“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

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Villa Borghese, Roma, Itália.
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150 Anos da Imigração Italiana

sábado, 17 de fevereiro de 2024

 

Comemora-se hoje os 150 anos da chegada do navio à vela La Sofia à capital do Espírito Santo. Ao todo, 388 camponeses - trentinos e vênetos - chegaram a Vitória em busca de oportunidades, inaugurando a imigração em massa de italianos para o Brasil. Eles foram contratados por Pietro Tabacchi, que possuía a fazenda "Monte das Palmas", em Santa Cruz. O empreendimento, que não prosperou, gerou descontentamentos e revoltas. Um grupo seguiu para colônias oficiais da Região Sul, enquanto outros aceitaram a proposta do Governo do Espírito Santo para se instalarem na "Colônia Imperial de Santa Leopoldina", sendo direcionados ao Núcleo de Timbuhy, no atual município de Santa Teresa.

No acervo do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES) há centenas de documentos relativos a esse período da história. Dentre eles, está um ofício que mostra a existência de imigrantes na localidade em outubro de 1874. Trata-se de um pedido de ressarcimento feito pelo colono Francesco Merlo, encaminhado no dia 28 de outubro de 1874 ao Presidente da Província. Com base nesse documento, foi publicada a Lei nº 13.617, que reconhece oficialmente a cidade de Santa Teresa como a pioneira da imigração italiana no Brasil.

Filme «Doutor Gama»

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 

Acesse gratuitamente aqui.

O Golpe da República

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

 

Dois dias após o último baile da monarquia, em 11 de novembro, houve a única reunião dos conspiradores militares com republicanos civis. O marechal Deodoro da Fonseca não queria a reunião. Três civis compareceram, Quintino Bocaiúva, Aristides Lobo e Rui Barbosa. Deodoro continuava a hesitar, mas no final pareceu concordar. Contudo, havia ainda muita incerteza e insegurança.

No dia 14, Benjamin Constant era favorável a um adiamento para o dia 18, quando todos poderiam estar melhor preparados. Além disso, Deodoro tivera outra crise de asma. Entretanto, o major Sólon decidiu precipitar o movimento. Dirigiu-se ao centro da cidade e começou a espalhar boatos que ele mesmo inventara de que o governo ordenara a prisão do marechal Deodoro e de Constant e que a Guarda Nacional, a polícia e a Guarda Negra iam atacar os quartéis do Exército.

Às 23h do dia 14 o golpe entrou em fase de execução. Deodoro e Constant ignoravam-no por completo. Foram levados para o Campo de Santana, onde seiscentos soldados não sabiam exatamente o que fazer. Alguns, pelo menos, achavam que deveriam defender o Exército contra a Guarda Nacional e a polícia. Alertado, Deodoro tomou uma carruagem e foi ao encontro das tropas. Os republicanos tinham reunidos algumas pessoas que davam vivas à República. Deodoro mandou que se calassem.

O visconde de Ouro Preto, chefe do Conselho de Ministros, recebera vários avisos sobre a conspiração, mas não lhes dera muita importância. Na madrugada do dia 15, uma sexta-feira, enviou um telegrama, que estava em Petrópolis. Começou, então, um jogo de empurra, de desculpas, de simulações, entre os chefes militares, o ministro da Guerra e Floriano Peixoto. Ninguém obedecia às determinações de Ouro Preto para atacar os revoltosos. A tarefa era fácil, pois havia ao redor e dentro do quartel um número de soldados três vezes superior ao dos atacantes. Deodoro chegou ao quartel e dirigiu-se a Ouro Preto, fazendo um discurso e, ao final, declarou deposto o ministério. Ouro Preto enviou outro telegrama ao imperador, pedindo demissão.

Durante todo o dia, houve grande conspiração. Os conspiradores se desesperavam com a indefinição de Deodoro. À tarde, José do Patrocínio reuniu gente na Câmara Municipal e fez a proclamação. Pelas 18h, vários republicanos se dirigiram à casa do marechal, que não os recebeu por estar de cama. Benjamin Constant respondeu por ele, evasivamente, dizendo que a decisão do povo seria levada em conta. Decepcionados, todos se retiraram.

O imperador só desceu ao Rio após receber o segundo telegrama, mesmo sem ter ideia da gravidade da situação. Enquanto isso, no palácio Isabel planejava-se uma reação. D. Pedro II foi diretamente para o paço da cidade, onde chegou às 15h, sem dificuldades.

Durante todo o dia 15, foi grande a confusão. A Câmara recém-eleita e o Senado ainda não se tinham reunido. Ouro Preto chegou ao palácio e indicou como sucessor Silveira Martins. Porém, o senador gaúcho estava em viagem, e era desafeto de Deodoro. Atacara o marechal no Senado e levara a melhor na disputa pelas atenções da baronesa do Triunfo, no Rio Grande do Sul. A simples referência a Silveira Martins pode ter sido a gota d'água para acabar com a indecisão de Deodoro.

A princesa Isabel e o esposo pediram a d. Pedro que convocasse o Conselho de Estado. Reunidos às pressas, às 23h, os conselheiros sugeriram que chamasse Saraiva ao invés de Silveira Martins. Procurado no hotel de Santa Teresa, onde morava, Saraiva aceitou o convite. A seguir, buscou contato com Deodoro, que respondeu ao emissário que era tarde. O imperador mantinha-se abúlico e fatalista.

