“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel

“Quem não é capaz de sonhar com a história diante dos documentos não é historiador.” F. Braudel
Villa Borghese, Roma, Itália.

A Importância da Instrução

quinta-feira, 29 de março de 2018

"A instrução é algo tão importante, que a natureza tornou possível adquiri-la de outra pessoa sem que esta, ao fornecê-la, a perdesse. Outros bens louváveis são ou impossíveis de receber de outras, tais como força, a saúde, a beleza e a coragem, ou então quem os fornece perde a sua posse, como a riqueza e o poder." 
Pitágoras, séc. VI a.C.

Introdução ao Livro de Daniel

quarta-feira, 28 de março de 2018

Considerando a importância do livro do profeta Daniel para a formulação da filosofia da história judaico-cristã, apresentarei aqui algumas notas introdutórias sobre esse sucinto documento de apenas 12 capítulos. 

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que o livro de Daniel é sobretudo um livro religioso. Sua estrutura apresenta uma íntima ligação entre o sobrenatural e o ritmo diário da oração. O livro menciona sete orações, e algumas outras ficam implícitas. A mais longa de todas encontra-se no capítulo 9, precisamente entre a profecia dos 70 anos de Jeremias, que anuncia o retorno de Israel do exílio, e outra, sobre as 70 semanas, que fala da restauração de Jerusalém e a salvação do mundo.

O livro também se apresenta na forma de poesia, empregando artifícios literários como paralelismos, ecos, jogos de palavras e ritmos. Nesse livro, beleza é sinônimo de verdade. Daniel apela ao nosso raciocínio e inteligência. Como livro sapiencial, ele traz as reflexões mais profundas sobre história, Deus, ética e existência. O próprio profeta é apresentado como um sábio (Dn 1:20, 2:13) e o livro apresenta a verdade como algo a ser compreendido. 

Algo raro nas Escrituras, a profecia de Daniel é permeada por cifras matemáticas. A predição de um evento segue o rigor do pensamento científico. O livro de Daniel nos ensina que inteligência e raciocínio são pré-requisitos essenciais, mas ele também permanece desafiador, uma vez que suas palavras permanecem "seladas" (Dn 12: 4, 9). 

Além da língua hebraica, Daniel usa o aramaico (Dn 2:4 - 7:28), o idioma internacional da época, assim como palavras derivadas do acadiano, do persa e até do grego. Essa diversidade de idiomas no livro de Daniel é um exemplo singular de uma mensagem que transpõe as fronteiras de Israel e se apresenta à inteligência das nações. 

O caráter universal do livro também fica patente no próprio conteúdo. Ele é uma obra religiosa que fala em nome de Deus e revela a visão celestial; ao mesmo tempo, é uma obra histórica que faz referências ao passado, presente e futuro. 

Adaptado de DOUKHAN, Jacques. Segredos de Daniel - Sabedoria e sonhos de um príncipe no exílio. Tradução de Matheus Cardoso. Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2017, p. 6-9.

Os Pobres Gratos (1894)

sábado, 24 de março de 2018

Os pobres gratos é uma pintura de Henry Ossawa Tanner (21 de junho de 1859 - 25 de maio de 1937). Professor universitário, Tanner foi o primeiro pintor afro-americano a conquistar a aclamação internacional. A imagem foi compartilha no no Twitter por @AHistoryofPaint . 

Essa imagem me tocou profundamente. Quão gratos temos sido a Deus por todas as bençãos que recebemos?  

Início da Guerra do Vietnã

domingo, 18 de março de 2018

O contratorpedeiro americano USS Maddox, pivô de um episódio chave no início da Guerra do Vietnã.

Em 1964, no Vietnã, o governo militar de Saigon continuava determinado a acabar com a influência política e a superioridade militar do Vietcong. No dia 2 de fevereiro, o presidente Lyndon Johnson renovou a promessa que ele e seu antecessor (Kennedy) tinham feito de que os Estados Unidos continuariam a fornecer suporte militar contra a insurreição comunista. Contudo, hesitou em envolver-se mais no Vietnã, e através de um mediador, propôs a Ho Chi Minh uma redução da intensidade do conflito. Se os norte-vietnamitas aceitassem cortar seu apoio aos comunistas no Sul, os Estados Unidos dariam apoio econômico, e até reconhecimento diplomático, ao Vietnã do Norte. Se tal abrandamento não fosse aceito, os Estados Unidos estariam prontos a considerar ataques navais e aéreos contra o Vietnã do Norte. 

