exortou os árabes da Palestina a desafiar de todas as formas ao seu alcance a colonização judaica, ao mesmo tempo que reivindicava a expulsão de todos os judeus da Palestina.
Em 1177 a.C., os egípcios foram vitoriosos, como já haviam sido em 1207 a.C. Os Povos do Mar não voltaram ao Egito uma terceira vez. Ramsés alardeou que o inimigo foi "abalroado e afundou no lugar em que estava". "Seus corações", ele escreve, "são levados; sua alma voa para longe. Suas armas são abandonadas no mar." Contudo, é uma vitória de Pirro. Embora o Egito sob Ramsés III fosse a única grande potência capaz de resistir de maneira exitosa aos ataques furiosos dos Povos do Mar, o Novo Império Egípcio nunca mais voltou a ser o mesmo, em grande parte devido a outros problemas enfrentados por toda a região mediterrânea durante esse período, como veremos adiante. Os faraós posteriores, durante o restante do segundo milênio a.C., tiveram de se contentar em governar um país com influência e poder bem menores. O Egito se tornou um império de segunda categoria, mera sombra do que já havia sido outrora. Foi somente na época do faraó Shoshenq, um líbio que fundou a XXII dinastia, cerca de 954 a.C. - e que é provavelmente identificado como o faraó Shishak da Bíblia hebraica - que o Egito voltou a ganhar importância.
Um judeu austríaco, sentindo a iminente ocupação de seu país por Hitler, passa a estudar várias hipóteses de emigração. Vai até um agente de viagens para se aconselhar. O agente pega um enorme globo e começa a relatar as exigências para entrada em vários países. Logo fica claro que muitas das opções são cheias de dificuldades. Um país exige atestado de emprego. Um terceiro país exige dos interessados a posse de alta quantia em dinheiro; enquanto um quarto simplesmente não quer mais saber de imigrantes, especialmente judeus. Finalmente, desesperado, o judeu pergunta:
Uma das maiores calamidades humanitárias do século XXI ocorreu há pouco mais de um ano, em setembro de 2023. Naquela ocasião, aproveitando-se do intenso envolvimento do exército russo na invasão da Ucrânia, e após nove meses de bloqueio ao corredor humanitário que atendia aos cristãos armênios do Artsaque, as forças do Azerbaijão lançaram uma ofensiva no Alto Karabakh, completando a anexação do território. O fim oficial da República de Artsaque foi declarado no dia 1º de janeiro de 2024. A Turquia deu suporte militar e diplomático ao Azerbaijão, durante todo esse processo.
Algumas poucas semanas depois da ofensiva do Azerbaijão contra os armênios, ocorreu o terrível Massacre do 7 de Outubro. Isso desviou a escassa atenção da comunidade internacional da tragédia que assolava os cristãos armênios do Alto Karabakh para as vítimas do Hamas, em Israel.
Na esfera internacional, envolvendo questões sobre guerra e paz, a intelligentsia com frequência diz que a guerra deveria ser o "último recurso". Mas muito depende crucialmente do contexto e do significado específico dessa frase. A guerra deveria ser, é claro, "um último recurso", mas último em termos de preferência, em vez de último no sentido de se aguardar indefinidamente enquanto os perigos e as provocações se acumulam sem resposta, enquanto o pensamento fantasioso ou os acordos ilusórios substituem sérios preparativos militares ou, se necessário, a ação militar. Como disse Franklin D. Roosevelt em 1941, "se você não atirar e esperar até que veja o branco dos olhos do outro, você nunca saberá o que o atingiu". A insistente irresolução da França durante a década de 1930 e o período da "guerra de araque", que terminou com o colapso do país em 1940, deu ao mundo um exemplo doloroso sobre como o cuidado excessivo pode ser levado a um ponto em que se torna perigoso.
SOWELL, Thomas. Os Intelectuais e a Sociedade. Tradução de Maurício G. Righi. São Paulo: É Realizações, 2011, p. 452-453.