No dia 16, sábado, a família imperial continuava sitiada no paço, onde ainda se pensou em reação. O comandante do Almirante Cochrane, almirante Bannen, ofereceu asilo ao monarca. Havia uma saída pelos fundos do palácio. Mas d. Pedro achou indigno fugir à noite e abrigar-se em navio estrangeiro. Às 15h do dia 16, o major Sólon chegou ao palácio com a mensagem da derrubada da monarquia, assinada por Deodoro. A família imperial era intimada a sair do país o mais rápido possível. O agora ex-imperador manteve-se imperturbável, irritando-se apenas quando o governo provisório antecipou a partida para as primeiras horas do dia 17. Com a decisão, o novo governo tentava evitar que houvesse manifestações populares, a favor ou contra a monarquia.

Adaptado de CARVALHO, José Murilo. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 215-219.

D. Pedro II e a Liberdade de Imprensa

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

 

Uma das muitas charges críticas ao imperador: sob seu reinado, a liberdade de imprensa era total.

[D. Pedro II] retomou no diário de 1862 alguns dos temas prediletos, como o da liberdade das eleições e da imprensa. Sobre a imprensa, sua posição foi sempre a mesma e se expressava de maneira simples, como disse a Caxias: 'A imprensa se combate com a imprensa.' Essa postura foi mantida ao longo de todo o reinado. Durante a guerra contra o Paraguai, o jornal Ba-taclan, publicado em francês no Rio de Janeiro por Charles Berry, ridicularizava os chefes militares brasileiros. D. Pedro impediu que fosse fechado, e protestava sempre que alguma violência era exercida contra jornais.

Somando-se essa postura do imperador com a vigência do anonimato, pode-se dizer que a imprensa nunca foi tão livre no Brasil como em seu reinado.  

CARVALHO, José Murilo. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 84. 

O Único Escândalo da Família Imperial

domingo, 7 de novembro de 2021

 

De 17 para 18 de março de 1882, joias da imperatriz e da princesa Isabel, avaliadas em quatrocentos contos, foram furtadas do palácio de São Cristóvão. Foram rapidamente achadas e devolvidas a d. Pedro. Mas o caso virou escândalo, o único durante todo o reinado a envolver a família imperial. O principal suspeito do furto era Manuel de Paiva, ex-empregado do paço, que foi solto logo após o encontro das joias. Tirando vantagem da grande liberdade de imprensa então vigente, quase licença graças ao anonimato, os pasquins e os jornais republicanos exploraram ao máximo o fato. Atribuiu-se a soltura de Manuel de Paiva a interferência pessoal do imperador. Não interessaria a este, acusava-se, que as investigações prosseguissem. Pasquins como O Mequetrefe sustentavam que Pedro II era refém do ex-empregado, que teria sido seu alcoviteiro e o acompanharia em aventuras amorosas noturnas. Os alvos de tais aventuras seriam a condessa de Barral, Mariquinhas Guedes, a viúva Navarro e mocinhas púberes. O Mequetrefe afirmou, grosseiramente, que o monarca era "doido por um caldinho de franga." 

CARVALHO, José Murilo. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 70-71. 

D. Pedro II, o Fiscal

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

 

Gabinete do "Magnânimo" no Palácio Imperial de Petrópolis.

"O imperador informava-se sobre tudo o que acontecia, lendo sobre tudo o que acontecia, lendo os jornais, visitando repartições públicas, ouvindo reclamações em audiências semanais. A carruagem imperial era vista com frequência cruzando aos solavancos as ruas mal calçadas da cidade a caminho de alguma repartição, escola, arsenal, hospital. Os ministros vingavam-se dessa fiscalização chamando d. Pedro de 'gênio de bagatelas'. Bem-humorado, Mendes Fradique diria mais tarde que o imperador fazia tudo, exceto a barba."

CARVALHO, José Murilo. D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 57. 

A Independência do Brasil

segunda-feira, 7 de setembro de 2020


Há exatos 198 anos, era proclamada a independência do Brasil em relação a Portugal. No post de hoje, tratarei brevemente desse processo de emancipação política.

De 1500 a 1822, a América Portuguesa esteve sob os reinados de D. Manuel I (1495-1521), D. João III (1521-57), D. Sebastião I (1557-78), D. Henrique I (1578-80), D. António I (1580), D. Filipe I (1581-98), D. Filipe II (1598-1621), D. Filipe III (1621-40), D. João IV (1640-56), D. Afonso IV (1656-83), D. Pedro II (1683-1706), D. João IV (1706-50), D. José I (1750-77), D. Maria I (1777-1816) e D. João VI, que assumiu a coroa de facto em 1816, e foi o último soberano antes de nossa independência.

Em virtude da transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, a colônia foi alçada à sede do império português. Graças à gestão do príncipe regente, D. João, o Brasil começou a experimentar um período de liberalização que, anos depois, conduziria o país à independência econômica antes mesmo da autonomia política, algo raro à época.

D. João não poderia ser classificado como um liberal, mas foi convencido de que o mais adequado era adotar algumas medidas de abertura da economia para preservar o país e o seu próprio governo. Ele foi influenciado pelo professor de economia política José da Silva Lisboa, que aliava princípios teóricos liberais com a prática. Nesse sentido, D. João decretou a abertura dos portos às nações amigas, defendeu o liberalismo econômico e político e o desenvolvimento de uma economia dinâmica no Rio de Janeiro e em outros pontos do país. Em abril de 1821, no entanto, precisou retornar a Portugal devido à exigência das Cortes Constitucionais de Portugal.