Com o fracasso das negociações, durante a primavera o presidente Johnson anunciou que o número de conselheiros americanos no Vietnã do Sul subiria de 15 mil para 20 mil. Muitos deles já participavam ativamente nos combates. Os novo efetivos chegaram bem no momento em que o Vietcong iniciava sua mais eficiente estratégia de longo prazo, a criação de uma linha de abastecimento de norte para sul, o Trilho Ho Chi Minh. Seu objetivo era evitar a Zona Desmilitarizada atravessando o vizinho Laos e reentrando no Vietnã do Sul pela fronteira laosiana. A via foi construída por engenheiros que contaram com moderno equipamento chinês e soviético. Ao longo dos seus 800 Km de extensão, foram construídos no subsolo quartéis, oficinas, hospitais, depósito de combustível e armazéns, tudo praticamente imune a bombardeios aéreos. Até finais de 1964, cerca de 10 mil militares norte-vietnamitas utilizaram o trilho para penetrar no Sul e tomar posições à volta da maior parte das suas cidades. 

Perante a crescente eficácia da infiltração do Vietcong no Sul, Johnson admitiu bombardear as suas linhas de abastecimento. No mês de junho de 1964, um projeto de resolução lhe deu poderes para enviar tropas estadunidenses para qualquer país do Sueste Asiático ameaçado de "agressão ou subversão" comunista. A primeira oportunidade surgiu a 2 de agosto, depois de um ataque secreto do Vietnã do Sul contra o Vietnã do Norte em que participou um contratorpedeiro americano denominado Maddox. Três navios do Vietcong atacaram o Maddox em águas internacionais, o que deu ao presidente norte-americano a oportunidade de que precisava. A "resolução do golfo de Tonquim" foi discutida no Congresso nos dias 6 e 7 de agosto. Só teve dois votos contrários no Senado; na Câmara dos Representantes ela foi aprovada por unanimidade. 

Imediatamente após a aprovação da resolução, bombardeiros americanos atacaram cinco instalações costeiras do Vietnã do Norte. Quatro navios-patrulha e um depósito de petróleo foram atingidos. Enquanto isso, em segredo, Johnson insistia em tentar convencer os norte-vietnamitas a cessar as hostilidades mediante as condições já lhes apresentadas. Os norte-vietnamitas, por sua vez, voltaram a rejeitar aquilo que consideraram uma solução dominada pela ameaça. Além disso, acreditavam na possibilidade de vitória.

Adaptado de GILBERT, Martin. História do Século XX. Tradução de Francisco Agarez. 3ª edição. Alfragide, Portugal: Dom Quixote, 2014, p. 410-411.

Hélade x Primeiro Império Persa

segunda-feira, 12 de março de 2018

Representação da Batalha de Salamina (480 a.C.).

Enquanto a lealdade política dos medos e persas se centralizava no imperador Aquemênida, a lealdade política dos gregos centralizava-se em abstrações deificadas, as cidades-estado soberanas. Essas duas civilizações possuíam culturas bem distintas, e quando se cruzaram, no século VI a.C., o choque foi inevitável. 

Por volta de 546 a.C., quando as cidades-estado greco-asiáticas foram, pela primeira vez, subjugadas pela Pérsia, todas elas, à exceção de Mileto, já haviam sido dominadas pela Lídia. Esta, por sua vez, havia sido anexada pela Pérsia. O domínio lídio parecera mais palatável aos gregos, uma vez que eles haviam adquirido uma "tintura" de civilização helênica. Os persas, em contrapartida, sob a ótica dos gregos, eram forasteiros exóticos. 

A resistência em relação aos dominadores orientais resultou na revolta greco-asiática, combatida pelos persas entre 499-494 a.C. Os revoltosos súditos greco-asiáticos então contaram com o apoio de Atenas e da Eritréia. Tudo isso ensinou aos persas que eles não haviam assegurado ainda a hegemonia da fronteira noroeste. O mar Egeu era um lago grego, e os persas deveriam conquistar também a margem ocidental, o que comprometeria anexar o restante do Mundo Helênico.

