“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

Pérola de Oliveira Torres

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Pérola de Cora Coralina

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Condição da Igreja no Séc. XV

domingo, 25 de setembro de 2016

A venda de indulgências foi uma das principais causas da Reforma de Lutero.

"A fim de equilibrarem o orçamento pontifício, os papas venderam cada vez mais dispensas (e indulgências) e estabeleceram organizações completas de cargos para venda. (...) Os peregrinos que visitavam Roma não podiam deixar de ficar consternados com a ausência de espiritualidade, por muito que os impressionasse a magnificência da corte romana. 

Esta podridão alastrara por toda a parte na Igreja. Testemunhos imparciais, colhidos muitos deles em relatórios de visitas episcopais, apontam-nos em quantidade aterradora casos de simonia, nepotismo, acumulação de cargos e benefícios, não residência, imoralidade e desleixo no cumprimento dos deveres. Embora concílio após concílio combatesse esses males, eles disseminaram-se por toda a Igreja no século XV. O Conclave do Sacro Colégio que elegia os papas era tão suscetível de suborno como o Colégio Eleitoral do Império."

GREEN, V. H. H. Renascimento e Reforma - a Europa entre 1450 e 1660. Tradução de Cardigos dos Reis. Lisboa: Dom Quixote, 1991, p. 125.

«O Que é Cristianismo?», de Harnack

sábado, 24 de setembro de 2016

No mestrado eu tive a oportunidade de ler o Militia Christi, uma obra primorosa de Adolf von Harnack (1851-1930), o último grande representante da Teologia Liberal e um dos principais historiadores do cristianismo de todos os tempos. Desta vez eu tive a oportunidade de ler uma obra mais conhecida - A Essência do Cristianismo, traduzida pela paulista Reflexão em 2014 com o título O Que é Cristianismo. 

A obra na verdade é uma compilação de 16 conferências públicas dadas por Harnack na Universidade de Berlim entre 1899 e 1900. Por volta de 1927 o livro já havia passado por catorze reimpressões e fora traduzida em diversos idiomas. No começo do século passado exerceu grande influência sobre a nova geração de teólogos, bem como sobre as pessoas cultas.

Na primeira conferência, Harnack deixa claro que seu objetivo é "responder a questão mais simples, embora, importante: O que é cristianismo? Como foi no passado e como é agora?" (p. 26). Assim, deixa claro que a questão só pode ser respondida em sentido histórico. E de onde o grande historiador parte? "A resposta é simples e completa. Partiremos de Jesus Cristo e seu evangelho" (p. 28). Contudo, ele não se detêm por aí. "Ouvir" a primeira geração de Seus discípulos, bem como os desenvolvimentos que o cristianismo produziu nos espíritos em todas as épocas. Portanto, o leitor pode também esperar uma análise séria (mas não enciclopédica) sobre o "cristianismo primitivo", o catolicismo, o cristianismo ortodoxo, a Reforma Protestante e um breve resumo da situação do protestantismo à época de Harnack.

O Que é Cristianismo? é uma obra imperdível para todos os cristãos, especialmente os protestantes. Opondo-se ao relativismo (um dos males da nossa época), Harnack destaca que "seria desesperador supor que Jesus pregara uma mensagem provisória capaz de ser interpretada de maneira diferente depois de sua morte e ressurreição, com elementos descaráveis. Não! Sua mensagem é mais simples do que gostariam as igrejas; bem mais simples, mas por isso mesmo mais severa e universal" (p. 109). 

Pérola de Scruton

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pérola de Kennedy

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O Despotismo Papal

terça-feira, 20 de setembro de 2016


"Afirmar que Cristo fundou um reino, e que esse reino é a Igreja Romana, equivaleria a dizer que lhe deu duas espadas, uma espiritual e outra temporal e que, portanto, secularizou o evangelho. Tampouco se pode sustentar que o espírito de Cristo tem a intenção de governar os reinos terrenos. O evangelho diz: 'O reino de Cristo não é deste mundo.' Mas a igreja estabeleceu um reino neste mundo. Cristo não ordenou aos discípulos que reinassem, mas que servissem. Mas na Igreja Romana os ministros governam o mundo. Cristo afasta seus discípulos da religião e das cerimônias políticas e põe os seres humanos diante de Deus: Deus e a alma, a alma e Deus, mas aqui acontece o contrário, o ser humano situa-se numa instituição cujas cadeias não podem ser quebradas, mas obedecidas. Somente quando obedece, o fiel aproxima-se de Deus. Houve um tempo em que os cristãos romanos derramaram sangue porque se recusavam a prestar culto a César, e rejeitavam a religião política. Hoje não agem mais dessa forma. Na verdade, não oram a um governador terreno, mas se submetem às ordens despóticas do soberano papal romano."

HARNACK, Adolf von. O Que é Cristianismo? São Paulo: Reflexão, 2014, pp. 180-181. 

Indico o meu mais recente artigo: O Decreto Dominical: Uma Miragem Adventista?