Antes de retornar a Portugal, o rei nomeou D. Pedro, seu filho e herdeiro, como regente do Brasil. Desde 1815, a outrora colônia portuguesa na América gozava do status de Reino Unido a Portugal e Algarve. Apesar disso, a situação econômica, política e administrativa brasileira por ocasião da partida da corte era bastante delicada.

Coube ao jovem Pedro, português e filho de D. João VI, negociar e proclamar o fim da submissão a Portugal. O apoio de José Bonifácio, o patriarca da independência, e de Maria Leopoldina foi fundamental na decisão de romper com a antiga metrópole. Apesar do desligamento, a Monarquia e a Casa de Bragança foram preservadas no poder.

O grande problema em tudo isso foi que as complexas tratativas para assegurar o apoio dos latifundiários e grandes comerciantes para a independência reforçaram a cultura estatista baseada em promessas de governo em troca de se atender a poderosos interesses privados. Além disso, havia o desafio de consolidar a independência, combatendo focos internos de resistência e, internacionalmente, obtendo o reconhecimento diplomático.

Poucos sabem mas, logo após a independência do Brasil, começou a ser formada a elite brasileira, nos mesmos moldes do que era feito pelo governo português. A partir de 1828, os seus aspirantes eram treinados nas duas escolas de direito sediadas no Brasil (São Paulo e Olinda). A seguir, passavam pela magistratura e por vários cargos políticos em diferentes províncias. Em todo esse processo, a elite política brasileira demonstrou seu alto grau de coesão, que teve como lado positivo a redução dos conflitos políticos internos. Por outro lado, restringiu-se o já pequeno espaço de mobilidade social por causa da preservação do status quo.  

Adaptado de GARSCHAGEN, Bruno. Pare de Acreditar no Governo - Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 89-99.

#15Fatos O Reinado de D. Pedro I

domingo, 31 de maio de 2020

A Proclamação da Independência, 1844, óleo sobre tela de François-René Moreau (1807-1860).  

1. Embora a independência tenha se consolidado em poucos anos, alguns conflitos foram relativamente graves. O oficial francês Pedro Labatut teve um papel destacado na organização das tropas leais ao príncipe regente, mas foi substituído em maio de 1823, pelo general brasileiro José Joaquim de Lima e Silva. Outro comandante importante na consolidação da independência do Brasil foi o lorde Cochrane. Os conflitos mais importantes ocorreram no Sul do país e na Bahia (onde os portugueses retiraram-se a 2 de julho de 1823, uma data tão importante para os baianos quanto o 7 de setembro).

2. Os Estados Unidos reconheceram a independência do Brasil em maio de 1824. O reconhecimento formal, por parte dos ingleses, só foi retardado porque estes tentaram conseguir a extinção imediata do tráfico de escravos. Portugal só reconheceu a emancipação da sua antiga colônia na América em agosto de 1825, quando o governo brasileiro concordou em compensar Lisboa com 2 milhões de libras. O recurso foi obtido graças ao primeiro empréstimo externo, contraído junto a Londres. 

3. A emancipação do Brasil não resultou em maiores alterações da ordem social e econômica, ou da forma de governo. Exemplo único na história da América Latina, o Brasil era uma monarquia entre repúblicas. Cumpre destacar que, mesmo no interior do núcleo promotor da independência, com José Bonifácio à frente, não havia um acordo sobre as linhas básicas que deveria ter a organização do Estado. Assim, os anos 1822-1840 foram marcados por grande flutuação política e uma série de rebeliões e tentativas contrastantes de organizar o poder.

4. Meses antes da independência, as eleições para a Assembleia Constituinte já estavam previstas. Nos dois primeiros anos após a independência, o debate político se concentrou no problema da aprovação de uma Constituição. Na abertura dos trabalhos da Constituinte, em maio de 1823, D. Pedro I parafraseou Luís XVIII ao jurar defender a futura Constituição se ela fosse "digna" do Brasil e dele próprio. A maioria dos constituintes adotava uma postura liberal moderada - pretendiam defender uma monarquia constitucional que garantisse os direitos individuais e estabelecesse limites ao poder do monarca.

5. Logo surgiram desavenças entre o imperador (apoiado a princípio por José Bonifácio) e a Assembleia. Os constituintes queriam que o monarca não tivesse o poder de dissolver a futura Câmara dos Deputados, forçando assim, quando julgasse necessário, novas eleições. Queriam também que ele não tivesse o poder de veto absoluto. Para D. Pedro I e seu círculo, no entanto, era necessário criar um Executivo forte, capaz de deter as tendências "democráticas e desagregadoras".

6. Em julho de 1823, José Bonifácio foi afastado do ministério - ele havia ficado entre o "tiroteio" da crítica dos liberais e a insatisfação dos conservadores. Daí para a frente, Bonifácio e seus irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco fariam oposição ao governo e aos democratas. A disputa entre os poderes resultou, afinal, na dissolução da Assembleia Constituinte por D. Pedro I, apoiado pelos militares. Logo a seguir, cuidou-se de elaborar um projeto constitucional que resultou na Carta outorgada em 25 de março de 1824.

7. A Constituição de 1824 definiu o governo como monárquico, hereditário e constitucional. O Império do Brasil teria uma nobreza, mas não uma aristocracia, uma vez que os títulos concedidos não seriam hereditários. A religião católica romana continuava a ser a religião oficial. O Poder Legislativo foi dividido em Câmara e Senado; a eleição para a primeira seria temporária, ao passo que a do Senado seria vitalícia. O voto era indireto e censitário, e no caso da eleição para o Senado, elegia-se uma lista tríplice em cada província, cabendo ao imperador escolher um dos três nomes eleitos.