Ao longo do período de confrontação greco-pérsica (499-330 a.C.) apenas em dois momentos um certo número de estados gregos formaram uma frente comum contra o Império Persa. Na primeira dessas ocasiões, entre 480-479 a.C., os gregos repeliram uma poderosa invasão persa da Grécia europeia. Na segunda ocasião, eles próprios invadiram e conquistaram o Império Persa.  

Antes mesmo de 499 a.C., quando eclodiu a revolta acima mencionada, Dario I havia estabelecido uma cabeça-de-ponte europeia, localizada entre o curso inferior do rio Danúbio e o Monte Olimpo. Em 490 a.C., ele enviou por mar, às cidades de Eritreia e Atenas, uma força expedicionária punitiva. Os eritreus foram vencidos e deportados, mas os atenienses conseguiram rechaçar os persas. Em 480-479 a.C., o filho e sucessor de Dario, Xerxes, invadiu por terra a Grécia europeia, ocupando a Ática e saqueando Atenas. A população ateniense, no entanto, foi evacuada e a armada dos estados gregos beligerantes permaneceu intacta.    

O ano de 480 a.C. marcou uma dupla vitória para os gregos. No Ocidente, uma minoria de colônias gregas momentaneamente unidas derrotaram o Império Cartaginês. No Mediterrâneo oriental, os gregos obtiveram uma decisiva vitória sobre a armada persa em Salamina. Em 479 a.C., outra decisiva vitória grega foi obtida em terra, em Platéia (Beócia), a qual se seguiu uma segunda vitória naval grega nas proximidades de Mícale, na costa ocidental da Ásia Menor. Os gregos asiáticos revoltaram-se então mais uma vez, e o Império Persa perdeu também suas possessões na Europa, inclusive o reino da Macedônia. Em 449 a.C., Atenas e o Império Persa finalmente fizeram a paz - a primeira em arrebatar o Chipre e o Egito ao Império Persa, e este fracassara em reconquistar a Grécia continental asiática. 

Tão logo o perigo imediato representado pela Pérsia e por Cartago, os gregos voltaram à sua desunião. A divisão política da Grécia representava um grande perigo, sobretudo porque o Mundo Helênico havia se tornado uma unidade econômica desde o século VII a.C. Nesse sentido, ao final da desgastante Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), o Império Ateniense, formado a partir da Confederação de Delos em 478 a.C., foi aniquilado. 

Em 386 a.C., aproveitando-se do enfraquecimento da Hélade e em concluio com Esparta, a Pérsia restabeleceu sua soberania sobre os estados gregos da Ásia continental. O próprio Império Espartano, no entanto, que substituiu o Império Ateniense em 404 a.C., foi destruído em 371 a.C. Estava aberto o caminho para que Filipe II (359-336 a.C.), da Macedônia, conquistasse a Grécia.          

Bibliografia consultada: TOYNBEE, Arnold. A Humanidade e a Mãe-Terra - Uma História Narrativa do Mundo. Tradução de Helena Maria C. M. Pereira e Alzira S. da Rocha. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987, p. 246-250.

Mapa Mental da Revolução Russa

domingo, 11 de março de 2018

Lembre-se de clicar na imagem para ampliá-la. 

Outros mapas mentais podem ser conferidos no blog História em Quadrinhos Blog.

A Propaganda Antigermânica

quinta-feira, 8 de março de 2018


Pôster divulgado na Grã-Bretanha pela British Empire Union após o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) traz o título: "Uma vez alemão, sempre alemão!"

Os alemães são retratados como bárbaros, que atravessam bebês com baionetas, torturam soldados e violentam mulheres das regiões ocupadas. Enquanto os britânicos são associados à atividade industrial, ao progresso e à felicidade, os alemães são associados à guerra e à destruição. 

No centro do pôster, a cruz de uma cova estampa o nome da enfermeira Edith Cavell (1865-1915). Acusada de traição por ter ajudado soldados aliados a escapar da Bélgica ocupada pelos alemães, Edith Cavell foi condenada pela Corte Marcial do Império Germânico. Apesar do clamor internacional, e dos esforços diplomáticos dos Estados Unidos e da Espanha, ela foi fuzilada, sendo considerada internacionalmente uma heroína da Primeira Guerra Mundial e primeira mártir do conflito. A história de Cavell serviu de argumento para os aliados destruírem moralmente a campanha do exército alemão.