8. Eleição para a Câmara de Deputados. Nas eleições primárias, votavam os cidadãos brasileiros, inclusive os escravos libertos. Não podiam votar, dentre outros, os menores de 25 anos, os criados de servir, os que não tivessem renda anual de pelo menos 100 mil-réis provenientes de bens de raiz (imóveis), indústria, comércio ou emprego. Os candidatos, além dessas exigências, precisavam ter renda mínima de 200 mil-réis anuais e não poderiam ser escravos libertos. Os escolhidos nessas eleições primárias formavam o corpo eleitoral que elegeria os deputados.

9. Para ser candidato na segunda etapa, além dos requisitos anteriores, era preciso ser católico e ter renda anual mínima de 400 mil-réis. Não havia referência expressa às mulheres, mas elas estavam excluídas desses direitos políticos pelas normas sociais. Até 1882, era praxe admitir o voto de grande número de analfabetos, tendo em vista o silêncio da Constituição a esse respeito. Os presidentes das províncias eram nomeados pelo imperador. Os direitos individuais foram assegurados, ainda que a liberdade religiosa tivesse algumas restrições.

10. O Conselho de Estado era um órgão composto por conselheiros vitalícios nomeados pelo imperador. Sua função era assessorá-lo nos "negócios graves e medidas gerais da pública administração". O Poder Moderador, no caso brasileiro, não se separou claramente do Poder Executivo. Disso resultou uma concentração de atribuições nas mãos do monarca. Cabia a ele, entre outras coisas, a nomeação dos senadores, a faculdade de dissolver a Câmara e convocar eleições para renová-la e o direito de sancionar as decisões do Senado e da Câmara.

11. A dissolução da Assembleia Constituinte e a outorga da Constituição de 1824 provocaram violentas reações em diversas províncias. Na Bahia, em dezembro desse ano, ocorreram manifestações de lusofobia e ameaças de secessão. Nesse mesmo ano, em Pernambuco, eclodiu uma grande revolta, a Confederação do Equador. O Frei Caneca e Paes de Andrade foram os principais líderes da revolta. No dia 2 de julho, proclamou-se em Pernambuco a Confederação do Equador. Uma Junta Governativa, presidida por Paes de Andrade e apoiada na aristocracia rural. Pretendiam os revolucionários estabelecer a República, o federalismo, o sistema representativo, a Constituição colombiana, os Poderes Executivo e Legislativo apenas (com o predomínio deste) e a abolição do tráfico negreiro para o porto de Recife. 

12. A repressão esteve a cargo dos mercenários liderados pelo almirante Cochrane, bem como das tropas brasileiras de Francisco de Lima e Silva e durou seis meses. A violência da repressão e a dureza com que o tribunal militar de exceção instaurado tratou os rebeldes (ordenando a execução cerca de dezessete envolvidos, inclusive o Frei Caneca), acirraram bastante os ânimos da oposição liberal a D. Pedro, tanto na Corte como nas várias províncias. O crescente desgaste que o monarca passou a sofrer tinha a ver também com a estreita ligação entre ele e os burocratas e comerciantes lusitanos, que era seus favoritos na concessão de honrarias e títulos de nobreza e no preenchimento dos cargos públicos, sobretudo na ocupação dos postos de confiança e de comando das forças armadas e na composição dos ministérios. 

13. A Questão Cisplatina. Em 1825, quatro anos após a sua incorporação oficial ao Brasil, essa província iniciou uma rebelião, de que se aproveitou Buenos Aires para anexá-la às Províncias Unidas do Reio da Prata. Diante disto, o Brasil declarou guerra à Argentina, a qual se estendeu até 1828, quando, no mês de outubro, foi implantada a Banda Oriental do Uruguai. O novo Estado surgiu com a mediação inglesa, e seria uma espécie de Estado tampão entre o Brasil e a Argentina. O saldo desse conflito, para o Brasil, foi uma alta carga aos cofres públicos já exauridos do país (mais uma vez, foi preciso recorrer a mercenários para reforçar as tropas brasileiras), além de outros problemas econômicos e desgastes políticos.

14. Entre 9 e 11 de junho de 1828, tropas alemãs e irlandeses aquarteladas na Corte rebelaram-se; durante três dias o Rio de Janeiro ficou à mercê dos rebeldes. Após retomar o controle, D. Pedro demitiu os ministros da Guerra, da Fazenda e do Império. Três dias depois, demitiu também o ministro da Justiça, o que, contudo, só aumentou os descontentamentos. Somava-se a tudo isso a aguda e prolongada crise econômico-financeira. Em 1829, o Banco do Brasil (do qual os cofres foram esvaziados quando D. João VI deixou o país) faliu. A crise foi atribuída à imperícia do governo, convertendo-se, assim, em mais um problema de ordem política. 

15. A onda revolucionária que abalou a Europa em 1830 foi amplamente noticiada e saudada pelos periódicos liberais no Brasil, o que contribuiu ainda mais para deslegitimar e desestabilizar o governo de D. Pedro. O assassinato do jornalista liberal Libero Badaró, em 20 de novembro desse ano, inflamou ainda mais o panorama político, uma vez que surgiram rumores infundados de que o crime tivesse ocorrido a mando do imperador. Entre 11 e 16 de março de 1831, nas Noites das Garrafadas, brasileiros e portugueses digladiaram-se nas principais ruas do Rio de Janeiro. A oposição cada vez mais acirrada a D. Pedro I adquiriu, assim, um forte antilusitanismo, especialmente entre as camadas populares. Na sequência, no dia 5 de abril, D. Pedro demitiu o ministério dos brasileiros. A partir daí, a crise se acelerou, vindo D. Pedro a abdicar, na madrugada do dia 7 de abril, em favor do seu filho. 

Bibliografia consultada: 
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013, p. 123-136.
BASILE, Marcello Otávio N. de C. O Império Brasileiro: Panorama Político. In: LINHARES, Maria Yedda (org.). História Geral do Brasil. 9 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 1990, p. 188-245. 

O Ocaso da Monarquia Brasileira

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

A Escola da Jaqueta Azul, óleo sobre tela de John Kemp (1833-1923).

Baixe aqui o artigo O Ateneu e o Ocaso da Monarquia brasileira.

#15Fatos D. Pedro II, o Magnânimo

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Pedro II em 1865, aos 39 anos de idade.

1. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga nasceu no dia 2 de dezembro de 1825, no Rio de Janeiro. Sendo o filho mais novo de D. Pedro I e da imperatriz Leopoldina de Áustria, que já possuíam quatro filhas, tornou-se o príncipe herdeiro de todas as esperanças nacionais. O príncipe era o oitavo duque de Bragança, e ainda trazia no sangue a herança dos Bourbons e Habsburgos da Áustria. 

2. Os pais do futuro D. Pedro II não viviam bem, e dez dias após o primeiro aniversário do príncipe, sua mãe morreu. Logo circularam boatos de que D. Pedro I teria espancado a imperatriz, que era traída e vivia amargurada. Lenda ou não, o fato é que Dona Maria Leopoldina sucumbiu a um parto prematuro, o que contribuiu ainda mais para a construção popular da imagem do "mártir da nação". No dia 7 de abril de 1831, D. Pedro I, após profunda crise política e econômica, abdicou do trono em favor do seu filho. Partiu, então, para Portugal, deixando para trás o príncipe d. Pedro, com pouco mais de cinco anos, e as princesas imperiais d. Januária e d. Francisca.   

3. Os príncipes foram confiados pelo imperador a José Bonifácio de Andrada e Silva, seu antigo inimigo político dos últimos anos. Contudo, Andrada acabou substituído pelo marquês de Itanhaém, e entraram em cena então os três personagens mais influentes da juventude de d. Pedro II: D. Mariana de Verna, a camareira-mor; Paulo Barbosa, o mordomo-mor; e Aureliano Coutinho, que exercia uma espécie de professorado político. D. Pedro II foi por eles educado para ser de todo diferente do pai, no caráter, na educação e sobretudo na personalidade.   

4. O tedioso cotidiano do jovem herdeiro e as regras estritas, seguidas com a precisão de um relógio, mantinham d. Pedro afastado de seus súditos. O novo imperador era um mito antes de ser realidade: seria justo mesmo se não o fosse, culto mesmo sem inteligência criativa, de moral elevada mesmo tendo amantes. D. Pedro II foi meticulosamente construído como rei, e os limites entre o visível e o invisível esfumavam-se no ar. Longe da tranquilidade e do controle que pareciam reinar no Paço, rebeliões eclodiam em diferentes províncias. Por essa razão, a antecipação da maioridade assumiu ares de salvação nacional. Assim, ainda que faltassem três anos e meio para d. Pedro II completar 18 anos e assumir o governo, ele foi entronizado.   

5. Uma vez no trono, procurar uma noiva para o jovem imperador passou a ser uma preocupação. A escolhida foi Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, com a qual D. Pedro II se casou por procuração em 30 de maio de 1843. No dia 3 de setembro, a fragata Constituição, que a trouxe ao Brasil, atracou próximo ao forte de Villegagnon. Dizem que a reação do imperador, assim que viu sua esposa, não foi das melhores. E todo caso, ele cumpriu sua missão de Estado: em 1845, nasceu d. Afonso, o primeiro filho do casal que morreu de febre amarela com um ano; em 1846, nasceu Isabel e, no ano seguinte, Leopoldina. 

Enquanto isso, nessa época, a Europa vivia uma onda de revoluções, o Brasil era um oásis em meio à também conturbada situação latino-americana. A entrada do café brasileiro no mercado internacional estabilizou a economia e a criação do cargo de "presidente do conselho de ministros", em 1847, garantiu maior poder de intervenção do imperador no governo.  

6. Em 1850, o gabinete conservador aprovou a lei antitráfico negreiro. Consequentemente, uma massa de recursos apareceu do dia para a noite. A década conheceu um surto industrial e a figura central do período foi o banqueiro e empresário barão de Mauá. No Rio de Janeiro, a rua do Ouvidor transformou-se no símbolo de uma nova forma de vida em que se pretendia, nos trópicos, imitar os boulevares europeus. Na capital também se criou uma febre de bailes, concertos, reuniões e festas. Na política, entre 1853 e 1857 o gabinete da "conciliação" misturou representantes dos luzias (liberais) e dos saquaremas (conservadores). Fora esse período, eles se revezaram no poder.  

7. Com a construção de um novo palácio no alto da Serra dos Órgãos, as idas de D. Pedro II à fazenda Santa Cruz foram rareando. Logo, não apenas o palácio, mas toda uma cidade à sua imagem e semelhança seria construída: Petrópolis, a "cidade de Pedro". O projeto esteve sob a superintendência do major engenheiro Frederico Koeler, e para povoar a região deserta foi criada uma colônia de imigrantes alemães. A cidade tornou-se uma espécie de vila europeia, e lá todos viviam como se estivessem "na civilização". Assim, Petrópolis tornou-se o local predileto do monarca - ele passou, no total, quarenta verões na cidade, durantes as férias da Câmara e do Senado. 

8. No apogeu do império, nem tudo eram festas. Em 1864 estourou a Questão Uruguaia - uma guerra civil entre os partidos Colorado, de Venâncio Flores, liberal, e Blanco, do presidente Aguirre, ruralista. Tanto o presidente argentino, Bartolomé Mitre, e o imperador D. Pedro II apoiaram os Colorados. As forças de Flores e do Brasil cercaram Montevidéu, e em fevereiro de 1865 o senador Villalba assinou a paz com os invasores. Flores assumiu a presidência. 

No entanto, a guerra recomeçaria. O ditador paraguaio Solano López, em protesto contra a invasão do Brasil no Uruguai, aprisionou o vapor Marquês de Olinda, em Assunção (10 de novembro de 1864) e, no mês seguinte, declarou guerra ao Brasil e invadiu o Mato Grosso. Dessa forma, mais uma imagem acabou se adicionando à figura do monarca: a de "rei guerreiro", que participaria de modo ativo nos conflitos do Prata, especialmente na Guerra do Paraguai (1864-1870). 

9. Terminada a guerra, reapareceram pressões pelo fim da escravidão, e as fugas e quilombos se multiplicaram. D. Pedro II era favorável à abolição total, mas temiam-se perturbações sociais. O caminho encontrado foi uma reforma gradual e controlada. Os proprietários de escravos começaram então a se voltar contra o monarca, mas o momento era favorável ao império. Cada vez mais afastado das festas oficiais, dos bailes da elite carioca e mesmo das festas populares, D. Pedro II começava a se portar e a se vestir como um "monarca cidadão", inspirado no seu contraparente Luís Filipe I (1773-1850), o "rei-cidadão" da França entre 1830 e 1848.  

10. Apresentando-se como um "monarca moderno", na década de 1870 Pedro II renunciou ao título de soberano (porque a soberania era do povo). Em 1871, deixou de lado o costume português do beija-mão; manteve a liberdade de imprensa e rejeitou títulos e estátuas. D. Pedro II tinha junto ao trono uma biblioteca, um museu, além de um laboratório e seu famoso observatório astronômico, isso sem falar do Colégio Pedro II, a grande predileção do monarca. Na verdade, o imperador dissimulava o poder que efetivamente dispunha. Ele utilizou com muita frequência o Poder Moderador, destituindo ministérios ou dissolvendo o Parlamento. 

11. Até a década de 1870, Pedro II não havia saído do país, embora conhecesse parte significativa do seu império. Após decretar o luto pela morte da princesa Leopoldina de Saxe-Coburgo, vítima de febre tifoide aos 23 anos, o monarca partiu em 25 de maio de 1871 rumo à Europa e ao Oriente Médio. Isabel se tornou regente provisória pela primeira vez aos 24 anos. 

De Portugal, o imperador prosseguiu pela Espanha, França, Grã-Bretanha, Bélgica, Alemanha (onde evitou Bismarck, mas não perdeu a chance de conhecer Richard Wagner, um de seus compositores prediletos) e Itália. De lá seguiu para o Egito, onde ganhou um sarcófago; prosseguiu para a Palestina, para a Ásia Menor e, finalmente, retornou à França. Em março de 1872, retornava ao Brasil, acompanhado do duque de Saxe, viúvo de d. Leopoldina e de seus dois filhos, Pedro Augusto e Augusto Leopoldo.     

12. Após a volta da viagem, o monarca revelava sinais de cansaço e tédio por sua missão como governante. Assim, em 1876, planejou uma segunda viagem ao exterior. Depois de escalas em Salvador, Recife e Belém, seu vapor chegou a Nova York, onde uma comissão o recebeu em grande estilo. Era a primeira vez que um monarca pisava o território norte-americano e se tratava sobre tudo do the only American Monarch. Além de inaugurar, junto com o presidente Grant, a Exposição da Filadélfia, Pedro II conheceu Alexander Graham Bell. 

Dos Estados Unidos, a comitiva seguiu para a Europa onde, desta vez, incluiu uma passagem pelos países bálticos. A imperatriz ficou em Gastein, na Áustria, para se tratar. Após passar pela Turquia e Grécia, a viagem seguiu para a Palestina, e Pedro II passou seu aniversário em Belém. Datam dessa época os rumores sobre as relações entre o imperador e a condessa de Barral, tutora das filhas do monarca e sua companheira de viagem. 

13. A partir de sua segunda viagem, o imperador mais parecia um estrangeiro em terras próprias, assistindo de camarote aos movimentos políticos. Data dessa época o aparecimento das primeiras caricaturas, que descreviam um "Pedro Banana", um "Pedro Caju", e assim o imperador era um dos alvos mais constantes de ataques e desenhos satíricos. O período era adverso e as contradições se sobressaíam - a agricultura de exportações gerava 70% das rendas, via impostos, o que resultava num claro compromisso da Coroa com os agricultores. Em 1885, um novo surto de cólera dizimou a população da corte. Quanto ao imperador, um sexagenário que mais parecia um velho consumido, adoeceu em 1887 (e também em 1888), pelo que decidiu retornar à Europa. Mais uma vez, a princesa Isabel assumiu o trono como regente, gerando apreensão, uma vez que o conde D'Eu, seu esposo, se tornara bastante impopular. Enquanto isso, o movimento abolicionista ganhava as ruas.  

14. Para Isabel e seus conselheiros, a única saída era se antecipar ao inevitável. Assim, no dia 13 de maio de 1888, ela assinou a Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil. Com os augúrios do ato que selou a história da escravidão, d. Pedro voltou ao Brasil. Voltava enfermo, assim como a realeza como instituição. Desde 1874, devido à prisão dos bispos d. Vital e d. Macedo Costas, um abismo separava a Igreja do Estado. 

Apesar disso, o ano de 1889 pareceu começar bem. No dia 9 de novembro, o governo imperial ofereceu à Marinha do Chile o famoso Baile da Ilha Fiscal. Enquanto isso, militares se reuniam em seu clube para combinar os últimos detalhes do golpe para derrubar a monarquia. Jovens oficiais positivistas, liderados por Benjamin Constant, atraíram para o complô o marechal Deodoro da Fonseca, que havia sido demitido do cargo de comandante de armas do Rio Grande do Sul. Com a deposição do imperador, ele e a família imperial foram enviados para o exílio na madrugada de 17 de novembro de 1889.   

15. Além da expulsão, o decreto de 23 de dezembro de 1889 proibia que a família imperial tivesse imóveis no país. Apesar do tratamento rude do novo regime, para a população negra, porém, a monarquia continuou a representar, mesmo que metaforicamente, a libertação. Para a ex-família imperial, o exílio começou de maneira penosa, seja porque o príncipe Pedro Augusto dava sinais de pertubação mental, sendo internado depois em um sanatório em Viena, seja pelo falecimento de Teresa Cristina, em 28 de dezembro de 1889, aos 67 anos, seja pelas dificuldades financeiras - Pedro de Alcântara recusou a ajuda financeira do governo brasileiro, e vivia com a ajuda de amigos mais abastados. Enfraquecido, d. Pedro morreu à meia-noite do dia 5 de dezembro de 1891. Em seu caixão, a seu próprio pedido, foi colocado um pacote lacrado que continha terra trazida do Brasil.

Bibliografia consultada: SCHWARCZ, Lilia Moritz & SPACCA. As Barbas do Imperador - D. Pedro II, a História de um Monarca em Quadrinhos. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. 

Armas Biológicas Contra os Índios

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Índios botocudos do Rio Doce. Localização: Barra do Rio Pancas, entre Colatina e Barbados, em 1909. Fotógrafo: Walter Garber. 

Armas biológicas, como os vírus da varíola e do sarampo, foram utilizadas no Brasil no século XIX para exterminar os índios. 

Pelo menos três casos documentados mostram que o contato dos índios com as doenças dos brancos também ocorreu de forma proposital, com o objetivo deliberado de dizimar tribos hostis. 

O mais "clássico" deles aconteceu em Caxias, no sul do Maranhão, por volta de 1816. A fim de se livrar dos índios timbira, fazendeiros da região procuraram atraí-los para a vila, então acometida pela epidemia de bexiga (varíola). Uma vez ali, seriam aniquilados pelas bexigas, como descreveu o antropólogo Darcy Ribeiro em Os Índios e a Civilização. Sua fonte foi o detalhado relato de Francisco de Paula Ribeiro, na época comandante militar no sul do Maranhão. 

O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), que viajou pelo Brasil entre 1816 e 1822, mencionou a guerra bacteriológica contra os índios botocudos, no vale do Rio Doce. Ele denunciou na Europa as atrocidades cometidas por portugueses e brasileiros, que entregavam aos índios roupas contaminadas por varíola. "Em breve, nada mais restará dos antigos povos indígenas que habitavam nas terras do Brasil", previu o naturalista no livro Viagem à Província de Goiás (1847). A história mostrou que estava certo. 

[Leia: Independência, Vida e Morte: os contatos com os botocudos durante o Primeiro Reinado]

A varíola foi também a "arma" dos imigrantes alemães na luta contra os índios xokleng e kaiangang, durante a colonização de Santa Catarina e do Paraná, no final do século XIX. Os bugreiros, caçadores de índios contratados pelas campanhas de colonização, deixavam nas matas roupas com os vírus da varíola e do sarampo. Sem qualquer noção do perigo que representavam, os índios recolhiam as peças e passavam a usá-las.  

Fonte: Folha.Uol

Reflexões Sobre a Independência

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A Proclamação da Independência (1844), de François-René Moreau (1807-1860). 

A Independência do Brasil é desses episódios fascinantes da nossa história. Estaria, além do muito bem posto na historiografia de qualquer país do mundo. 

Se na escola aprendemos o evento de maneiro burocrática e inglória, maravilhado fica qualquer espírito com um mínimo de virtude diante do que fez e dos perigos que corre D. Pedro I. Não uma decisão de improviso, o Imperador laborou prévia e calculadamente pela separação, que, se desrespeitada por Portugal, resultaria em sangue português e brasileiro. 

A declaração de independência foi feita em São Paulo. Após receber as notícias sobre a posição das Cortes de Portugal, o Imperador atirou ao chão o laço azul e branco que as representava e sentenciou: 

"Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil. Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será Independência ou Morte." 

Que este dia 7 de setembro de 2017 nos permita celebrar o valor da liberdade, a grandeza da nossa história e a nobreza dos nossos mitos fundadores, os bravos e heroicos homens e mulheres, conhecidos e anônimos, que amaram e dedicaram as suas vidas ao Brasil.

Bruno Garschagen

***
- Recomendo a compra e a leitura do livro D. Pedro - A História não Contada, de Paulo Rezzutti.
- Aguardem o meu artigo da próxima segunda na Gazeta do Povo sobre o tema.

A Maçonaria na História do Brasil - I

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Logo do Grande Oriente Brasileiro, loja maçônica fundada por José Bonifácio.

Irineu Evangelista de Sousa, mais conhecido na história do Brasil por seus títulos nobiliárquicos (barão, e depois visconde de Mauá) teve seu mundo intelectual e empresarial aberto por Richard Carruthers, próspero empresário escocês que depois se tornaria seu sócio. Além disso, Carruthers também lhe abriu as portas de uma sociedade secreta: a maçonaria azul do rito inglês, à qual pertencia. Os maçons da Grande Loja de Londres eram monarquistas e acreditavam em Deus. Assim, não é de se estranhar que na Inglaterra tenha existido uma maior aliança entre os maçons e o Estado do que houve, por exemplo, na América Latina. 

Em 1725, a maçonaria de rito azul foi introduzida na França, onde foi alterada. O objetivo dos maçons ingleses era usar a maçonaria para enfraquecer a rival França, mas o plano deu errado. O rito francês identificava-se com a cor vermelha, e era contra a Monarquia e a favor do ateísmo e do republicanismo. Da França, o rito vermelho se expandiu e alcançou algumas colônias britânicas, incluindo as Treze Colônias. George Washington, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin pertenciam à maçonaria do rito francês. 

Franklin tornou-se embaixador em Paris e, sendo também grão-mestre, apoiou os revolucionários franceses. Jefferson, por sua vez, foi contactado pelos inconfidentes mineiros - tanto um como os outros eram maçons vermelhos. O triângulo vermelho da bandeira dos inconfidentes seria uma evidente influência da sociedade secreta no movimento. 

No Brasil, eram inevitáveis os atritos entre a Igreja Católica - que exercia grande influência no poder e no governo português - e a maçonaria. Apesar disso, vários membros da elite política portuguesa e brasileira eram católicos e maçons. Um deles foi José Bonifácio de Andrada e Silva, maçom azul do rito inglês. O "Patriarca da Independência" costurou um acordo com os maçons vermelhos e assim obteve o apoio das duas representações maçônicas para a independência do Brasil, preservando a Monarquia e o imperador. José Bonifácio conseguiu, inclusive, levar D. Pedro I a ingressar na maçonaria. 

Contudo, assim que sentiu-se suficientemente forte politicamente, D. Pedro I mandou fechar as lojas, perseguiu e exilou maçons azuis e vermelhos, incluindo seu ex-ministro Andrada. Em 1831, todavia, as maçonarias azul (Grande Oriente do Brasil) e vermelha (Grande Oriente Brasileiro) reabriram suas lojas e voltaram a ter representação e influência política. Foi nessa época que Carruthers iniciou Irineu no rito inglês da maçonaria. 

Adaptado de GARSCHAGEN, Bruno. Pare de Acreditar no Governo - Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 112-116.

Terra de Santa Cruz

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016


O Congresso Brasil Paralelo exibiu ontem o segundo episódio da série, Terra de Santa Cruz. Trata-se de um documentário imperdível, que aborda as nossas origens, nossos desafios e problemas.

História da Casa Imperial Brasileira

quarta-feira, 18 de maio de 2016


Leia no Época Negócios: 
Herdeiro de trono extinto, Dom Bertrand de Orleans e Braganca mora em casa alugada de dois quartos 

Histórias da História de São Paulo

sexta-feira, 22 de abril de 2016


Terra Desolada


Descoberta do Ouro


O Quadrilátero do Açúcar


A Independência e São Paulo


O Café no Oeste Paulista


O Café no Vale do Paraíba


Novas Ideias

O último condenado à morte no Brasil

quinta-feira, 7 de abril de 2016




No próximo dia 28 completar-se-ão 140 anos que o último condenado à morte foi executado no Brasil. Francisco, um escravo, assassinou um respeitado casal de Pilar, em Alagoas, e por isso foi enforcado. Ele chegou a rogar pela clemência do imperador, mas ela foi recusada. 

Francisco foi condenado com base numa lei de 1835 que mirava especialmente em escravos que matassem ou ferissem gravemente seus senhores ou membros de sua família. O temor gerado por escravos insurgentes era grande; alguns deles se inspiravam na independência do Haiti.

A partir de 1876, por ordem do imperador D. Pedro II, os enforcamentos foram proibidos no Brasil. 

Saiba mais: Senado 

D. João Carioca

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015


Episódio 1 - Nos tempos de Bonaparte


Episódio 2 - Ir ou não ir, eis a questão


Episódio 3 - Homens ao mar!


Episódio 4 - Venha cá, meu Rei


Episódio 5 - Olha a corte aí, gente!


Episódio 6 - Uma corte brasileira, com certeza!


Episódio 7 - Uma igreja, um jardim e muitos títulos


Episódio 8 - A colônia que virou metrópole


Episódio 9 - Pintando os Brasis


Episódio 10 - Casamento arranjado, sonho frustrado


Episódio 11 - Sem perder a Majestade


Episódio 12 - Adeusinho

A Independência do Brasil

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Parte 1


Parte 2

Escravidão e abolicionismo no Brasil

sábado, 8 de agosto de 2015